O Governo de Mato Grosso do Sul prorrogou o programa MS Saúde: Mais Saúde, Menos Fila até 31 de março de 2026, estendendo o mutirão de cirurgias eletivas e exames diagnósticos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi formalizada pela Resolução SES nº 518, assinada em 30 de dezembro de 2025 e publicada em 5 de janeiro de 2026 no Diário Oficial, com efeito retroativo a 1º de janeiro deste ano. Ao adotar retroatividade, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) evita lacunas administrativas que poderiam cancelar procedimentos já agendados e recolocar pacientes no fim da fila.
Além de prolongar o prazo, o Executivo estadual definiu mecanismos para suportar o aumento de demanda. A Resolução SES nº 516 reservou faixas numéricas específicas para as Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) e para os Procedimentos Ambulatoriais (APAC) durante 2026. O objetivo é rastrear, de forma independente, a produção vinculada ao programa e às emendas parlamentares. A padronização cria trilha de auditoria que permite identificar onde cada atendimento foi feito, qual fonte custeou o serviço e se houve conformidade com as metas estabelecidas.
Na avaliação do governo, controlar a numeração garante precisão no registro, reduz erros de faturamento e preserva a transparência financeira. Sem dados consistentes, há risco de pagamentos incorretos, dificuldades para medir impacto e fragilidade de informação para a sociedade. Ao centralizar códigos, a SES reforça que o mutirão não é um crédito ilimitado, mas um esforço balizado por produção mensurável.
A ampliação do programa veio acompanhada de novos repasses do Fundo Especial de Saúde (FESA) a hospitais estratégicos do interior, priorizando a descentralização do atendimento. Entre os contratos aditivados no fim de dezembro estão:
– Hospital Darci João Bigaton, em Bonito, que recebeu R$ 555.523,52 para manutenção do projeto;
– Associação Beneficente de Itaquiraí, com acréscimo de R$ 158.122,12 e vigência estendida até julho de 2026;
– Hospital Beneficente São Mateus, em Caarapó, contemplado com R$ 22.636,72 para apoiar cirurgias eletivas.
A estratégia de distribuição de recursos busca reduzir deslocamentos de pacientes, evitar sobrecarga de grandes centros e utilizar a capacidade instalada em diferentes regiões. Dessa forma, o mutirão deixa de concentrar procedimentos na capital e passa a funcionar como rede articulada em vários municípios.
Em paralelo, a Resolução SES nº 517 definiu o cronograma de 2026 para envio de dados pelos sistemas SIHD2, SIA e CIHA. Há prazos mensais obrigatórios para que prefeituras e unidades hospitalares informem produção ambulatorial e hospitalar. A norma determina que registros fora do prazo ou incompletos poderão ser rejeitados, impedindo o repasse de recursos correspondentes.
Esse ponto atende a uma fragilidade recorrente do SUS: a execução do serviço sem a devida formalização documental. Ao associar prazos a sanções financeiras, a SES pretende assegurar que o enfrentamento das filas seja conduzido com simultânea atenção à assistência e à governança.
Com o conjunto de resoluções, o governo estadual estabelece quatro eixos para o biênio 2025–2026: extensão de prazo, incremento financeiro, rastreamento de produção e cobrança de resultados. A gestão afirma que tais medidas reforçam o caráter permanente da agenda de redução de espera, convertendo o mutirão em ação contínua e não em evento pontual.
Apesar das novas regras, o desfecho dependerá de fatores operacionais que não constam nos documentos oficiais, como disponibilidade de equipes, escala de profissionais, eficiência nos fluxos de regulação e comunicação com o paciente. Esses elementos serão decisivos para transformar a programação administrativa em atendimento efetivo.
O impacto real será identificado por dois indicadores principais: número de pessoas que deixam a fila e variação do tempo médio de espera. Ambos precisarão
TÍTULO: Mato Grosso do Sul estende mutirão do SUS até 2026, destina recursos a hospitais regionais e reforça monitoramento
SLUG: ms-estende-mutirao-sus-ate-2026-reforca-hospitais-e-monitoramento
CONTEÚDO:
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) prorrogou até 31 de março de 2026 o programa MS Saúde: Mais Saúde, Menos Fila, que concentra cirurgias eletivas e exames diagnósticos voltados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida está na Resolução SES nº 518, assinada em 30 de dezembro de 2025 e publicada em 5 de janeiro de 2026 no Diário Oficial, com vigência retroativa a 1º de janeiro. A retroatividade garante continuidade às agendas já marcadas, evitando cancelamentos e o retorno de pacientes para o fim da fila.
Para estruturar a nova fase, o Estado criou mecanismos de rastreamento das internações e procedimentos ambulatoriais. A Resolução SES nº 516 definiu séries numéricas exclusivas para Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) e para Autorização de Procedimentos Ambulatoriais de Alta Complexidade (APAC) ao longo de 2026. O padrão de codificação permitirá identificar onde cada atendimento foi realizado, qual fonte custeou o serviço e se houve conformidade com as metas pactuadas. Segundo a pasta, o modelo cria uma trilha de auditoria que reduz erros de faturamento e eleva a transparência sobre a aplicação dos recursos.
Além de estabelecer regras de controle, o governo liberou verbas do Fundo Especial de Saúde (FESA) para hospitais considerados estratégicos no interior. Os termos aditivos assinados no fim de dezembro de 2025 contemplam:
– Hospital Darci João Bigaton, em Bonito: R$ 555.523,52 destinados à continuidade dos atendimentos;
– Associação Beneficente de Itaquiraí: R$ 158.122,12, com contrato prorrogado até julho de 2026;
– Hospital Beneficente São Mateus, em Caarapó: R$ 22.636,72 para apoio às cirurgias eletivas.
A escolha de repassar recursos a unidades regionais reforça a estratégia de descentralização. Ao ampliar a capacidade de atendimento fora da capital, o governo pretende reduzir deslocamentos de pacientes, equilibrar a demanda entre os municípios e aproveitar infraestrutura já instalada. Com a rede interiorizada, o mutirão deixa de funcionar como ação concentrada em Campo Grande e passa a ser executado em várias frentes simultâneas.
O pacote de normas inclui ainda a Resolução SES nº 517, que fixa o calendário de 2026 para envio de dados pelos sistemas SIHD2, SIA e CIHA. Municípios e hospitais deverão transmitir informações mensalmente, obedecendo prazos específicos. Registros enviados fora do período estipulado ou de forma incompleta poderão ser rejeitados, o que bloqueará o pagamento correspondente. O objetivo é impedir que falhas na prestação de contas comprometam o fluxo financeiro e a avaliação de resultados.
Com os três atos publicados, a SES consolida quatro eixos para o biênio 2025–2026: prorrogação do programa, alocação de recursos, padronização de registros e exigência de cumprimento de metas. A secretaria afirma que o conjunto transforma o mutirão em política permanente de redução de filas do SUS, superando o modelo de campanhas pontuais que costumavam ocorrer em períodos específicos do calendário.
Embora as resoluções estabeleçam estrutura administrativa e financeira, a efetividade da iniciativa dependerá de fatores operacionais que não aparecem nos atos oficiais. Entre eles estão a disponibilidade de equipes médicas, escala de profissionais de apoio, eficiência da regulação de vagas e comunicação clara com os pacientes. O desempenho desses componentes será determinante para converter as autorizações em procedimentos concluídos.
Na prática, o impacto será mensurado por dois indicadores principais: volume de pessoas atendidas e tempo médio de espera. A SES pretende monitorar ambos mensalmente, cruzando dados das AIHs e APACs com a lista de pacientes cadastrados. Caso as informações mostrem recuo na fila sem aumento de demanda reprimida em outras etapas do sistema, o governo considerará que a ofensiva atingiu o alvo.
No interior, a expectativa é que o reforço financeiro amplie cirurgias de baixa e média complexidade, como histerectomias, colecistectomias e procedimentos ortopédicos. Ao tratar casos que não exigem alta complexidade próximo ao domicílio do paciente, as unidades regionais também liberam leitos nos hospitais de referência para demandas mais graves.
A SES não definiu meta numérica pública, mas indicou que usará o orçamento previsto para 2026 como teto de execução. Emendas parlamentares federais e estaduais poderão complementar a fonte principal, desde que sigam a mesma padronização de registro criada pela Resolução nº 516. Dessa forma, a produção financiada por diferentes rubricas será monitorada em bloco, evitando sobreposição ou subnotificação.
Com prazo, verba, rastreio e sanção financeira, o Estado sinaliza que a fila do SUS continuará no centro da agenda de saúde pelos próximos dois anos. O acompanhamento mensal apontará se o modelo sustentará a redução do tempo de espera ou se ajustes adicionais serão necessários para cumprir a meta implícita de atendimento contínuo e equitativo em todo o território sul-mato-grossense.









