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Estudante de Medicina é detida na BR-267 com 134 frascos de tirzepatida trazidos do Paraguai

Uma estudante de medicina de 20 anos foi presa em flagrante durante fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-267, em Maracaju, município localizado a cerca de 90 quilômetros de Dourados, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. A jovem transportava 134 unidades de medicamentos emagrecedores de tirzepatida 15 mg, comercializados sob os nomes Lipoless, Tizerc, T.G. e Tirzec, além de duas ampolas de GHK-CU, substância usada em procedimentos estéticos.

A abordagem ocorreu em um veículo Renault Master pertencente a uma empresa de transporte de passageiros que fazia o trajeto Ponta Porã–Campo Grande. Conforme o boletim de ocorrência, durante entrevista de rotina, os policiais perceberam que a passageira demonstrava nervosismo incomum. O comportamento despertou suspeita e levou a uma verificação mais detalhada da bagagem.

Depois de apresentar o ticket de bagagem, a estudante acompanhou os agentes até o compartimento inferior do veículo. Na mala vinculada ao número informado, os policiais encontraram os frascos de tirzepatida e as ampolas de GHK-CU, embalados em caixas fechadas. O telefone celular da jovem também foi apreendido para investigação.

De acordo com a PRF, os produtos se enquadram na categoria de medicamentos cuja comercialização é proibida no Brasil, conforme normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por esse motivo, a ocorrência foi registrada, em tese, como crime de contrabando. A estudante recebeu voz de prisão e foi conduzida, juntamente com o material apreendido, à Delegacia da Polícia Federal em Dourados para os procedimentos cabíveis.

No depoimento prestado aos policiais federais, a jovem relatou que cursa Medicina em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira com Mato Grosso do Sul. Segundo ela, a mãe arca com as mensalidades, mas havia atraso no pagamento da rematrícula e de duas mensalidades. A universitária declarou que, em 22 de dezembro, foi abordada no centro da cidade por um vendedor ambulante paraguaio que lhe ofereceu a oportunidade de transportar os medicamentos até Campo Grande.

A proposta incluía o pagamento de R$ 100 por cada caixa entregue. A estudante afirmou que o valor total permitiria quitar a rematrícula e regularizar os pagamentos pendentes do curso. Ela disse ainda que a encomenda seria entregue a um homem identificado apenas como Kauan, em um atacadista da capital sul-mato-grossense. Durante a fiscalização, admitiu ter ficado nervosa ao perceber a presença policial e se recusou a fornecer a senha do aparelho celular apreendido.

O veículo de transporte de passageiros foi vistoriado, não apresentou irregularidades e foi liberado para seguir viagem após a retenção da bagagem da estudante. Nenhum outro passageiro foi autuado.

O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se pela homologação do auto de prisão em flagrante e pela concessão de liberdade provisória mediante fiança. Na avaliação do órgão, não havia indícios de risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, o que permitia a adoção de medidas cautelares alternativas à prisão preventiva.

Após a audiência de custódia, realizada na Justiça Federal em Dourados, a prisão em flagrante foi homologada e a liberdade provisória concedida mediante fiança fixada em dois salários mínimos, totalizando R$ 3.242. Além do pagamento, a estudante deverá cumprir obrigações como comparecimento periódico em juízo para informar e justificar atividades, manutenção de telefone de contato atualizado e comunicação prévia ao Judiciário caso precise ausentar-se da comarca por período superior a dez dias.

Os 134 frascos de tirzepatida e as duas ampolas de GHK-CU permanecem apreendidos e serão submetidos a perícia. A Polícia Federal prossegue na investigação para identificar outros envolvidos na remessa, especialmente o destinatário indicado pela estudante e o vendedor ambulante que lhe ofereceu o transporte da carga.