Representantes dos governos estaduais e da União se reuniram em Campo Grande na quinta-feira (12) para a abertura do XCVI Fórum Nacional de Secretários Estaduais do Planejamento. O encontro, que ocorre a cada três meses, foi palco de debates sobre estratégias de desenvolvimento, gestão fiscal e modernização da máquina pública, com ênfase na formulação de políticas de longo prazo.
Governador defende continuidade de estratégia iniciada há dez anos
Na cerimônia de abertura, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), atribuiu o desempenho econômico recente do Estado a um planejamento estruturado há aproximadamente uma década. Segundo ele, a definição antecipada de diretrizes permitiu alinhar ações governamentais em áreas consideradas diferenciais competitivos locais.
Riedel citou três pilares que orientam a gestão sul-mato-grossense: segurança alimentar, transição energética e sustentabilidade ambiental. Esses eixos, afirmou, nortearam políticas voltadas à atração de indústrias, à simplificação de processos e à criação de um ambiente de negócios mais favorável. “O governo se propôs a ser simples e efetivo, com desburocratização, agilidade nas respostas e foco na eficiência”, declarou.
Simone Tebet aponta falta de cultura de planejamento no país
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), destacou que o Brasil ainda carece de uma cultura consolidada de planejamento de longo prazo, prática comum em economias desenvolvidas. Para ela, estabelecer metas de horizonte estendido favorece o uso racional dos recursos públicos e exige revisão constante de programas que não apresentam resultados satisfatórios.
Tebet argumentou que a adoção de metodologias de planejamento estratégico é fundamental para reduzir desigualdades regionais e aprimorar a oferta de serviços à população. A ministra afirmou que decisões difíceis, como a extinção de iniciativas ineficientes, são inevitáveis quando o objetivo é alocar recursos onde eles produzem maior impacto social.
Conselho nacional coordena debates sobre gestão pública
O fórum é organizado pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais do Planejamento (Conseplan) e reúne, a cada trimestre, titulares das pastas de planejamento dos 26 estados e do Distrito Federal. O encontro de Campo Grande também contou com a participação de representantes do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração e do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, ampliando o espectro de temas analisados.
Entre os assuntos em discussão estiveram alternativas para aprimorar a governança fiscal, mecanismos de avaliação de políticas públicas e caminhos para modernizar processos administrativos. Os participantes trocaram experiências sobre iniciativas exitosas nos respectivos estados, com vistas a replicar boas práticas em outras unidades da federação.
Pernambuco cita Mato Grosso do Sul como referência
Durante a programação, o secretário de Planejamento de Pernambuco e presidente do Conseplan, Fabrício Marques Santos, salientou que as medidas adotadas em Mato Grosso do Sul servem de referência para outras administrações estaduais. De acordo com Santos, o desempenho econômico sul-mato-grossense confirma a eficácia de um planejamento baseado em metas claras e indicadores de resultado.
Objetivos centrais englobam desenvolvimento e inclusão
A agenda do fórum priorizou a busca por ferramentas que permitam alinhar crescimento econômico a políticas de redução das desigualdades. Nesse sentido, foram apresentadas propostas de integração de dados entre órgãos federais, estaduais e municipais para subsidiar decisões de investimento em infraestrutura, educação e saúde.
Outro ponto recorrente foi a necessidade de fortalecer a capacidade dos estados na captação de recursos externos, especialmente em projetos ligados à transição energética e à sustentabilidade ambiental. Segundo os participantes, tais iniciativas podem ampliar a oferta de empregos qualificados e diversificar a base produtiva regional.
Periodicidade assegura acompanhamento das metas
Ao reunir secretários a cada três meses, o fórum possibilita o acompanhamento sistemático dos indicadores de desempenho das políticas em andamento. Além disso, oferece espaço para a apresentação de ajustes necessários diante de cenários econômicos ou fiscais adversos. Essa dinâmica, ressaltaram os organizadores, contribui para manter a agenda de eficiência e transparência como eixo permanente das gestões estaduais.
As discussões iniciadas em Campo Grande seguirão em grupos técnicos formados ao final do evento. Os resultados serão consolidados em relatórios que servirão de subsídio para a elaboração dos planos plurianuais dos estados e para a definição de prioridades no âmbito federal. A próxima edição do fórum está prevista para ocorrer em outro estado, mantendo o rodízio de sedes adotado pelo Conseplan.









