Um policial militar aposentado disparou contra a esposa e, em seguida, tentou tirar a própria vida na tarde desta segunda-feira, 13 de novembro, no bairro Jardim Colúmbia, região norte de Campo Grande (MS). O episódio mobilizou equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, que precisaram arrombar o portão da residência para prestar socorro.
De acordo com as informações apuradas no local, a mulher foi atingida por dois tiros, um no quadril e outro na coxa. Mesmo ferida, ela conseguiu pular o muro da casa e pedir ajuda a vizinhos. Quando os socorristas chegaram, a vítima estava consciente, orientada e foi encaminhada ao atendimento médico com quadro considerado estável.
Dentro do imóvel, os profissionais encontraram o autor em parada cardiorrespiratória após ter efetuado um disparo contra si. A equipe realizou manobras de reanimação, conseguiu restabelecer os sinais vitais e transportou o homem, entubado, em estado grave para uma unidade hospitalar da capital.
Moradores relataram ter ouvido uma discussão momentos antes dos disparos. Uma vizinha contou que, apesar do barulho da chuva, pôde perceber o desentendimento do casal e, pouco depois, escutou o primeiro tiro. Ela afirmou que viu a mulher saltar o muro e correr pela rua pedindo socorro. Outro morador disse ter cogitado entrar na residência para ajudar, mas recuou quando lhe alertaram que o policial poderia estar armado e em surto.
Após o resgate, policiais isolaram a área para a realização de perícia e coleta de provas. A arma utilizada, um revólver, foi apreendida. O caso será investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande, que avaliará o histórico do casal e possíveis registros anteriores de violência doméstica.
Casos semelhantes na região
O ataque desta segunda-feira ocorreu menos de 24 horas depois de um feminicídio seguido de suicídio registrado em Eldorado, município a 442 quilômetros da capital. Na noite de domingo, 12 de novembro, o comerciante Valdecir Caetano dos Santos, de 56 anos, matou a ex-esposa Vera Lúcia da Silva, de 41, com dois tiros e, em seguida, tirou a própria vida com um disparo na cabeça.
A execução ocorreu no quintal da residência da vítima, localizada no bairro Jardim Novo Eldorado, e foi presenciada pela filha do casal, uma menina de 9 anos. Segundo a Polícia Civil, o relacionamento de 13 anos era marcado por episódios de violência doméstica. Eles estavam separados havia oito anos, e Vera Lúcia possuía medida protetiva contra o agressor.
Os dois casos reacenderam o alerta das autoridades de Mato Grosso do Sul para a violência de gênero. Dados preliminares da Secretaria de Justiça e Segurança Pública indicam que o estado apresenta altos índices de feminicídios, motivando ações de patrulhamento preventivo e fortalecimento de unidades especializadas no combate à violência contra a mulher.
No episódio de Campo Grande, a rapidez do atendimento foi considerada determinante para salvar a vida da vítima e do próprio agressor. O Samu informou que a chave do portão estava em poder do policial, o que exigiu o arrombamento para a entrada das equipes, procedimento finalizado em poucos minutos.
Familiares da mulher compareceram ao local enquanto a perícia ainda era realizada. Nenhuma informação sobre desavenças anteriores foi confirmada até o momento. A polícia aguarda a recuperação dos envolvidos para colher depoimentos formais. O nome do policial não foi divulgado, pois o inquérito tramita sob sigilo inicial.
Após a conclusão dos trabalhos periciais, o imóvel foi liberado e permanecerá fechado até a remoção de resíduos balísticos e limpeza das áreas atingidas. Paralelamente, a Deam prossegue na coleta de prontuários médicos, laudos e eventuais registros de boletins de ocorrência que possam esclarecer o contexto da tentativa de feminicídio.
Em Eldorado, o inquérito que apura a morte de Vera Lúcia e o suicídio de Valdecir segue em fase de conclusão. A Polícia Civil busca levantar se o autor descumpriu medidas judiciais antes do crime, além de ouvir testemunhas que conviviam com o casal. O Conselho Tutelar acompanha a filha de 9 anos, oferecendo suporte psicológico e definindo medidas de proteção à criança.
Com os dois episódios em sequência, órgãos de segurança pública reforçaram o pedido para que vizinhos e familiares denunciem qualquer sinal de agressão doméstica. As denúncias podem ser encaminhadas pelo telefone 190, à Polícia Militar, ou pelo 180, da Central de Atendimento à Mulher, ambos com atendimento 24 horas.
Até o fechamento desta reportagem, o policial militar aposentado permanecia internado sob cuidados intensivos, e a esposa seguia em observação, sem risco imediato de morte. A investigação sobre a tentativa de feminicídio e a tentativa de suicídio continuará após a coleta de todos os laudos periciais e depoimentos.









