Vereadores de Campo Grande se reuniram na manhã desta segunda-feira (13) com representantes dos Conselhos Regionais Urbanos durante a 84ª edição da Expogrande. O encontro, promovido no estande da Câmara Municipal no parque de exposições Laucídio Coelho, teve como objetivo formalizar um canal permanente de comunicação entre o Legislativo e as lideranças comunitárias responsáveis por reunir as principais reivindicações dos bairros da capital sul-mato-grossense.
Os conselhos regionais funcionam como porta-vozes de moradores distribuídos pelas sete regiões urbanas da cidade. Eles coletam demandas relativas a infraestrutura, serviços públicos, saúde, educação e segurança, entre outros temas. Ao aproximar vereadores e conselheiros, a Mesa Diretora pretende agilizar o encaminhamento dessas solicitações aos órgãos competentes do Executivo municipal, mantendo ao mesmo tempo acompanhamento legislativo sobre prazos e respostas.
Segundo o presidente da Casa, vereador Epaminondas Neto, conhecido como Papy (PSDB), a iniciativa busca suprir gargalos provocados pelo atual cenário financeiro e organizacional enfrentado pela prefeitura. O parlamentar ressaltou que a administração tem enfrentado dificuldades para executar projetos e entregar serviços, o que reforça a necessidade de atuação conjunta entre os poderes. “A Câmara quer mostrar que está ao lado da população e vai intensificar a cobrança ao Executivo”, afirmou durante o encontro.
De acordo com dados apresentados pela Secretaria de Assuntos Legislativos da Câmara, mais de 50 mil indicações foram protocoladas pelos 29 vereadores ao longo de 2024. Nos dois primeiros meses do ano legislativo de 2025, aproximadamente 12 mil novos pedidos já foram enviados aos órgãos responsáveis. A expectativa é que o diálogo direto com os conselhos contribua para qualificar esses documentos, evitando duplicidades e direcionando as solicitações às secretarias competentes.
O primeiro-secretário da Mesa, vereador Carlão (PSB), reforçou que a parceria institucional não altera a função fiscalizadora do Legislativo, mas fortalece a representatividade popular. Ele explicou que os mandatos permanecerão disponíveis para receber as demandas apresentadas pelos conselhos em reuniões periódicas ou por meio eletrônico. “Demonstramos que a Câmara é parceira dos conselhos e partilha o mesmo propósito de encaminhar reivindicações da população. Quem ganha é o cidadão”, declarou.
Representando as lideranças comunitárias, o conselheiro José Arantes, da região do Anhanduizinho, elogiou a abertura do Legislativo para esse fluxo de informações. Segundo ele, a nova rotina permitirá que cada demanda seja registrada tanto no Executivo quanto na Câmara, criando dupla rastreabilidade e aumentando a probabilidade de atendimento. “Além de encaminhar ao Executivo, vamos levar também para o Legislativo, o que fortalece a cobrança”, disse.
Na prática, a articulação funcionará em três etapas. Primeiro, cada conselho levantará as prioridades de seu território e enviará relatório consolidado à Câmara. Em seguida, os vereadores responsáveis pela região repassarão as solicitações às secretarias municipais competentes, acompanhando prazos e providências. Por fim, os conselheiros receberão retorno formal sobre o andamento de cada pedido, possibilitando divulgação transparente aos moradores.
Para monitorar o fluxo, a Mesa Diretora estuda implantar um painel eletrônico interno que una as informações enviadas pelos conselhos, as indicações apresentadas pelos parlamentares e as respostas do Executivo. O dispositivo, ainda em fase de planejamento, deverá permitir filtros por bairro, secretaria responsável, tipo de serviço requerido e status de atendimento. A ideia é tornar o processo mais objetivo e reduzir o tempo entre a apresentação da demanda e a execução da solução.
A reunião na Expogrande também serviu para alinhar um calendário de encontros regionais ao longo do ano. A proposta inicial prevê que cada conselho receba pelo menos uma visita oficial de vereadores a cada trimestre, com audiências públicas temáticas conforme as prioridades locais. Além disso, foi sugerida a inclusão de representantes dos conselhos em comissões temporárias que tratem de assuntos como mobilidade urbana, saneamento e habitação.
Embora não tenham sido anunciados valores ou prazos específicos para obras, os presentes reforçaram que a aproximação tende a gerar maior efetividade na aplicação de recursos, sobretudo nas pequenas intervenções que dependem de indicações parlamentares e orçamento próprio das secretarias. Entre os exemplos citados pelos conselheiros, estão manutenção de vias, instalação de iluminação pública, recuperação de praças e reforço no atendimento das unidades básicas de saúde.
A participação da Câmara na Expogrande, tradicional feira agropecuária que movimenta a economia local, tem sido utilizada nos últimos anos como vitrine para serviços do Legislativo, projetos de lei em tramitação e programas de transparência. Nesta edição, o foco recaiu sobre o fortalecimento do vínculo com a sociedade civil organizada, representada pelos conselhos regionais, considerados peça-chave para que o poder público responda com maior agilidade às necessidades cotidianas dos bairros.
Com a formalização do canal de diálogo e a definição de um cronograma de ações conjuntas, vereadores e conselheiros esperam que a população perceba, nos próximos meses, avanços concretos na solução de problemas urbanos. A efetividade será medida pelo número de demandas atendidas e pelo tempo médio de resposta do Executivo, indicadores que devem orientar a continuidade ou o redirecionamento da parceria em Campo Grande.








