Equipes de saúde do Brasil e do Paraguai uniram esforços nesta semana para levar imunização diretamente à linha que separa Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, de Pedro Juan Caballero. A iniciativa integrou o Dia D da Semana de Vacinação nas Américas 2026 e transformou a fronteira em um corredor de atendimento, onde profissionais dos dois países atuaram lado a lado para ampliar a cobertura vacinal da população que circula diariamente entre as duas cidades.
O movimento atendeu a um objetivo central da campanha continental: reduzir bolsões de baixa cobertura em áreas de grande mobilidade. Na região de Ponta Porã, milhares de pessoas atravessam a fronteira todos os dias para trabalhar, estudar, comprar ou visitar familiares. Esse fluxo constante eleva o risco de disseminação de doenças transmissíveis, razão pela qual a vigilância epidemiológica precisa ser contínua e integrada.
No Dia D, tendas foram montadas em pontos estratégicos próximos à linha divisória. Profissionais aplicaram diferentes vacinas previstas no calendário dos dois sistemas nacionais de saúde, além de ofertarem aferição de pressão arterial, verificação de glicemia e orientações sobre prevenção de doenças. Materiais informativos em português e espanhol foram distribuídos para facilitar a compreensão de moradores e visitantes.
De acordo com o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, Maurício Simões, concentrar esforços na fronteira é fundamental para proteger não apenas quem reside na faixa limítrofe, mas também quem atravessa o território com frequência. Ele destacou que a ação binacional fortalece o monitoramento de enfermidades e contribui para o bloqueio oportuno de possíveis surtos.
Para a secretária-adjunta de Saúde do estado, Crhistinne Maymone, a cooperação entre os dois ministérios da Saúde torna a resposta sanitária mais eficaz. Segundo ela, quando protocolos são alinhados e executados de forma simultânea, o alcance da imunização cresce e a comunidade se beneficia com um escudo coletivo mais robusto.
A programação do Dia D incluiu a presença de representantes das prefeituras de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, além de autoridades estaduais e federais. Após cerimônia de abertura simbólica, as equipes iniciaram o atendimento ao público. Crianças, adolescentes, adultos e idosos tiveram a caderneta de vacinação avaliada e receberam as doses faltantes. O trabalho prosseguiu durante todo o dia, com prioridade para vacinas contra sarampo, poliomielite, influenza, febre amarela e covid-19.
A coordenadora de imunização da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ana Paula Goldfinger, reforçou que a participação da população é decisiva para o sucesso da estratégia. Ela lembrou que as vacinas disponíveis são ofertadas gratuitamente e seguem padrões internacionais de qualidade e segurança, sendo a forma mais efetiva de prevenir doenças que ainda circulam no continente americano.
O plano de vacinação em áreas de fronteira não se limita a Ponta Porã. Municípios considerados estratégicos em Mato Grosso do Sul, como Bela Vista, Corumbá, Ladário, Mundo Novo, Paranhos e Porto Murtinho, também fazem parte do roteiro da Semana de Vacinação nas Américas. Nessas localidades, equipes volantes realizam busca ativa de não vacinados, checam estoques de imunizantes e reforçam a comunicação de risco junto à população.
Autoridades brasileiras ressaltam que a cooperação transfronteiriça tem se mostrado eficaz para manter a eliminação de enfermidades como o sarampo, alcançada no Brasil em 2016, mas ainda ameaçada por baixas coberturas vacinais em alguns pontos do continente. Trabalhos conjuntos semelhantes já foram realizados em edições anteriores da campanha, com resultados considerados positivos para ambos os lados.
Do lado paraguaio, o Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social destacou que a iniciativa fortalece a integração regional prevista em acordos sanitários do Mercosul. Técnicos paraguaios informaram que pretendem replicar o modelo em outras fronteiras do país, sobretudo onde o trânsito de pessoas é intenso e a cobertura vacinal apresenta oscilações.
Ao final do Dia D, as secretarias de saúde iniciaram a consolidação dos dados para avaliar o total de doses aplicadas e verificar possíveis lacunas que deverão ser abordadas nos próximos meses. A meta é manter campanhas regulares e sincronizadas, assegurando que crianças e adultos das áreas de fronteira recebam o esquema completo de imunização recomendado pela Organização Pan-Americana da Saúde.









