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Maio Laranja amplia mobilização nos Cras de Campo Grande contra violência infantil

A campanha Maio Laranja, dedicada à prevenção do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes, ganhou novo fôlego em Campo Grande por meio de uma cooperação entre a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS) e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A parceria leva ações de conscientização a todas as 21 unidades dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) distribuídos pela capital, envolvendo servidores, famílias atendidas e a comunidade dos bairros.

Com atuação direta nos territórios, a iniciativa prevê a distribuição de materiais informativos, palestras, oficinas e rodas de conversa que inserem o tema nas atividades já ofertadas pelos Cras, como reuniões do Programa Bolsa Família e encontros do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). O objetivo central é orientar pais, responsáveis e demais participantes sobre formas de prevenção, canais de denúncia e sinais que podem indicar situações de violência.

Além da abordagem voltada ao público, as equipes técnicas das unidades recebem capacitação específica para reconhecer indícios de abuso sexual. Entre os fatores observados estão mudanças bruscas de comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar, agressividade ou medo excessivo. Segundo a superintendente de Proteção Social Básica da SAS, Gizeli Motta, o treinamento busca qualificar profissionais para agir de maneira rápida, articulando encaminhamentos aos serviços competentes quando necessário.

Os materiais de apoio, fornecidos pelo MPMS, incluem cartilhas, cartazes e vídeos explicativos. Esse conteúdo é adaptado pelos Cras à realidade de cada região, garantindo linguagem acessível e participação ativa dos usuários. No Cras Tiradentes, por exemplo, oficinas lúdicas foram planejadas para incentivar a reflexão coletiva sobre cuidados, proteção familiar e direitos da criança.

Em alguns territórios, a campanha extrapola o espaço interno das unidades. O Cras Nossa Senhora Aparecida organiza, para 21 de maio, uma caminhada pelas ruas do bairro com distribuição de folhetos e orientações sobre como acionar o Disque 100, os Conselhos Tutelares ou as Promotorias de Justiça em casos suspeitos. Outras unidades intensificam a fixação de faixas e cartazes em pontos de grande circulação, como feiras livres, escolas e unidades básicas de saúde.

A assistente social Fábia Brunetto, integrante da equipe técnica, destaca que o uso de dinâmicas participativas facilita o entendimento sobre o tema e fortalece a rede de proteção. Atividades como rodas de conversa, exibição de vídeos educativos e debates estimulam a troca de experiências entre famílias, contribuindo para a construção de vínculos capazes de inibir situações de risco.

Para garantir amplitude às ações, a SAS articula parcerias com outras pastas municipais, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias. A estratégia é formar um circuito permanente de informação que alcance escolas, clubes de mães, associações de moradores e projetos esportivos, ampliando a difusão de orientações preventivas ao longo de todo o mês de maio.

O MPMS, por sua vez, acompanha as atividades e reforça a importância das denúncias anônimas. O órgão destaca que, além do Disque 100, qualquer pessoa pode procurar diretamente o Conselho Tutelar do seu bairro ou a Promotoria da Infância e Juventude para relatar casos de suspeita ou confirmação de violência. Esses canais funcionam de forma contínua e garantem sigilo ao denunciante.

Maio Laranja é uma mobilização nacional criada para marcar o 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em Campo Grande, a campanha funciona como um ponto de convergência entre políticas públicas e a atuação comunitária, fortalecendo a detecção precoce e a interrupção de ciclos de violência.

Com ações integradas, capacitação profissional e participação popular, a prefeitura e o Ministério Público pretendem consolidar uma rede de proteção mais eficaz. A expectativa é que a disseminação de informações nos Cras estimule denúncias, reduza a subnotificação e contribua para garantir a crianças e adolescentes o direito a um desenvolvimento livre de violências.

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