A chegada da primeira frente fria de 2026 mobilizou a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) a emitir orientação preventiva aos pecuaristas de Mato Grosso do Sul. O órgão chama atenção para o risco elevado de hipotermia em bovinos mantidos a campo, principalmente quando a queda de temperatura se combina a chuva e ventos persistentes.
De acordo com nota técnica divulgada pela agência, as condições meteorológicas típicas desse período podem gerar perdas econômicas significativas caso não sejam adotadas medidas de proteção antecipadas. Animais jovens, debilitados ou com baixa condição nutricional figuram entre os mais vulneráveis, pois apresentam menor capacidade de termorregulação e maior dificuldade de manter ingestão calórica suficiente em ambientes hostis.
Contexto recente de ocorrências
O histórico apresentado pela Iagro mostra que, em 2023 e 2024, o Estado registrou óbitos bovinos atribuídos a hipotermia após episódios de frio intenso. No ano seguinte, 2025, não houve notificações oficiais, resultado que a agência associa ao reforço nas práticas de manejo recomendadas. Neste início de 2026, o objetivo é repetir o desempenho sem perdas, intensificando a comunicação com os criadores e a supervisão sanitária nas propriedades.
Principais recomendações
Para mitigar o impacto das baixas temperaturas, a Iagro destaca a importância de direcionar os animais para áreas naturalmente protegidas, como capões de mata, ou criar barreiras artificiais que reduzam a ação direta do vento. Regiões próximas a rios, açudes e outros corpos d’água devem ser evitadas nos horários mais frios, pois a umidade potencializa a perda de calor corporal.
A alimentação recebe atenção central na lista de orientações. O órgão recomenda aumentar a oferta de volumosos, forragens conservadas ou concentrados energéticos, garantindo aporte nutricional suficiente para compensar o gasto calórico adicional que o frio impõe. A suplementação deve ser planejada antes da frente fria chegar, reduzindo a chance de estresse metabólico quando a temperatura cair de forma brusca.
Os produtores também são instruídos a observar com cuidado sinais clínicos de apatia, tremores contínuos, respiração irregular ou postura curvada, indicadores precoces de hipotermia. Caso a mortalidade supere o padrão considerado normal para a fazenda, a Iagro deve ser acionada imediatamente para que uma equipe do Serviço Veterinário Oficial realize inspeção no local. Se a visita técnica não puder ocorrer em tempo hábil, o criador deve providenciar laudo de médico-veterinário particular e encaminhá-lo ao órgão.
Procedimentos pós-morte e controle sanitário
A remoção rápida de carcaças é apontada como procedimento fundamental para evitar a proliferação de agentes patogênicos associados à decomposição, entre eles os responsáveis por botulismo. A agência orienta o descarte adequado em valas ou cremação controlada, seguindo legislação ambiental e sanitária vigente. A inércia nessa etapa pode provocar contaminação de solo, água e rebanhos vizinhos, ampliando prejuízos.
Canais de comunicação disponíveis
Para agilizar dúvidas sobre práticas de manejo, vacinação ou notificação de ocorrências, a Iagro mantém atendimento via WhatsApp pelo número (67) 99961-9205. A orientação é que os produtores utilizem o canal para relatar situações emergenciais, solicitar visitas técnicas ou receber material informativo específico sobre frio extremo e saúde animal.
Importância da ação preventiva
Com as previsões meteorológicas indicando queda adicional nas temperaturas nos próximos dias, a agência reforça que a adoção de medidas antes do agravamento do clima é determinante para evitar perdas financeiras e garantir o bem-estar do rebanho. O planejamento prévio inclui revisão de piquetes, checagem da disponibilidade de alimentos, adequação de bebedouros e definição de rotas de deslocamento rápido para locais de abrigo.
Além dos aspectos sanitários, a Iagro lembra que a hipotermia compromete índices zootécnicos, afetando ganho de peso, eficiência reprodutiva e qualidade de carcaça. Portanto, mesmo em propriedades sem histórico de mortalidade por frio, a implementação de protocolos preventivos contribui para manutenção da produtividade ao longo do inverno.
Ao publicar a nota técnica, o órgão estadual reforçou que continuará monitorando as condições climáticas e poderá emitir comunicados adicionais se houver agravamento do cenário. Enquanto isso, recomenda que as ações listadas sejam incorporadas ao manejo diário, reduzindo o estresse térmico dos animais e promovendo segurança sanitária em toda a cadeia pecuária sul-matogrossense.








