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Mato Grosso do Sul amplia vigilância contra hantavirose e apura caso suspeito em Campo Grande

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) intensificou, nesta semana, as ações de vigilância, prevenção e assistência relacionadas à hantavirose. A medida ocorre enquanto a equipe técnica analisa um caso suspeito da doença em Campo Grande. O Estado não registra confirmações desde 2019, mas o reforço no monitoramento busca reduzir riscos de transmissão e agilizar respostas diante de qualquer eventualidade.

A hantavirose é uma zoonose viral aguda causada por hantavírus. A infecção costuma ocorrer pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. Em contexto nacional, o Ministério da Saúde aponta maior concentração de registros nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, especialmente em áreas rurais e em atividades relacionadas ao agronegócio.

Estrutura de resposta permanente

Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Domingues Castilho de Arruda, Mato Grosso do Sul dispõe de uma estrutura permanente de preparação para doenças com potencial impacto à saúde pública. O Estado mantém protocolos alinhados às diretrizes federais, com ações integradas de vigilância epidemiológica, monitoramento laboratorial, capacitação de equipes e educação em saúde.

A pasta informa que a hantavirose integra o plano estadual de contingência para desastres associados a chuvas intensas, figurando como um dos agravos prioritários monitorados pela vigilância estadual. Além disso, o sistema de vigilância conta com unidades sentinelas distribuídas pelo território sul-mato-grossense, recurso que amplia a capacidade de detecção precoce e possibilita respostas rápidas frente a possíveis ameaças.

Grupos mais expostos

Os principais grupos de risco incluem trabalhadores rurais, pessoas que realizam limpeza de silos, depósitos, galpões ou ambientes fechados que possam abrigar roedores. A exposição está relacionada, sobretudo, ao manuseio de grãos, palha e materiais que permanecem armazenados por longos períodos ou em condições inadequadas de vedação.

Manifestações clínicas e gravidade

Os sintomas iniciais abrangem febre, dores musculares, dor abdominal, cansaço intenso, náuseas e vômitos. A evolução pode ser rápida. Em casos graves, há comprometimento pulmonar e cardiovascular, quadro que demanda atendimento médico imediato e, muitas vezes, suporte em unidade de terapia intensiva.

Orientações preventivas

Para reduzir o risco de contato com o vírus, a SES recomenda evitar acúmulo de lixo, restos de alimentos e entulhos em áreas internas e externas. Grãos e rações devem permanecer em recipientes tampados. Frestas em residências, depósitos e galpões precisam ser vedadas para impedir a entrada de roedores.

Ambientes fechados por longos períodos devem ser abertos e ventilados por, no mínimo, 30 minutos antes da limpeza. Se houver indícios da presença de roedores, a orientação é não varrer o local. Deve-se umedecer o piso com pano embebido em solução desinfetante, reduzindo a dispersão de partículas infectantes no ar.

Em situações de risco ocupacional, o uso de equipamentos de proteção individual é recomendado. Entre os itens indicados estão máscara PFF3, luvas, óculos de proteção e avental, especialmente durante a limpeza de ambientes sujeitos à infestação de roedores ou no manejo de grãos e materiais agrícolas.

Monitoramento do caso em Campo Grande

O caso suspeito em investigação na capital está em análise laboratorial. Amostras coletadas seguem protocolo de testagem definido pelo Ministério da Saúde. Enquanto aguarda o resultado, a SES mantém acompanhamento clínico do paciente, bem como rastreamento de possíveis contatos, conforme estabelece a vigilância epidemiológica.

Mesmo sem confirmações recentes, a secretaria reforça a importância de notificações imediatas pelos serviços de saúde diante de quadros compatíveis com hantavirose. A comunicação ágil entre unidades assistenciais, laboratórios de referência e vigilância estadual é considerada essencial para a adoção de medidas de bloqueio e para o direcionamento oportuno do tratamento.

Com a intensificação das ações, o governo estadual pretende manter a curva de casos em zero e preservar a capacidade de resposta rápida. As equipes continuam em alerta, realizando capacitações, divulgando orientações preventivas e monitorando indicadores epidemiológicos, sobretudo em municípios com maior atividade agrícola ou histórico de enchentes, quando o deslocamento de roedores pode aumentar.

A SES orienta a população a buscar atendimento médico ao perceber sintomas compatíveis e a adotar as medidas de prevenção recomendadas. O órgão reitera que informações atualizadas podem ser obtidas nas secretarias municipais de saúde e nas unidades básicas de referência.