A Prefeitura de Campo Grande lançou nesta segunda-feira, 25, o programa Vira CG Saúde, iniciativa que reúne rede pública, entidades filantrópicas e recursos federais para acelerar cirurgias, exames e atendimentos especializados. A força-tarefa prevê a execução de 24.315 procedimentos e um aporte superior a R$ 60 milhões, montante voltado a reduzir a fila de espera no sistema municipal.
Coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), o plano foi apresentado no Teatro Octávio Guizzo com a presença de autoridades municipais, estaduais e federais. De acordo com os organizadores, já estão pactuados 8.460 procedimentos cirúrgicos e 16.855 exames e diagnósticos, metas estabelecidas a partir de um levantamento técnico sobre as maiores demandas reprimidas.
Cirurgias contempladas
A lista cirúrgica inclui intervenções ortopédicas, oftalmológicas, bariátricas, urológicas, pediátricas, vasculares e de coluna. Estão previstos ainda procedimentos para tratamento de endometriose profunda, oncologia ortopédica e mamoplastias reconstrutivas. Essas especialidades foram priorizadas porque concentram grande número de pacientes aguardando vaga, segundo a Sesau.
Exames e terapias ampliados
No campo diagnóstico, o Vira CG Saúde vai disponibilizar ressonância magnética, tomografia computadorizada, colonoscopia, endoscopia, radiografias, espirometria, biópsia de próstata e avaliações neuropsicológicas. O plano também abrange sessões de radioterapia, procedimentos em hemodinâmica, consultas em neuropediatria, acompanhamentos de psicoterapia e entrega de aparelhos auditivos, contemplando desde doenças crônicas até casos oncológicos.
Hospitais e instituições parceiras
Para viabilizar a ação, a prefeitura firmou parcerias com unidades filantrópicas e privadas que prestam serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entre elas estão Hospital Adventista do Pênfigo, Hospital São Julião, Hospital de Câncer Alfredo Abrão, Associação Assistencial à Maternidade Infantil (AAMI), Cotolengo Sul-Mato-Grossense, Hospital Nosso Lar e Funcraf. Cada entidade recebeu metas específicas de produção e deverá enviar relatórios mensais para acompanhamento da execução.
Os primeiros atendimentos começaram ainda antes da apresentação oficial. No Hospital São Julião já são realizados exames pré-operatórios e cirurgias oftalmológicas, enquanto a maternidade vinculada à AAMI iniciou a convocação de crianças que aguardavam procedimentos e exames de imagem. O Hospital de Câncer iniciou sessões de radioterapia, e a Funcraf passou a distribuir aparelhos auditivos e fazer avaliações especializadas.
Financiamento e apoio político
O investimento de R$ 60 milhões reúne verbas do orçamento municipal e emendas articuladas pela bancada federal de Mato Grosso do Sul. Na solenidade, parlamentares destacaram que o projeto foi apresentado com planejamento detalhado, o que possibilitou a liberação dos recursos. A estimativa da administração é concluir a maior parte das metas até o fim do ano, mantendo monitoramento contínuo para ajustar contratos e fluxos assistenciais.
Gestão e monitoramento
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, explicou que a força-tarefa foi estruturada após diagnóstico que mapeou áreas com maior tempo de espera. Segundo ele, o programa contará com acompanhamento semanal dos indicadores, permitindo realocação de cotas e revisão de processos caso metas não sejam alcançadas. A Sesau também prevê a criação de um painel público para divulgação do andamento dos procedimentos.
Integração entre esferas
Representantes do governo estadual ressaltaram a importância da integração entre município, Estado e União. O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, afirmou que o sucesso da iniciativa depende de articulação entre redes hospitalares, atenção básica e regulação de vagas, garantindo que pacientes recebam atendimento após os procedimentos e evitando novos gargalos.
Para a prefeita Adriane Lopes, o Vira CG Saúde marca uma fase de ampliação de acesso a serviços especializados. Ela destacou que a principal meta é oferecer dignidade aos usuários do SUS e reduzir o tempo de espera por cirurgias e exames que, em alguns casos, supera um ano.
Próximos passos
Além da produção já contratada, a equipe técnica avalia a inclusão de novos procedimentos conforme disponibilidade orçamentária e desempenho das unidades. A possibilidade de prorrogação dos contratos ou inclusão de outros prestadores será analisada a partir dos resultados mensais.
Com a força-tarefa em curso, a prefeitura espera diminuir significativamente a fila de espera até o fim de 2024 e estabelecer um modelo permanente de mutirões programados, evitando o acúmulo de novas demandas reprimidas na rede municipal de saúde.








