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Chuvas de maio superam média histórica em até 217% em Mato Grosso do Sul

O mês de maio apresentou precipitações muito acima do padrão climatológico em diversos pontos de Mato Grosso do Sul. Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do estado (Cemtec) indicam que mais da metade das estações avaliadas ultrapassou a média histórica, com destaque para Anaurilândia, onde o acumulado chegou a 275,8 milímetros, valor que representa 217% do esperado para o período.

Segundo o Boletim Mensal de Análise das Condições Meteorológicas referente a maio de 2026, 55% das estações registraram chuva superior ao normal. Os maiores excedentes concentraram-se nas porções leste, sudeste, centro e parte do oeste, áreas que receberam entre 120 e 240 milímetros durante o mês. O cenário contrasta com o norte, o Bolsão e parte do sudoeste, que somaram de zero a 80 milímetros, mantendo índices abaixo da média e exigindo acompanhamento das reservas hídricas.

Entre os municípios com volumes mais elevados, Nova Andradina totalizou 295,2 milímetros, índice 190% maior que a climatologia de maio. Em Dourados, o acumulado foi de 231 milímetros, superando o normal em 151%. Já Anaurilândia, além de liderar o ranking relativo, aparece entre os três maiores totais absolutos, confirmando a forte irregularidade espacial das precipitações no estado.

Em pontos monitorados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a chuva chegou a 168,8 milímetros, 91% acima da média. Esses registros exemplificam a distribuição heterogênea dos eventos ao longo do território sul-mato-grossense, influenciada por sistemas atmosféricos que favoreceram a ocorrência de nuvens carregadas em setores específicos.

O Cemtec destaca que o excesso de água nas regiões centro-sul, leste e sudeste contribuiu para a recuperação parcial de reservatórios, a recarga de aquíferos e o aumento da umidade do solo. Esses fatores beneficiam diretamente atividades agropecuárias, como manutenção de lavouras e pastagens, dependentes das condições hídricas para o desenvolvimento das culturas.

Apesar da frequência de tempestades, as temperaturas médias permaneceram próximas do padrão climático. A mínima média ficou 0,1 °C acima da referência histórica, enquanto a máxima média apresentou desvio negativo de 0,8 °C. Mesmo assim, a variação térmica foi ampla: Aquidauana registrou o valor mais alto do mês, 36,6 °C, e Iguatemi anotou a menor marca, 1,7 °C.

O monitoramento de parâmetros complementares mostra ainda que Três Lagoas teve a umidade relativa do ar mais baixa, apenas 15%. Em Amambai, a rajada de vento mais intensa alcançou 82,8 quilômetros por hora, reforçando a presença de episódios pontuais de tempo seco e ventoso em meio ao período chuvoso.

Para os próximos meses, o boletim do Cemtec sinaliza atenção redobrada. Há maior probabilidade de temperaturas acima da média entre junho e agosto, indicando um trimestre potencialmente mais quente e com possibilidade de ondas de calor frequentes. Esse cenário pode afetar setores como agricultura, abastecimento de água e saúde pública, exigindo planejamento de ações preventivas.

Outro ponto monitorado é o avanço do fenômeno El Niño. As projeções apontam 92% de chance de ocorrência durante o inverno, inicialmente com intensidade entre fraca e moderada. Há, contudo, perspectiva de fortalecimento para níveis fortes ou muito fortes na primavera. O fenômeno, em interação com outros sistemas atmosféricos, tende a influenciar o regime de chuvas e a distribuição das massas de ar, podendo modificar a dinâmica observada no segundo semestre.

Especialistas ressaltam que a combinação de solo atualmente mais úmido em parte do estado, expectativa de temperaturas mais altas e possível predominância de El Niño requer acompanhamento contínuo. A evolução dessas variáveis determinará a manutenção ou a reversão dos ganhos hídricos registrados em maio, além de orientar decisões em setores produtivos e na gestão de recursos naturais.

Enquanto isso, áreas do norte e do Bolsão permanecem em estado de atenção por não terem recebido volumes expressivos no último mês. A persistência de baixos acumulados nessas localidades pode limitar a recarga de aquíferos locais e ampliar a necessidade de medidas emergenciais caso a tendência de calor mais intenso se confirme.

O Cemtec continuará emitindo boletins periódicos para subsidiar autoridades, agricultores e a população em geral. A orientação é manter o monitoramento de reservatórios, a adoção de práticas de conservação de água e a preparação para eventuais extremos climáticos, sejam eles relacionados a chuvas intensas ou a períodos prolongados de altas temperaturas.

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