Campo Grande deverá receber mais de R$ 238 milhões em recursos da iniciativa privada após a aprovação de novos projetos pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (Codecon). As propostas, analisadas na 212ª reunião do colegiado, realizada na terça-feira (2), preveem a criação e a manutenção de aproximadamente 333 postos de trabalho diretos na capital sul-mato-grossense.
Durante o encontro, os conselheiros examinaram um conjunto de iniciativas distribuídas por setores considerados estratégicos para a economia local, entre eles tecnologia aplicada ao agronegócio, geração de energia solar, indústria alimentícia, fabricação de equipamentos rodoviários e produção de combustíveis sustentáveis. O montante aprovado reforça o volume de capital privado atraído pelo município nos últimos anos.
Segundo informações da administração municipal, a carteira de projetos demonstra a capacidade de Campo Grande de atrair novos empreendimentos, ampliar oportunidades de trabalho e fortalecer os polos empresariais já instalados. A estratégia de incentivo inclui contrapartidas fiscais e estruturais previstas no Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande (Prodes), principal instrumento utilizado na concessão de benefícios.
Entre as propostas analisadas, destacou-se a expansão da Marquespan Alimentos, uma das maiores indústrias de panificação do país. O investimento foi enquadrado no Prodes e autoriza a empresa a iniciar um novo ciclo de crescimento industrial. A expectativa é que o projeto amplie a capacidade de produção, modernize a logística e permita o atendimento simultâneo dos mercados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
De acordo com a companhia, a ampliação deverá gerar cerca de 200 empregos diretos, contribuindo de forma expressiva para o total de vagas previsto nas iniciativas aprovadas. A Marquespan atua em larga escala na produção de pães e se apresenta como a maior fabricante de pão francês do mundo, posição que deverá ser reforçada com a nova unidade de negócios.
Além de aprovar investimentos, o Codecon aplicou pela primeira vez uma alteração recente na legislação do Prodes. O dispositivo autoriza empresas já instaladas em polos produtivos a solicitar a exclusão da cláusula de reversão dos imóveis recebidos por meio de incentivos, desde que tenham cumprido todas as obrigações assumidas com o município, incluídas metas de aplicação de capital e manutenção de empregos.
O primeiro parecer favorável nessa condição foi concedido à Mendes & Doi Ltda., responsável pelas marcas Refriko e Bamboa. Estabelecida há mais de uma década no Polo Empresarial Oeste, a companhia comprovou o cumprimento integral das metas previstas no termo de compromisso, o que possibilitou a retirada da cláusula de reversão e consolidou a posse definitiva do imóvel industrial.
Para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, a medida representa um marco regulatório na política local de fomento empresarial. Na avaliação da pasta, a flexibilização reforça a segurança jurídica oferecida a investidores que decidam transferir ou ampliar operações em Campo Grande, ao mesmo tempo em que premia o desempenho de empresas que atingem as metas acordadas.
Os projetos contemplados nesta rodada de análise somam-se a outras iniciativas em andamento dentro dos polos empresariais Norte, Sul e Oeste. Esses distritos concentram indústrias de diversos segmentos, beneficiadas por infraestrutura compartilhada, incentivos fiscais e acesso facilitado a rodovias, ferrovias e ao Aeroporto Internacional de Campo Grande. O objetivo da prefeitura é distribuir as novas plantas industriais de forma equilibrada, maximizando ganhos logísticos e reduzindo impactos urbanos.
No campo das energias renováveis, os conselheiros aprovaram iniciativas voltadas à instalação de sistemas fotovoltaicos de grande porte, alinhadas às metas municipais de sustentabilidade e diversificação da matriz energética. Também foram aprovados projetos de produção de biocombustíveis, considerados estratégicos para diminuir a dependência de derivados de petróleo e fomentar a economia de baixo carbono na região.
A atração de capital privado é apontada pela administração municipal como peça fundamental para acelerar a recuperação econômica pós-pandemia. A combinação de incentivos tributários, planejamento urbano e estabilidade regulatória tem sido divulgada em feiras e rodadas de negócios para atrair novos investidores nacionais e estrangeiros. Segundo a prefeitura, esse conjunto de medidas contribuiu para a elevação do nível de confiança empresarial e para a expansão contínua do número de pedidos de enquadramento no Prodes.
Com a aprovação dos novos empreendimentos, Campo Grande reforça a expectativa de ampliar sua base industrial, diversificar a economia e promover a geração de empregos qualificados. Os próximos passos incluem a emissão de licenças, acompanhamento do cronograma de obras e verificação do cumprimento das contrapartidas previstas em lei, procedimentos que ficarão a cargo das secretarias municipais competentes e do próprio Codecon.









