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Novas diretrizes do SUS para dor crônica entram em vigor e Três Lagoas expande atendimento especializado

Pacientes que convivem com dores persistentes em todo o país passam a contar com um novo marco regulatório de assistência no Sistema Único de Saúde (SUS). A legislação federal recém-aprovada estabelece diretrizes para o atendimento integral às pessoas com dor crônica e determina a criação do Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica, a ser celebrado anualmente em 5 de julho. Paralelamente, o município de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, anuncia a abertura de um ambulatório voltado a esse público, ampliando a oferta de cuidados especializados na rede pública local.

Diretrizes nacionais para dor crônica

O texto normativo define que dor crônica é aquela cuja duração ultrapassa 30 dias, condição que atinge cerca de 60 milhões de brasileiros, segundo estimativas de especialistas. A legislação determina que as unidades de saúde forneçam informações claras sobre riscos, benefícios e possíveis efeitos adversos de cada abordagem terapêutica, além de garantir acompanhamento multidisciplinar. O objetivo é uniformizar a conduta clínica em todo o território nacional e assegurar que o paciente receba atenção integral, desde o diagnóstico até o controle dos sintomas.

Outra medida prevista é o fortalecimento de ações educativas para profissionais de saúde, a fim de aprimorar a identificação precoce da dor crônica e reduzir o subdiagnóstico, problema comum em doenças como fibromialgia, lombalgia persistente e neuropatias. A data de 5 de julho foi escolhida para mobilizar instituições públicas e privadas em campanhas de esclarecimento voltadas à população, estimulando o debate sobre prevenção, tratamento e enfrentamento de preconceitos associados à condição.

Ampliação do serviço em Três Lagoas

A Secretaria Municipal de Saúde de Três Lagoas, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), irá implantar um Ambulatório de Dor Crônica específico para pacientes com menos de 50 anos. O serviço será oferecido no campus da UFMS, localizado em frente ao quartel da cidade, sempre às sextas-feiras. A coordenação ficará sob responsabilidade do médico ortopedista Robson Moraes.

No novo ambulatório, os usuários terão acesso a avaliação clínica especializada, acompanhamento multiprofissional e estratégias terapêuticas individualizadas. Entre os quadros contemplados estão dores musculoesqueléticas de longa duração, como lombalgias, tendinites, dores articulares e neuropáticas. A iniciativa surge após o bom desempenho do Ambulatório da Clínica do Idoso, que já atua no município com ênfase em pacientes acima de 60 anos e se tornou referência regional.

De acordo com a pasta municipal, a expansão do atendimento responde à demanda de pessoas mais jovens que apresentam dor persistente, mas enfrentam barreiras para obter diagnóstico e tratamento adequados. A expectativa é reduzir o tempo de espera por consultas especializadas e melhorar a qualidade de vida dos usuários que, muitas vezes, ficam afastados do trabalho ou veem suas atividades diárias limitadas.

Impacto na rotina dos pacientes

A fibromialgia permanece como uma das doenças mais associadas à dor crônica no Brasil. O quadro se caracteriza por dor generalizada por mais de três meses, afetando músculos, tendões e articulações, podendo vir acompanhada de fadiga, distúrbios do sono e alterações de humor. Para muitos pacientes, o percurso até o diagnóstico envolve anos de consultas, exames e mudanças de tratamento, o que acarreta desgaste físico, emocional e financeiro.

Moradora de Três Lagoas, a aposentada Maria José Alves recebeu o diagnóstico de fibromialgia há três anos, após mais de três décadas de sintomas sem causa definida. Ela relata que as dores se distribuem por todo o corpo, prejudicando tarefas simples, como estender roupas ou varrer o quintal. Já a dona de casa Lilian Matos, hoje com 56 anos, convive com a condição desde os 29. Mesmo com medicação regular, gasta mais de R$ 300 por mês em remédios e ainda enfrenta limitações para atividades domésticas.

Casos como esses ilustram a complexidade da dor crônica e a importância de abordagens terapêuticas que vão além do tratamento farmacológico. Técnicas de fisioterapia, acompanhamento psicológico, orientação sobre atividade física e mudanças de estilo de vida integram o protocolo recomendado pelas novas diretrizes federais e serão incorporadas à rotina do novo ambulatório de Três Lagoas.

Desafios e perspectivas

Autoridades de saúde avaliam que a implementação das normas nacionais requer capacitação contínua de equipes, ampliação da infraestrutura e integração entre os diferentes níveis de atenção. Em Três Lagoas, a parceria com a universidade busca otimizar recursos, compartilhando conhecimento acadêmico e experiência clínica.

Além de melhorar o acolhimento, a iniciativa municipal pretende combater o estigma frequentemente associado a pacientes com dor crônica, muitas vezes vistos como hipocondríacos ou preguiçosos. Profissionais envolvidos no projeto destacam que reconhecer a dor como doença, e não apenas sintoma, é fundamental para orientar políticas públicas, garantir acesso a terapias adequadas e promover inclusão social.

Com a combinação das novas diretrizes do SUS e a ampliação local do atendimento, a expectativa é que cidadãos de Três Lagoas e de outras regiões do país encontrem respostas mais rápidas e eficazes para o controle da dor, minimizando impactos físicos, emocionais e econômicos. A experiência do município poderá servir de modelo para outras cidades interessadas em estruturar serviços semelhantes dentro da rede pública de saúde.

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