Um homem de 44 anos e uma mulher de 35 foram assassinados a tiros nas primeiras horas da madrugada desta quarta-feira, 10, em uma área de invasão situada ao lado do bairro São João, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O crime, classificado como duplo homicídio, mobilizou equipes da Polícia Militar, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), da Polícia Científica e da Polícia Civil.
As vítimas foram identificadas como Ruber Flávio Vieira de Souza, 44, e Karen Brandd de Freitas Queiroz, 35. Segundo informações preliminares levantadas pela polícia, o casal estava dentro de um Ford Fiesta preto quando foi surpreendido por um ou mais atiradores que dispararam diversas vezes contra o veículo. A sequência de tiros ocorreu pouco depois da meia-noite, horário em que moradores relataram ter ouvido barulhos semelhantes a disparos de arma de fogo.
Assim que os primeiros chamados chegaram ao telefone de emergência, uma equipe da Força Tática do 2º Batalhão de Polícia Militar foi deslocada para o endereço indicado. Ao chegar, os policiais encontraram Ruber caído ao lado do automóvel, já sem sinais de reação, enquanto Karen permanecia no banco do passageiro, também inconsciente. Ambos apresentavam múltiplos ferimentos provocados por projéteis, principalmente na região da cabeça, o que, de acordo com a avaliação inicial, sugere intenção clara de execução por parte do autor ou dos autores.
O SAMU foi acionado em seguida. A equipe médica realizou procedimentos de avaliação, mas apenas pôde constatar os óbitos no local. Em razão da dinâmica do crime e da posição dos corpos, nenhuma das vítimas chegou a ser encaminhada a unidades de saúde.
Peritos da Polícia Científica iniciaram o trabalho de coleta de vestígios logo após a área ser isolada pelos militares. Foram examinadas a cena, o interior do veículo e o entorno imediato em busca de cartuchos, impressões digitais e outros elementos que possam auxiliar na reconstrução dos fatos. Os corpos foram removidos para o Instituto de Medicina Legal de Três Lagoas, onde serão submetidos a exames necroscópicos que devem indicar a trajetória exata dos projéteis e o calibre das armas empregadas.
Paralelamente, investigadores da Polícia Civil deram início ao inquérito que apura autoria e motivação. Conforme depoimento de familiares colhido ainda na madrugada, Karen Brandd de Freitas Queiroz teria recebido ameaças recentemente. O teor dessas ameaças, assim como a possível conexão com o duplo homicídio, será detalhadamente verificado. A linha de investigação também inclui a verificação de eventuais câmeras de monitoramento em vias próximas e a busca por testemunhas que possam ter presenciado a chegada ou a fuga dos responsáveis pelos disparos.
A área onde o crime ocorreu é considerada de ocupação irregular e apresenta vias estreitas e iluminação precária, fatores que, segundo a polícia, dificultam a ação de patrulhamento e a coleta imediata de evidências. Moradores relataram que o silêncio da madrugada foi interrompido por uma sequência rápida de estampidos, seguida por gritos. Logo depois, muitos se abrigaram dentro de casa, o que reduziu o número de observadores diretos do fato. Ainda assim, a Polícia Civil mantém a expectativa de que depoimentos possam esclarecer o trajeto percorrido pelos atiradores antes e depois do ataque.
Até a manhã desta quarta-feira, nenhum suspeito havia sido detido. O caso está sob responsabilidade da Seção de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Regional de Três Lagoas, que trabalha em conjunto com a Polícia Científica e com a Força Tática para reunir provas materiais e testemunhais. Informações que auxiliem na identificação dos envolvidos podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 190 ou 197.
O inquérito segue em andamento, e novas diligências devem ser realizadas nos próximos dias para determinar as circunstâncias exatas do crime, a motivação e a eventual relação com ameaças registradas anteriormente.








