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Lideranças indígenas se dividem sobre ocupação de fazendas em Sidrolândia e formalizam posições opostas

A ocupação das fazendas São Sebastião e Água Clara, no município de Sidrolândia (MS), continua gerando repercussão e expôs divergências entre grupos indígenas da Terra Indígena Buriti. Na segunda-feira, 15, caciques e representantes de sete aldeias reuniram-se no Espaço Jatobá, em Sidrolândia, ao lado dos deputados federais Vander Loubet (PT) e Zeca do PT (PT), para discutir os desdobramentos da ação realizada no fim de semana. O encontro resultou em uma ata que nega participação dessas lideranças na mobilização e solicita investigação dos fatos.

No documento, os signatários reafirmam a defesa da demarcação da TI Buriti, mas destacam que não foram avisados nem consultados antes da entrada nas propriedades rurais. Os participantes também registraram preocupação com relatos de danos a maquinário, incêndios e furtos noticiados pelos proprietários. A ata aprovada foi encaminhada aos ministros Eloy Terena (Povos Indígenas), Miriam Belchior (Casa Civil), José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), acompanhada de pedido de apuração e responsabilização dos envolvidos na ocupação.

Segundo Vander Loubet, o objetivo da reunião foi construir um posicionamento consensual que preserve a legitimidade da reivindicação territorial sem associá-la a atos considerados isolados. Os parlamentares também defenderam que a resolução de conflitos fundiários se dê por meio do diálogo institucional.

Em sentido oposto, integrantes do grupo que permanece nas fazendas contestaram a versão apresentada no encontro de Sidrolândia. Em vídeos divulgados nas redes sociais, porta-vozes da TI Buriti afirmaram que a mobilização foi articulada internamente pela comunidade Terena e não objetiva a expansão de território, mas sim a continuidade da luta por áreas consideradas tradicionais. Eles ainda negaram que o cacique Rodrigues Alcântara, secretário de Assuntos Indígenas de Dois Irmãos do Buriti, seja responsável pela organização da ação.

Nessas gravações, um jovem indígena afirmou que a ocupação representa a defesa de um direito histórico e que as tratativas foram conduzidas pelos próprios moradores da TI Buriti. Ele reforçou que a reivindicação sobre as glebas permanece há décadas e que o movimento vai além de lideranças políticas locais.

A intervenção provocou a mobilização de forças de segurança estaduais. A Polícia Militar deslocou efetivos do Comando de Policiamento Metropolitano, Batalhão de Choque, Batalhão Rodoviário e Batalhão Rural para a região. Conforme a corporação, na Fazenda São Sebastião foram constatados danos a máquinas agrícolas, furtos de insumos, foco de incêndio e derrubada de árvores utilizadas como barricadas. A operação, segundo a PM, buscou restabelecer a ordem e garantir a segurança de trabalhadores e produtores.

As ocorrências levaram entidades do agronegócio a se manifestar. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) divulgou nota apontando invasão, depredação e prejuízos produtivos, enquanto a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) classificou os episódios como atos de violência no campo e defendeu que disputas fundiárias sejam resolvidas pelos meios legais.

Paralelamente, cabe à Polícia Civil apurar os danos relatados e identificar possíveis responsabilidades penais. Investigadores deverão quantificar prejuízos, colher depoimentos e analisar evidências de furtos ou destruição de patrimônio nas propriedades afetadas.

O impasse ocorre em área marcada por histórica sobreposição de reivindicações. A demarcação da Terra Indígena Buriti, reivindicada pelo povo Terena, figura em processos administrativos e judiciais há várias décadas. Produtores rurais contestam a extensão pretendida, argumentando que as terras foram adquiridas legalmente. Esse contexto tem produzido sucessivos episódios de tensão entre comunidades indígenas e proprietários, envolvendo disputas judiciais, protestos e, em algumas ocasiões, confrontos diretos.

Embora os grupos que assinaram a ata tenham declarado não participar da ocupação, todos concordam na necessidade de concluir o processo demarcatório. Além disso, solicitaram ao governo federal a criação de mecanismos institucionais que assegurem a mediação de conflitos na região, reduzindo o risco de novos confrontos.

Por ora, a ocupação segue sem previsão de desfecho. As forças de segurança permanecem na área para evitar escalada de violência, enquanto representantes indígenas, parlamentares e órgãos federais discutem alternativas para resolver o litígio fundiário. A situação mantém produtores, autoridades e comunidades indígenas em alerta, à espera dos resultados das investigações policiais e das eventuais negociações políticas sobre a Terra Indígena Buriti.

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