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Prefeitura adia definição sobre reajuste de 5,4% e professores de Campo Grande mantêm pressão

A negociação salarial entre a Prefeitura de Campo Grande e os professores da Rede Municipal de Ensino (REME) avançou sem acordo nesta segunda-feira (15). Em reunião com representantes da Associação Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), secretários municipais e membros da Comissão de Educação da Câmara Municipal, o Executivo pediu mais dez dias para apresentar uma proposta de recomposição salarial. A categoria reivindica a aplicação integral de 5,4 % de reajuste, percentual previsto na política do Piso 20 horas.

O encontro ocorreu no Paço Municipal e durou toda a manhã. Ao final, a equipe da Secretaria Municipal de Finanças informou um déficit projetado de R$ 138 milhões nas contas da Educação para 2026. Diante do quadro apontado, os secretários solicitaram prazo até a próxima quarta-feira (24) para detalhar a composição da folha de pagamento, indicar onde estão lotados os servidores do magistério e do quadro administrativo e, a partir desses dados, construir uma proposta oficial de reajuste.

Logo após a conversa com o Executivo, a ACP reuniu a categoria em Assembleia Geral Extraordinária no centro da cidade. Os professores aprovaram — por ampla maioria, segundo o sindicato — a manutenção das negociações e decidiram aguardar a apresentação dos números completos antes de deliberar sobre eventuais mobilizações. Durante a assembleia, o presidente da entidade, Gilvano Bronzoni, afirmou que a valorização prevista em lei é resultado de “conquista histórica” e não será flexibilizada. “Não temos expectativa, temos certeza de que o direito será cumprido”, declarou aos filiados.

Bronzoni explicou que o sindicato poderia ter pressionado por um retorno mais rápido, mas optou por aceitar o intervalo solicitado pelo Executivo para evitar nova rodada de discussões sem dados consolidados. Segundo ele, a ACP solicitou um “raio-x detalhado” da folha da Educação para conferir o impacto efetivo da remuneração de professores e servidores administrativos, além da destinação dos repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e da parcela mínima de 25 % da receita municipal prevista na Constituição.

Com o adiamento, o impasse permanece. A ACP sustenta que a legislação municipal assegura a correção de 5,4 %, alinhada à política de reajuste do Piso 20 horas, e argumenta que a existência de recursos carimbados para a área evidencia a possibilidade de pagamento. Já o Executivo, embora não descarte a reposição, condiciona a definição ao estudo pormenorizado das contas públicas e ao comportamento da arrecadação.

Uma nova Assembleia Geral Extraordinária ficou agendada para 25 de junho, às 18 horas, em local a ser confirmado pelo sindicato. Nessa data, os professores analisarão a proposta que vier a ser formalizada pela administração municipal e decidirão os próximos passos da campanha salarial. Entre as alternativas em debate, permanece o indicativo de paralisação por tempo determinado ou mesmo de greve, caso a oferta não contemple integralmente o índice reivindicado.

No calendário escolar, o primeiro semestre letivo segue em andamento normalmente. No entanto, dirigentes da ACP ressaltam que eventual movimento grevista poderia ser deflagrado já no início de julho, caso a negociação não avance. Para a entidade, a antecedência do alerta busca dar transparência à comunidade escolar e pressionar o Executivo a cumprir o que consideram direito adquirido.

Além da questão salarial, professores e prefeitura discutem temas correlatos, como a recomposição de pessoal nas escolas, a situação de servidores readaptados e o pagamento de progressões na carreira. Contudo, o reajuste do piso permanece no centro das conversas, pois impacta diretamente a tabela de vencimentos de toda a categoria.

Procurada, a administração municipal informou que os técnicos das secretarias de Finanças e de Educação estão finalizando levantamentos sobre despesas obrigatórias, folha de ativos e inativos e limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. A gestão reiterou o compromisso de apresentar uma alternativa viável dentro do prazo acordado, mas não adiantou valores nem formatos de parcelamento.

Até a divulgação da proposta, o ambiente entre as partes segue de expectativa cautelosa. Os professores aguardam dados concretos para avaliar a viabilidade do pagamento integral dos 5,4 %. A Prefeitura, por sua vez, busca demonstrar capacidade financeira para cumprir eventuais acordos sem comprometer outras áreas do orçamento. A deliberação do dia 24 será decisiva para indicar se o diálogo avançará ou se o impasse resultará em medidas de pressão mais intensas por parte da categoria.

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