A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) tem registrado sucessivos episódios de furto, vandalismo e danos causados por acidentes à sinalização viária em diferentes bairros de Campo Grande. A ofensiva contra placas de parada obrigatória, regulamentação, advertência e orientação interfere diretamente na segurança de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres, sobretudo em cruzamentos e pontos onde já existe maior probabilidade de sinistros.
Levantamento da autarquia aponta que, somente em 2026, foram necessárias 68 intervenções de manutenção para repor ou consertar placas danificadas por colisões e por atos de vandalismo. A destruição ou a retirada desses dispositivos significa a perda de informações essenciais, como limites de velocidade, prioridade de passagem e alertas de perigo, elementos indispensáveis para a fluidez e a organização do tráfego.
Entre os materiais mais visados estão também os equipamentos provisórios empregados em obras e intervenções de curto prazo. Cones, cavaletes, fitas zebradas e placas temporárias costumam desaparecer durante a madrugada, deixando desprotegidos trechos em obras ou em manutenção. A remoção desses itens expõe trabalhadores e usuários da via a situações de risco, além de atrasar a conclusão dos serviços.
De acordo com o diretor-presidente da Agetran, Ciro Vieira Ferreira, as ocorrências vêm sendo registradas de forma pulverizada. “Entre 2025 e 2026, identificamos furtos e depredações em vários pontos da cidade, sem concentração em um bairro específico”, relata. Segundo ele, os cenários mais afetados incluem cruzamentos de vias perpendiculares, lombadas e segmentos com travessia de animais, locais onde a sinalização exerce papel decisivo na prevenção de acidentes.
A agência também contabiliza situações em que as placas foram derrubadas intencionalmente, aparentemente sem tentativa de furto do material. Em alguns casos, a base metálica é entortada ou arrancada, exigindo a substituição completa do conjunto. Essas ações geram prejuízo direto ao patrimônio público e podem resultar em infrações de responsabilidade civil e criminal quando os responsáveis são identificados.
Além dos atos planejados, a colisão de veículos contra postes e placas contribui para a degradação da sinalização. Automóveis que perdem o controle em curvas ou motocicletas que deslizam em piso molhado quebram e amassam continuamente os dispositivos, obrigando as equipes de manutenção a trabalhar em regime de reposição constante.
O processo de restauração envolve vistorias periódicas executadas por servidores municipais, que percorrem a malha urbana para avaliar o estado dos equipamentos. Quando confirmada a necessidade de substituição, a autarquia confecciona novas placas, remove a estrutura danificada e instala novamente os suportes. Além do custo do material, o serviço exige mão de obra especializada e interdições momentâneas na via, o que acarreta impacto financeiro adicional aos cofres da cidade.
Para a Agetran, cada sinal faltante representa não apenas despesa, mas também uma lacuna na comunicação com o condutor. Sem a indicação correta, aumentam as chances de avanço indevido em cruzamentos, excesso de velocidade próximo a escolas ou atropelamentos em regiões de travessia de animais. A soma desses fatores pode refletir no crescimento das estatísticas de acidentes e em perdas humanas.
A população dispõe de diversos canais para denunciar irregularidades. Situações de furto ou depredação podem ser comunicadas pelo telefone 156, pelo formulário eletrônico disponível no site da Agetran, pela Ouvidoria Geral ou diretamente nos postos de atendimento da autarquia. As informações coletadas são repassadas aos órgãos policiais e demais instâncias competentes para abertura de inquérito e adoção das providências legais.
Furtar ou destruir sinalização viária é crime contra o patrimônio público. Caso o autor seja identificado, pode responder criminalmente e também ser obrigado a ressarcir os danos. Em ocorrências envolvendo colisões, o motorista responsável pela avaria é acionado para custear a reposição, conforme prevê a legislação de trânsito e as normas municipais.
Ao reforçar o apelo à colaboração coletiva, a Agetran destaca que a integridade da sinalização é requisito básico para a circulação segura em todas as regiões de Campo Grande. Preservar placas, cones e demais dispositivos contribui para reduzir conflitos no tráfego e proteger a vida de quem transita diariamente pelas ruas da capital sul-mato-grossense.









