A 24ª edição do Arraial de Santo Antônio, realizada entre 11 e 14 de junho em Campo Grande, gerou aproximadamente R$ 1,16 milhão em gastos com alimentação, de acordo com levantamento do Observatório de Turismo da capital sul-mato-grossense. O resultado confirma o festejo como um dos principais motores de movimentação econômica ligada à cultura e ao lazer no município.
Os dados foram compilados a partir de 426 entrevistas presenciais conduzidas nos quatro dias de programação. A pesquisa buscou identificar perfil do público, comportamento de consumo e níveis de satisfação. Os números indicam que, embora a grande maioria dos frequentadores seja residente na própria cidade, o evento também contribui para ampliar a permanência de visitantes de outras localidades, fator estratégico para o setor turístico local.
Composição do público
Entre os respondentes, 97% eram moradores de Campo Grande, enquanto 3% vieram de outras cidades ou estados. Mesmo representando uma fração pequena da amostra, os turistas apresentaram um dado considerado relevante: 36% permaneceram cinco dias ou mais na capital, elevando a média de estadia para cerca de cinco dias. Em anos anteriores, o tempo médio registrado girava em torno de três dias, o que evidencia um prolongamento da visita motivado, em boa parte, pela programação festiva.
O estudo também apontou predominância do público feminino e maior participação de jovens e adultos, públicos que, segundo o Observatório, respondem com maior engajamento a eventos culturais de grande porte. A pesquisa mostrou ainda que 43,6% dos entrevistados compareceram a todas as noites do Arraial, demonstrando forte interesse pela agenda proposta.
Impacto financeiro
Para mensurar o impacto direto da festa na economia local, os pesquisadores calcularam o gasto médio diário com alimentação. O valor apurado ficou em R$ 77,40 por pessoa. Ao ser multiplicado pelo fluxo de frequentadores estimado — base de cálculo que considera o número de visitantes e a frequência nos diferentes dias —, o montante final alcançou aproximadamente R$ 1,16 milhão em quatro dias, montante direcionado sobretudo a barracas de comidas típicas, vendedores ambulantes e estabelecimentos no entorno da Praça do Rádio Clube, local tradicional de realização do evento.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, informações desse tipo embasam decisões sobre investimentos em infraestrutura e ações de promoção turística. Para ele, a coleta sistemática de dados cria condições para políticas públicas focadas em desenvolvimento econômico e incremento da competitividade de Campo Grande como destino.
Níveis de satisfação
O levantamento do Observatório registrou alto índice de aprovação da experiência oferecida. Mais de 80% dos participantes classificaram o evento como “ótimo” ou “excelente”. Entre os aspectos avaliados positivamente estão organização, segurança, qualidade das atrações artísticas e variedade gastronômica.
Esse patamar de satisfação é visto pela equipe de pesquisa como decisivo para fidelizar público local e ampliar a divulgação boca a boca junto a potenciais visitantes. A administração municipal considera que, ao manter a qualidade percebida, o Arraial de Santo Antônio reforça o calendário cultural, impulsiona micro e pequenos empreendimentos e consolida a marca da cidade em agendas regionais de turismo de eventos.
Monitoramento constante
O Observatório de Turismo avalia periodicamente o impacto de grandes eventos na capital. A prática possibilita mapear tendências de comportamento, identificar gargalos logísticos e medir retorno econômico. No caso do Arraial, o monitoramento frequente permite comparar edições sucessivas, capturar variações no perfil de público e ajustar estratégias de divulgação e infraestrutura.
A equipe técnica destaca que dados confiáveis atraem patrocinadores e facilitam a captação de recursos, pois oferecem métricas objetivas sobre alcance e circulação financeira. Ao mesmo tempo, a comprovação de resultados econômicos torna o evento mais atrativo para expositores e artistas, gerando um ciclo de fortalecimento da festa.
Com base nos indicadores levantados, a prefeitura sinaliza intenção de manter o modelo de pesquisa em futuros eventos, ampliando variáveis analisadas para hospedagem, transporte e consumo de serviços culturais. O objetivo é construir séries históricas capazes de orientar políticas integradas e promover a sustentabilidade econômica das iniciativas culturais de Campo Grande.
Dessa forma, o Arraial de Santo Antônio reafirma sua relevância não apenas como celebração tradicional, mas também como componente significativo na movimentação financeira e na estratégia de desenvolvimento turístico da capital sul-mato-grossense.








