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Sistemas agroflorestais levam educação ambiental e segurança alimentar a comunidades do Alto Pantanal

Corumbá (MS) – Duas escolas rurais e comunidades ribeirinhas do Alto Pantanal passaram a integrar produção de alimentos, conservação ambiental e conteúdo pedagógico com a implantação de sistemas agroflorestais coordenados pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP). A iniciativa, que conta com apoio do Instituto PHI e do programa socioambiental ADM Cares, resultou no plantio de 2.090 mudas entre janeiro e maio deste ano.

Produção integrada ao ensino

As áreas contempladas pertencem às comunidades Paraguai Mirim e São Lourenço/Aterro do Binega, às margens do rio Paraguai. Nas escolas rurais locais, hortaliças, frutas e espécies nativas foram organizadas em canteiros que funcionam simultaneamente como fonte de alimentação e instrumento didático para aulas de ciências, geografia e educação ambiental.

No caso da Escola Municipal Paraguai Mirim, o sistema agroflorestal reforçou uma ação já existente conduzida pelos moradores. O novo arranjo agrícola abriga bananeiras, milho, girassol e diversos legumes, todos dispostos em linhas que mimetizam a sucessão natural da vegetação pantaneira. Segundo os responsáveis técnicos, essa configuração favorece o desenvolvimento das plantas, enriquece o solo e amplia o tempo de produção ao longo do ano letivo.

Participação comunitária e metas alcançadas

A execução mobilizou 56 pessoas, entre estudantes, professores, brigadistas e moradores, alcançando mais de 93% da meta de envolvimento estipulada pelo projeto. Além das atividades práticas de plantio, as equipes participaram de oficinas sobre preparo de substrato, compostagem, irrigação e coleta de sementes. Foram identificadas, catalogadas e cultivadas 11 espécies alimentícias e frutíferas, ampliando o repertório nutricional disponível para merenda escolar e para consumo das famílias.

A logística exigiu atenção especial. Mudas, ferramentas e sistemas de irrigação saíram do centro urbano de Corumbá e percorreram até 200 quilômetros rio acima em embarcações de pequeno porte até alcançar as escolas. Após o transporte fluvial, a Brigada Alto Pantanal, vinculada ao IHP, assumiu a abertura de clareiras controladas, instalação de cercas e nivelamento de canteiros, garantindo proteção contra animais de médio porte e maior eficiência no uso da água.

Benefícios educacionais e ambientais

Durante as aulas, professores relacionam o manejo das culturas com temas como ciclo da água, polinização e preservação do bioma Pantanal. O contato direto com o plantio permite aos estudantes compreender, na prática, conceitos de sustentabilidade, além de observar o crescimento das espécies em diferentes estágios da sucessão ecológica.

Do ponto de vista alimentar, parte da produção abastecerá a merenda escolar, reduzindo custos com compras externas e diversificando o cardápio. O excedente poderá ser destinado às famílias, fortalecendo a segurança alimentar em áreas onde o acesso a hortaliças frescas costuma ser limitado pela distância de centros comerciais.

Expansão para áreas de restauração

Além das unidades escolares, o projeto avança na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal, localizada na Serra do Amolar. A região sofreu incêndios florestais intensos em 2020 e voltou a registrar focos em 2024. Para recuperar a cobertura vegetal, foram replantadas 35 mudas de espécies nativas, executado manejo de plantas exóticas invasoras e reorganizado o viveiro existente na reserva.

No viveiro, técnicos testam a germinação de 17 espécies pantaneiras com potencial para ações futuras de restauração. Os resultados preliminares devem orientar o escalonamento do plantio em zonas degradadas dentro da própria RPPN e em áreas vizinhas que fazem parte do corredor ecológico da Serra do Amolar.

Integração de atores locais

Segundo o Instituto Homem Pantaneiro, a estratégia de envolver brigadistas, educadores e famílias busca criar senso de corresponsabilidade sobre o território. Ao integrar segurança alimentar e aprendizagem, a entidade espera reduzir a dependência de suprimentos vindos de centros urbanos, estimular a permanência de jovens na comunidade e reforçar a proteção de ecossistemas frágeis.

O cronograma prevê acompanhamento técnico periódico nos próximos 12 meses para monitorar crescimento das mudas, eficiência dos sistemas de irrigação e desempenho pedagógico. Caso os indicadores de produtividade e participação se mantenham positivos, os parceiros planejam replicar o modelo em outras comunidades ribeirinhas do Alto Pantanal.

A meta de longo prazo inclui formar multiplicadores locais capazes de conduzir novos plantios de forma autônoma, assegurar manutenção contínua dos canteiros e contribuir para a restauração de áreas afetadas por fogo ou uso inadequado do solo em toda a Bacia do Alto Paraguai.

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