Mato Grosso do Sul firmou um acordo que levará discussões sobre violência contra a mulher ao ambiente escolar da rede estadual. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e o Governo do Estado assinaram, na segunda-feira (22), um termo de cooperação que oficializa a implantação do projeto “Papo de Respeito” em nove unidades de ensino do primeiro ano do ensino médio. A iniciativa, articulada pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar e pela Secretaria de Comunicação do TJMS, conta ainda com a participação das secretarias estaduais de Educação e de Cidadania.
O objetivo principal é sensibilizar adolescentes sobre as múltiplas formas de violência de gênero e estimular comportamentos baseados em respeito e igualdade. Para alcançar esse resultado, o projeto introduzirá, no cotidiano escolar, atividades pedagógicas centradas na produção de campanhas de conscientização elaboradas pelos próprios estudantes. A metodologia busca dialogar com a realidade dos jovens por meio de linguagens digitais e formatos de comunicação que fazem parte do universo adolescente.
Na fase inicial, cada escola participante organizará suas turmas em grupos. Esses grupos deverão desenvolver peças informativas em variados suportes: vídeos curtos para redes sociais, carrosséis digitais, artes para outdoors, busdoors e outras mídias que possam circular dentro e fora do ambiente escolar. A proposta também inclui a criação de ações presenciais de engajamento, como intervenções visuais nos corredores e rodas de conversa conduzidas pelos próprios alunos.
Antes de iniciar as tarefas com as turmas, professores e coordenadores pedagógicos passaram por capacitações específicas. Durante esse treinamento, foram apresentados os conceitos centrais sobre violência doméstica, os tipos de agressão previstos na legislação brasileira e as estratégias didáticas que deverão ser adotadas em sala de aula. Esse preparo visa assegurar que os educadores conduzam os debates de forma segura, técnica e alinhada às diretrizes da política pública.
Concluída a etapa de produção, cada escola realizará uma seleção interna para escolher os trabalhos que melhor atenderem aos critérios do projeto. As peças classificadas concorrerão em diferentes categorias — como vídeo, material gráfico e ação de mobilização — e as vencedoras serão premiadas pelo TJMS. Além do reconhecimento, as campanhas ganhadoras integrarão futuras ações de sensibilização promovidas pelo próprio tribunal, ampliando o alcance das mensagens elaboradas pelos estudantes.
A adolescência foi identificada pelos organizadores como um período decisivo para a formação de valores. Estudos e dados colhidos em ações anteriores da Coordenadoria da Mulher apontam que posturas discriminatórias ou violentas podem ser naturalizadas ainda durante a juventude, o que reforça a necessidade de intervenções pedagógicas nesta fase. O projeto se apoia nessa evidência para incentivar comportamentos que rejeitem a violência e promovam a igualdade de gênero.
Ao unir Poder Judiciário, secretarias estaduais e comunidade escolar, a proposta busca potencializar resultados por meio da atuação conjunta de diferentes instituições públicas. Os dirigentes envolvidos destacam que essa integração confere legitimidade ao programa, amplia a capilaridade das ações e favorece a consolidação de uma cultura de respeito que ultrapasse os limites físicos das escolas.
Outro aspecto enfatizado pelos responsáveis é a expectativa de que o “Papo de Respeito” se torne referência em âmbito nacional. Uma vez estruturado e avaliado em Mato Grosso do Sul, o modelo poderá ser oferecido a outras unidades da federação interessadas em adotar estratégias semelhantes de prevenção à violência contra a mulher no sistema educacional.
Para a Secretaria de Educação, o principal legado do acordo é a inclusão permanente do tema no currículo. Ao integrar os conteúdos às disciplinas e projetos interdisciplinares já existentes, a pasta pretende consolidar o debate como parte do processo de aprendizagem, evitando que a iniciativa se limite a ações pontuais. A meta é promover discussões recorrentes, avaliar resultados e ajustar metodologias conforme a realidade de cada comunidade escolar.
A Secretaria de Cidadania reforça que a violência de gênero atravessa diferentes estratos sociais, o que exige mobilização contínua e estratégias coordenadas. Nesse sentido, o projeto valoriza o protagonismo juvenil ao transformar os estudantes em multiplicadores das mensagens de prevenção, estimulando-os a compartilhar informações em seus círculos familiares, comunitários e virtuais.
Ao final do ciclo anual, os organizadores pretendem analisar indicadores qualitativos — como engajamento estudantil, alcance das peças produzidas e percepção da comunidade — para verificar a efetividade da proposta. Os resultados balizarão melhorias e a possível expansão para outras séries e escolas da rede estadual nos próximos anos.
Com a assinatura do termo de cooperação, o “Papo de Respeito” dá seu primeiro passo rumo a uma rede de proteção mais ampla, integrando poder público, escola e sociedade civil no enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul.








