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Frente polar mantém frio intenso e chance de geada em Mato Grosso do Sul

A incursão de uma massa de ar polar sobre Mato Grosso do Sul segue influenciando as condições atmosféricas no Estado e deve manter as temperaturas em declínio até a madrugada de sexta-feira (26). Segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec/MS), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, os termômetros podem registrar valores próximos de 0 °C na quinta-feira (25), com possibilidade de formação de geada em diversos municípios, principalmente nas faixas Sul e Sudoeste.

Na madrugada desta quarta-feira (24), a estação automática de Amambai alcançou a mínima de 0,9 °C. O frio favoreceu o aparecimento de geada em localidades como Iguatemi, repetindo o cenário observado em outras áreas com céu aberto e baixa nebulosidade. Nessas condições, a perda de calor noturno se intensifica, o que eleva a probabilidade de cristalização do orvalho sobre pastagens, lavouras e superfícies expostas.

Os meteorologistas indicam que a massa de ar polar permanece atuante em quase todo o território sul-mato-grossense nas próximas 48 horas. A influência desse sistema é potencializada pela atuação de um centro de alta pressão que, ao promover subsidência do ar – movimento descendente da atmosfera –, inibe a formação de nuvens e contribui para noites mais frias. Durante o dia, o sol aparece, mas as temperaturas máximas seguem contidas, variando entre 17 °C e 22 °C em grande parte do Estado.

A expectativa, entretanto, é de mudança gradual a partir de sexta-feira. Com o deslocamento do núcleo de ar frio para leste, a circulação de ventos passa a favorecer a entrada de ar mais quente e úmido, elevando as mínimas e, sobretudo, as máximas. De acordo com o Cemtec/MS, algumas regiões já podem superar 30 °C no domingo, caracterizando forte amplitude térmica típica do outono sul-mato-grossense.

Diante do frio intenso, a Agência Estadual de Vigilância Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) emitiu nota técnica com orientações a pecuaristas sobre medidas de proteção aos rebanhos. O órgão alerta que a exposição prolongada a baixas temperaturas pode provocar hipotermia, especialmente em animais jovens, recém-nascidos ou em condições corporais desfavoráveis. Entre as recomendações estão a oferta de abrigos contra o vento, reforço nutricional, disponibilidade de água em temperatura adequada e monitoramento constante do comportamento dos animais durante a madrugada.

Em caso de mortalidade bovina ou ovina associada às condições climáticas, a Iagro solicita que os produtores formalizem a notificação por meio do formulário eletrônico do Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergência Veterinária (Sisbravet). O registro contribui para a adoção de medidas sanitárias e para a compilação de estatísticas sobre impactos do frio na produção pecuária estadual.

Além dos efeitos sobre a agropecuária, o episódio atual reforça cuidados para a população em geral. A Defesa Civil recomenda atenção a pessoas em situação de vulnerabilidade, devido ao risco de hipotermia, e cuidados extras com crianças e idosos, grupos mais sensíveis à variação térmica. A orientação inclui o uso de roupas adequadas, ingestão de líquidos quentes e acondicionamento correto de alimentos que possam se deteriorar com a queda brusca de temperatura.

Para o setor agrícola, o Cemtec/MS observa que a ocorrência de geadas pode afetar culturas sensíveis ao frio, como hortaliças e frutas tropicais em fase de brotação. Produtores são aconselhados a empregar técnicas de manejo que reduzam perdas, como irrigação noturna para aumentar a temperatura próxima ao solo ou cobertura das plantações com lonas e telas termo-protetoras.

O cenário meteorológico reforça a influência de entradas de ar frio de origem polar no Centro-Oeste durante o outono. Conforme o Cemtec/MS, esses eventos tendem a ocorrer de maneira mais frequente até o inverno, alternando períodos de frio intenso e rápidas elevações de temperatura. A previsão detalhada será atualizada diariamente pelas estações de monitoramento espalhadas pelo Estado, permitindo que governos municipais, produtores e a população ajustem suas rotinas conforme as condições previstas.

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