Uma abordagem de rotina da Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou na apreensão de 53,8 quilos de pasta base de cocaína na manhã desta terça-feira (23) em Miranda, município localizado a aproximadamente 200 quilômetros de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A droga estava oculta em um compartimento adaptado no tanque de combustível de uma caminhonete GM Silverado que trafegava pela BR-262.
De acordo com informações da PRF, a equipe realizava fiscalização no quilômetro 602 da rodovia quando decidiu parar o veículo para verificação documentária e estrutural. O motorista, que viajava sozinho, afirmou inicialmente que retornava de Corumbá após tratar de assuntos pessoais. Durante a conversa, porém, os policiais perceberam sinais de nervosismo e contradições nos relatos sobre o itinerário, o que motivou uma vistoria mais minuciosa.
Na inspeção visual, os agentes detectaram indícios de adulteração no tanque de combustível, tais como soldas recentes e marcas externas incompatíveis com o padrão original de fábrica. Diante da suspeita, o tanque foi retirado para averiguação detalhada. Em seu interior, foram encontrados diversos tabletes de substância análoga à pasta base de cocaína, cuidadosamente embalados em plástico e revestidos por material impermeável para evitar contaminação e detecção por odor.
Após a contagem, a carga totalizou 53,8 quilos. Confrontado com a descoberta, o condutor admitiu que transportava o entorpecente e informou que o destino final seria a cidade de Campo Grande. Ele não revelou quem receberia a droga nem forneceu detalhes sobre o grupo responsável pelo transporte. Segundo relato do suspeito, a coleta do material ocorreu em Corumbá, cidade fronteiriça frequentemente utilizada por organizações criminosas que atuam entre a Bolívia e o Brasil.
Com a confirmação do crime, a caminhonete, a droga e o motorista foram levados à Delegacia de Polícia Civil de Miranda. O preso responderá, em princípio, por tráfico de drogas e pode ter a pena aumentada em razão do transporte interestadual e do uso de compartimento oculto, circunstâncias que caracterizam agravantes previstas na legislação brasileira.
A PRF destacou que a apreensão representa mais um obstáculo às rotas de tráfico que cortam o Estado, especialmente o corredor Corumbá–Campo Grande pela BR-262. A região é considerada estratégica por narcotraficantes devido à proximidade com a fronteira boliviana, de onde parte significativa da cocaína ingressa no país antes de ser distribuída para outros centros consumidores.
Com base nos procedimentos padrão, a Polícia Civil dará sequência às investigações para identificar a origem exata do entorpecente, possíveis financiadores e eventuais envolvidos na logística do transporte. Entre as ações previstas estão análise de dados de telefonia e verificação de antecedentes do suspeito, além de cooperação com órgãos de inteligência estaduais e federais.
Além do impacto direto na redução de circulação de drogas ilícitas, a PRF reforçou que operações diárias de fiscalização contribuem para desarticular esquemas de tráfico de larga escala e ampliar a segurança nas rodovias federais. A corporação também ressaltou que a colaboração da população, por meio de denúncias anônimas, auxilia na detecção de veículos suspeitos e aumenta a eficácia das abordagens.
Até o momento, não foram divulgadas informações adicionais sobre a identidade do motorista nem sobre possíveis mandados de prisão relacionados ao caso. A divulgação de novos dados dependerá do avanço das investigações e de eventuais desdobramentos judiciais.
O material apreendido será submetido a perícia para confirmação da substância e pesagem oficial. Posteriormente, a droga ficará sob custódia da autoridade policial competente, seguindo os trâmites legais para destruição determinada pela Justiça.
A ocorrência desta terça-feira soma-se a outras apreensões recentes realizadas em Mato Grosso do Sul, evidenciando a intensidade do fluxo de drogas na região de fronteira. A PRF informou que manterá o reforço no patrulhamento da BR-262 e de outras vias estratégicas, visando reduzir a capacidade de transporte de entorpecentes e coibir ações de organizações criminosas que exploram o território estadual.








