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Empresários de Três Lagoas cobram pagamento de R$ 36 milhões antes da retomada da UFN3

Às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Três Lagoas (MS) para formalizar a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), um grupo de 136 empresas locais voltou a exigir a quitação de dívidas contraídas na fase de construção do complexo industrial, paralisada há 12 anos.

A reivindicação foi apresentada em documento divulgado nesta quarta-feira, 24, pelo advogado Humberto Garcia de Oliveira, representante dos credores. O texto informa que o passivo histórico soma cerca de R$ 36 milhões, valor relacionado a serviços, fornecimento de insumos e atividades diversas executados antes da interrupção das obras, ocorrida em 2014.

Segundo o advogado, os contratos firmados contemplavam empresas de segmentos variados, incluindo lavanderias, locadoras de equipamentos, transportadoras e prestadores de manutenção. Esses fornecedores teriam participado da execução de aproximadamente 81% do empreendimento antes de a construção ser suspensa. A paralisação, aponta o documento, resultou em dificuldades financeiras, encerramento de atividades e perda de patrimônio para diversos empresários da região.

Os credores afirmam que, desde 2014, não obtiveram qualquer apoio da Petrobras — então responsável pelo projeto — nem da União, do Governo de Mato Grosso do Sul, da Prefeitura de Três Lagoas ou de parlamentares estaduais e federais para solucionar o impasse. Dez anos depois, a dívida permanece sem definição, mesmo com o anúncio de novos aportes para a conclusão da fábrica.

Questionamentos sobre novo investimento

No documento, o grupo de empresários chama atenção para a previsão de cerca de US$ 1 bilhão em investimentos na nova fase da UFN3. Eles questionam a viabilidade de realizar um aporte dessa magnitude sem, simultaneamente, reconhecer e negociar os débitos acumulados junto a fornecedores locais. A preocupação, assinala o texto, é evitar que a reativação da obra repita o histórico de inadimplência e amplie prejuízos na cadeia produtiva da cidade.

Humberto Garcia esclarece que a divulgação do manifesto busca mobilizar a imprensa nacional e as autoridades responsáveis para a abertura de um canal de diálogo. O objetivo central, afirma ele, é garantir o reconhecimento formal da dívida e estabelecer um cronograma de pagamento que permita reparar as perdas sofridas ao longo dos últimos 12 anos.

Ainda de acordo com o representante legal, as empresas credoras mantêm disponibilidade para negociar prazos e condições, desde que haja compromisso efetivo dos órgãos públicos e da Petrobras em regularizar o passivo. Até o momento, porém, não houve resposta oficial da estatal petrolífera às demandas apresentadas.

A retomada da UFN3 será anunciada durante agenda oficial do presidente Lula em Três Lagoas. O empreendimento é considerado estratégico para elevar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados, insumo fundamental para o agronegócio brasileiro, além de reduzir a dependência de importações. Quando concluída, a fábrica deverá produzir ureia e amônia, contribuindo para a expansão da oferta interna de adubos.

O projeto original foi iniciado em 2011, com previsão de entrada em operação em 2014. A obra, contudo, foi suspensa naquele ano por decisão da Petrobras, que alegou necessidade de reavaliar investimentos diante do cenário financeiro da companhia. Desde então, estruturas metálicas, equipamentos parcialmente instalados e área construída ficaram inativos, gerando o que empresários classificam como “período de abandono” de 12 anos.

Com o novo anúncio de retomada, o governo federal pretende acelerar a conclusão da planta, aproveitando parte dos equipamentos já instalados e atualizando sistemas para adequação às normas de segurança e eficiência energética. O cronograma detalhado de obras, bem como o modelo de gestão — se pela própria Petrobras ou em parceria com investidores privados —, ainda não foi divulgado.

Enquanto o cronograma não é oficializado, os credores locais reforçam a cobrança. Eles afirmam que a regularização dos pagamentos é condição essencial para restabelecer a confiança do setor produtivo de Três Lagoas e garantir que a nova etapa do projeto ocorra sem pendências financeiras herdadas do passado. Até a publicação desta reportagem, nenhum ente público citado no documento havia se pronunciado sobre as reivindicações.

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