Os presidentes nacionais do Partido Liberal (PL) e do Partido Progressistas (PP) marcaram encontros separados com a senadora Tereza Cristina (PP) para discutir as alternativas do campo conservador na sucessão presidencial de 2026. As reuniões ocorrem nesta semana em Brasília e têm objetivos distintos, mas convergentes: medir a disposição da parlamentar em compor ou liderar uma chapa competitiva.
Agenda do PL: vaga de vice para Flávio Bolsonaro
O primeiro compromisso está previsto para terça-feira, 21. Valdemar da Costa Neto, dirigente máximo do PL, quer aferir se Tereza Cristina aceita ocupar a posição de vice na provável candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. De acordo com dirigentes liberais, o partido avalia que o nome da ex-ministra da Agricultura agrega credibilidade no agronegócio e pode ampliar o alcance eleitoral da legenda em regiões onde o setor tem peso decisivo.
Agenda do PP: candidatura própria em análise
No dia seguinte, quarta-feira, 22, será a vez de Ciro Nogueira receber a senadora. O comandante do PP pretende verificar se ela está disposta a disputar a Presidência pela própria sigla. Além disso, quer ouvir diretamente da correligionária como avalia o convite do PL. O movimento faz parte de um debate mais amplo na executiva progressista sobre lançar ou não uma candidatura autônoma.
Preferência por encabeçar a chapa
Interlocutores próximos relatam que Tereza Cristina demonstra maior inclinação por liderar uma coligação nacional em vez de integrar o posto de vice-presidente. A parlamentar acredita que sua trajetória no Ministério da Agricultura, aliada a oito anos de mandato na Câmara e ao atual assento no Senado, confere densidade para encabeçar o projeto.
Resistência interna a aliança com o PL
Dentro do PP, porém, o tema provoca divergências. Parte da cúpula argumenta que houve desgaste na relação com o PL após avaliações de que Flávio Bolsonaro teria agido de forma desleal com Ciro Nogueira durante desdobramentos da Operação Master, conduzida pela Polícia Federal. Esse episódio fortaleceu o grupo que prefere candidatura própria e rejeita acomodar o partido em uma coligação liderada pelo PL.
Limitações orçamentárias pesam no cálculo
Apesar do impulso político, a alternativa de lançar Tereza Cristina como cabeça de chapa encontra entraves financeiros. O orçamento progressista foi reservado prioritariamente para as campanhas proporcionais, pois a federação formada por PP e União Brasil estabelece como meta eleger cerca de 120 deputados federais. Dirigentes ponderam que uma disputa presidencial consome recursos vultosos, comprometendo estratégias regionais e a meta de bancada.

Imagem: Fernando de Carvalho
Convenção partidária adiada
Diante das indefinições, o PP decidiu postergar sua convenção nacional. Marcado inicialmente para 26 de julho, o encontro foi transferido para 5 de agosto, data-limite estabelecida pela legislação eleitoral. O adiamento busca conceder tempo adicional para a direção definir se priorizará a construção de uma coligação com outras siglas ou apostará em candidatura própria.
Próximos passos
As conversas desta semana devem balizar o posicionamento final dos dois partidos. Caso Tereza Cristina aceite a condição de vice, o PL avançará na formatação da chapa com Flávio Bolsonaro. Se optar por disputar a Presidência pelo PP, a legenda precisará recalibrar o plano orçamentário e negociar apoios que reduzam o impacto financeiro da campanha.
Procurada, a assessoria da senadora não confirmou as agendas até o fechamento desta reportagem.








