Três detentos escaparam do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, na noite de segunda-feira (20), depois de uma operação coordenada por seis indivíduos que atuaram dentro e fora do estabelecimento. A fuga ocorreu sem registros de confronto armado e mobilizou, ainda na madrugada, diversas equipes das forças de segurança pública de Mato Grosso do Sul, que permanecem em busca dos foragidos.
Os presos que deixaram a unidade são Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. De acordo com informações repassadas pelas autoridades, o primeiro é apontado como colaborador próximo de José Cláudio Arantes, conhecido como Tio Arantes, liderança considerada estratégica para o Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. Os outros dois fugitivos também são investigados por suposta participação na mesma facção criminosa e por ligação com o grupo chefiado por um sobrinho de Arantes.
Segundo as apurações preliminares, três integrantes do grupo externo conseguiram acessar o interior do presídio e quebrar cadeados que protegiam uma ala de isolamento. Enquanto isso, outros três cúmplices permaneceram do lado de fora para dar suporte logístico à evasão. O ponto exato de entrada, os instrumentos utilizados para violar as travas e o trajeto percorrido pelos fugitivos até deixarem o perímetro penitenciário estão sob análise da perícia. Até a manhã desta terça-feira (21), não havia sinal de localização dos evadidos.
O Centro Penal Agroindustrial da Gameleira opera no regime semiaberto, classificado como de segurança mínima. Nesse modelo, parte dos internos trabalha externamente durante o dia e volta para a unidade no período noturno. Embora possua estrutura compatível com penas de menor rigor, o presídio conta com um setor de isolamento para casos excepcionais, local em que o trio se encontrava antes da fuga. A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) não detalhou o motivo da permanência dos detentos nesse espaço restrito.
Em nota institucional, a Agepen informou que não foram constatadas a presença de armas de fogo nem confronto direto com servidores. A autarquia acrescentou que a integridade física das barreiras já foi restabelecida e que foi instaurado procedimento administrativo para apurar detalhadamente as falhas de segurança que permitiram a ação criminosa.
Assim que a evasão foi confirmada, a Polícia Penal do estado acionou a Diretoria de Operações, a Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e outras forças policiais. Os registros de movimentação dos três internos foram imediatamente bloqueados no banco de dados prisional, impedindo qualquer tentativa de acesso legal a benefícios. Paralelamente, a 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande foi comunicada, resultando na expedição de novos mandados de prisão contra Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa.
Equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Batalhão de Choque realizam patrulhamento em rodovias, bairros periféricos e áreas de mata próximas à capital sul-mato-grossense. Recursos de inteligência, como análise de imagens de câmeras públicas e privadas, cruzamento de dados telefônicos e monitoramento de redes sociais, também estão sendo empregados para identificar possíveis rotas de fuga e eventuais colaboradores.

Imagem: Reprodução
O Sindicato dos Policiais Penais de Mato Grosso do Sul (Sinsapp/MS) classificou o episódio como mais um reflexo da fragilidade estrutural das unidades de regime semiaberto no estado. A entidade vai solicitar ao governo medidas emergenciais de reforço, incluindo incremento de efetivo, atualização de equipamentos de vigilância e revisão dos protocolos de escolta. Segundo o sindicato, a regulamentação da carreira dos policiais penais é essencial para garantir respaldo jurídico às ações de contenção e para padronizar procedimentos capazes de reduzir novas ocorrências semelhantes.
Especialistas em segurança penitenciária ouvidos pelas autoridades avaliam que, embora o regime semiaberto preveja nível de segurança menor do que estabelecimentos fechados, a presença de internos ligados a facções com alto poder de mobilização cria cenários de risco que exigem protocolos diferenciados. A inclusão de monitoramento eletrônico constante, barreiras físicas reforçadas em alas específicas e troca sistemática de informações entre polícias e sistema prisional estão entre as alternativas em estudo após a fuga.
Até o momento, não há confirmação sobre veículos utilizados na ação, possíveis pontos de apoio logístico além do perímetro do presídio ou participação de servidores. A investigação trabalha com a hipótese de que o plano foi articulado externamente, levando em conta horários de vigilância reduzida, características da construção e a possibilidade de rápida dispersão dos fugitivos em direção a outros municípios ou à fronteira internacional.
As buscas prosseguem sem prazo para encerramento. As autoridades orientam a população a acionar a polícia caso identifique qualquer movimento suspeito ou informação que possa auxiliar na recaptura de Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa.







