A Câmara Municipal de Três Lagoas promove nesta quarta-feira, 22 de julho, às 18h30, o seminário “Vozes que Ecoam”, dedicado à valorização do protagonismo feminino, ao debate sobre igualdade racial e de gênero e à elaboração de propostas de políticas públicas de inclusão. A atividade, gratuita e aberta a toda a comunidade, marca as celebrações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado em 25 de julho.
O evento chega à quarta edição e é organizado pelo Movimento de Luta da Mulher Negra, em parceria com a vereadora Evalda Reis (PSB). A coordenação é da professora Cidolina Silva, que lidera o movimento criado durante o período da pandemia de covid-19. Segundo ela, a iniciativa surgiu depois de uma roda de conversa realizada em sua residência, motivada pelas dificuldades relatadas por moradoras negras da cidade em relação à violência, à discriminação e à falta de oportunidades em espaços institucionais.
De acordo com Cidolina, a experiência inicial demonstrou a necessidade de um espaço permanente de reflexão e fortalecimento das mulheres negras. “Encontrávamos muitas mulheres enfrentando situações de violência, discriminação e ausência de oportunidades. A partir daí construímos um momento de diálogo que se mantém”, afirmou. O seminário anual tornou-se, assim, a principal ação pública do movimento.
A programação deste ano reunirá três palestrantes que apresentarão seus percursos acadêmicos e profissionais. Estão confirmadas a professora Gislaine, do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS); a professora Luciana Nascimento; e a profissional Fran Soares. Cada uma detalhará os obstáculos encontrados, as estratégias utilizadas para avançar em suas carreiras e as contribuições que hoje oferecem à sociedade.
Para a organização, o compartilhamento de trajetórias tem como objetivo inspirar outras mulheres e ampliar o debate sobre igualdade de oportunidades. “Essas mulheres transpuseram barreiras e hoje contribuem com a sociedade. Queremos mostrar que é possível ocupar espaços e transformar realidades”, declarou Cidolina. A atividade também pretende reunir estudantes, lideranças comunitárias, representantes de organizações civis e autoridades municipais para discutir mecanismos que ampliem a participação feminina nos processos decisórios.
A vereadora Evalda Reis destaca o seminário como um espaço de escuta e representatividade. Segundo ela, ao conhecer experiências bem-sucedidas, outras mulheres percebem que podem alcançar posições semelhantes. A parlamentar também chamou atenção para a necessidade de fortalecer políticas públicas de inclusão racial. Entre as medidas em tramitação na Câmara, Evalda citou um projeto de lei que prevê a criação de mecanismos para coleta de dados étnico-raciais, ferramenta considerada fundamental para subsidiar ações nas áreas de educação, assistência social e inclusão.

Imagem: Antônio Luiz
Indicadores sociais ainda mostram desigualdades significativas enfrentadas pelo segmento feminino negro, avalia Cidolina. Para ela, a participação de diferentes públicos no encontro é essencial para ampliar o entendimento sobre o tema. “É um evento aberto a homens, mulheres, jovens e estudantes. Muitas vezes a discriminação ocorre pela falta de informação. O conhecimento ajuda a combater preconceitos e a construir uma sociedade mais justa”, observou.
Além das exposições, o seminário prevê momentos de perguntas do público e encaminhamentos sobre possíveis ações futuras. A expectativa é que o debate resulte em propostas que possam ser incorporadas a programas municipais ou encaminhadas para análise do Poder Legislativo.
Quem desejar integrar o Movimento de Luta da Mulher Negra pode contatar a professora Cidolina Silva pelas redes sociais ou pelo telefone (67) 99199-2319. O seminário será realizado no plenário da Câmara Municipal de Três Lagoas, localizado na Rua Sunao Miura, sem necessidade de inscrição prévia.







