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Mulher denuncia companheiro após 16 anos de agressões em aldeia de Dourados

Uma mulher de 31 anos pediu socorro às autoridades na terça-feira, 21, após relatar ter sido agredida pelo companheiro, de 35, na Aldeia Bororó, em Dourados (MS). Segundo a vítima, as agressões começaram quando ela tinha 15 anos, prolongando-se por cerca de 16 anos de relacionamento. A ocorrência resultou no encaminhamento do suspeito à Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) e no pedido de uma medida protetiva de urgência.

A situação veio à tona depois que um conhecido da família se deslocou até a residência da vítima, localizada nos fundos de um imóvel na comunidade indígena, para entregar documentos. Ao encontrar a mulher, o homem percebeu que ela apresentava dificuldade para caminhar, inchaço no lado esquerdo do rosto e lesões aparentes. Diante do quadro, ele tentou acionar a Polícia Militar, mas não obteve atendimento imediato. Na sequência, procurou a DAM, onde foi informado de que não havia equipe disponível no momento para deslocamento até a aldeia.

Sem sucesso nas primeiras tentativas, o homem buscou o apoio da Guarda Municipal de Dourados (GMD). A Patrulha Maria da Penha, unidade da corporação especializada no atendimento a casos de violência doméstica, assumiu a ocorrência. Os agentes foram acionados enquanto realizavam atividades na Escola Municipal Indígena Agostinho e seguiram até o endereço indicado, onde encontraram a vítima abrigada na casa da mãe.

De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher apresentava hematomas, escoriações e inchaço facial compatíveis com agressões recentes. Ela relatou que, ainda na madrugada do mesmo dia, foi derrubada da cama e sofreu socos e chutes no rosto e no abdômen. O casal tem três filhos, de 16, 12 e 5 anos, que testemunharam parte dos episódios de violência ao longo dos anos.

A vítima explicou aos agentes que as agressões se repetem desde a adolescência, resultando em cicatrizes e fraturas antigas. Apesar dos constantes episódios, o receio de represálias teria adiado denúncias anteriores. Desta vez, ela decidiu formalizar a queixa e solicitou imediatamente a concessão de medida protetiva para garantir sua segurança e a dos filhos.

Após o registro da ocorrência, a GMD localizou o suspeito nas proximidades da residência e efetuou a detenção. Conforme informações da polícia, ele possui antecedentes relacionados à violência doméstica desde 2014, incluindo registros por lesão corporal, ameaça, vias de fato e descumprimento de medida protetiva. O homem foi conduzido até a Delegacia de Atendimento à Mulher, onde prestou depoimento e permanece à disposição da Justiça enquanto o inquérito é instruído.

A Delegacia de Atendimento à Mulher de Dourados abriu investigação para apurar as circunstâncias do caso. A polícia deve coletar laudos de corpo de delito, ouvir testemunhas e verificar se houve descumprimento de medidas judiciais anteriores. Caso comprovada a reincidência, o autor poderá responder pelos crimes de lesão corporal no contexto de violência doméstica e descumprimento de ordem judicial, cujo somatório de penas pode levar à prisão.

O Conselho Tutelar foi informado sobre a situação dos três filhos. Segundo a Guarda Municipal, as crianças permaneceram sob os cuidados de familiares enquanto a mãe recebia atendimento médico e psicológico. A rede de apoio local, composta por serviços de assistência social e saúde, foi acionada para acompanhar a família e orientar sobre os procedimentos necessários.

Dados do boletim indicam que a atuação da Patrulha Maria da Penha foi decisiva para evitar novas agressões e formalizar a denúncia. O programa, vinculado à Guarda Municipal, realiza visitas periódicas e monitoramento de casos em que há medidas protetivas em vigor, além de atender emergências relatadas por vítimas de violência doméstica.

Em Dourados, casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelos telefones 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Municipal), além do número 180, central nacional de atendimento à mulher. As autoridades reforçam a importância do registro imediato das agressões para garantir a proteção das vítimas e permitir a responsabilização dos autores.

O inquérito segue em andamento na Delegacia de Atendimento à Mulher, que apura também possíveis crimes anteriores praticados pelo suspeito. A vítima continua sob acompanhamento da rede de proteção e aguarda a análise judicial do pedido de medida protetiva de urgência.