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Produção de 147 milhões de insetos em Três Lagoas reforça controle biológico nas florestas de eucalipto da Suzano

Os laboratórios mantidos pela Suzano em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, produziram cerca de 147 milhões de insetos benéficos em 2025 para o controle biológico de pragas que afetam florestas de eucalipto. O volume, somado ao de uma planta menor instalada em Ribas do Rio Pardo, representou 32,6% dos 453,2 milhões de organismos liberados pelo programa de biocontrole da companhia em todo o país no mesmo período.

Em Mato Grosso do Sul, as liberações totalizaram 153,8 milhões de insetos distribuídos em 177,2 mil hectares, área 50% maior do que a tratada no ano anterior. Os resultados operacionais apontam que 92,5% das regiões atendidas não exigiram aplicações adicionais, o que contribuiu para a redução de 59% no uso de defensivos pulverizados e de 48% no consumo de água.

O programa de biocontrole da Suzano foi implantado em 2021, quando a produção ficou em torno de 910 mil espécimes. Três anos depois, em 2024, a geração de insetos no Estado alcançou 93 milhões. No ano passado, o número ultrapassou 153 milhões, consolidando a estratégia de substituir defensivos químicos por inimigos naturais das principais pragas da cultura do eucalipto.

Espécies produzidas e atuação nas florestas

As unidades de Três Lagoas concentram a maior infraestrutura da empresa para multiplicação de organismos benéficos. Em 2025, foram produzidos 79 milhões de Trichospilus diatraeae e 67,8 milhões de Tetrastichus howardi, microvespas que parasitam lagartas desfolhadoras. O complexo também gerou 113 mil joaninhas da espécie Olla v-nigrum, predadoras de ovos do psilídeo-de-concha, outro inseto que provoca perdas em plantios de eucalipto.

Ribas do Rio Pardo, por sua vez, acrescentou aproximadamente 1 milhão de parasitoides e 48,5 mil joaninhas ao programa. Apesar do menor porte, a unidade contribui para ampliar a cobertura das liberações dentro do Estado, especialmente em áreas mais próximas de seus viveiros.

As liberações de inimigos naturais são realizadas semanalmente, de acordo com o monitoramento fitossanitário das florestas. Equipes de campo verificam a incidência de pragas e ajustam a quantidade de insetos liberados para cada talhão, garantindo equilíbrio biológico sem exceder a população necessária. O método diminui tanto os custos operacionais quanto os impactos ambientais associados a aplicações convencionais de químicos.

Crescimento contínuo do programa

A escalada do projeto reflete mudanças no manejo florestal da Suzano. Segundo a companhia, a introdução de novas espécies de parasitoides desde 2023 permitiu diversificar a atuação contra diferentes grupos de pragas, tornando o controle mais preciso e eficiente. Paralelamente, investimentos em biotecnologia e automação elevaram a capacidade produtiva dos laboratórios, que hoje operam em regime contínuo para suprir a demanda interna.

Nos cinco primeiros meses deste ano, o programa já liberou cerca de 44 milhões de organismos em 71,9 mil hectares de eucalipto de Mato Grosso do Sul, mantendo a meta de substituir gradualmente os defensivos químicos por métodos biológicos. A companhia sustenta que o avanço da estratégia também reduz a exposição de trabalhadores a produtos potencialmente tóxicos e atende exigências crescentes de compradores internacionais por cadeias produtivas mais sustentáveis.

Processo de multiplicação

Para produzir as microvespas, os laboratórios cultivam lagartas hospedeiras em condições controladas de temperatura e umidade. Os ovos dos parasitoides são colocados sobre esses hospedeiros, onde se desenvolvem até a fase adulta. No caso das joaninhas, o processo se inicia com a criação de colônias de pulgões, que servem de alimento às larvas. Após o ciclo de desenvolvimento, os insetos adultos são coletados, acondicionados em recipientes adequados e transportados até as áreas de liberação.

Técnicos especializados acompanham cada estágio — da eclosão dos ovos à soltura no campo — para garantir a viabilidade dos organismos e a efetividade do controle. Todo o sistema segue protocolos de biossegurança e boas práticas de produção estabelecidos por normas federais de defesa sanitária vegetal.

Resultados ambientais e econômicos

A redução no uso de defensivos repercute em indicadores ambientais relevantes, como menor risco de contaminação de solo e recursos hídricos. Além disso, o declínio de 48% no consumo de água, resultado da menor necessidade de calda para pulverização, contribui para a conservação hídrica em regiões onde o recurso é estratégico para a atividade florestal.

Do ponto de vista financeiro, a empresa registra diminuição de custos associados à compra de produtos químicos, logística e manutenção de equipamentos de pulverização. A eficiência obtida com o método biológico também encurta o intervalo entre as intervenções e reduz a reincidência de surtos de pragas, o que fortalece a produtividade e a previsibilidade do ciclo de colheita.

Com a estrutura instalada em Três Lagoas e o apoio da planta de Ribas do Rio Pardo, a Suzano pretende ampliar a produção de inimigos naturais nos próximos anos, incorporando novas espécies conforme for identificada a necessidade no campo. A expectativa é manter o ritmo de crescimento observado desde 2021 e estender a prática de biocontrole para todas as áreas de eucalipto administradas pela companhia no país.