Paranaíba, no nordeste de Mato Grosso do Sul, vive nesta quarta-feira, 26 de julho, mais um capítulo de uma tradição quase bicentenária: a Solenidade de Sant’Ana, padroeira do município. A programação religiosa, preparada pela paróquia dedicada à santa, reúne missas, carreata e procissão, mantendo viva uma devoção que acompanha a história local desde os primeiros anos do antigo povoado.
Atividades começaram em 17 de julho
O calendário festivo teve início em 17 de julho, quando a comunidade católica passou a participar de celebrações diárias e de eventos sociais voltados à preparação espiritual para a data principal. Desde então, fiéis de diferentes bairros se reúnem na igreja matriz e em capelas da zona urbana e da área rural, reforçando o caráter comunitário da festa.
Domingo marcado por missas e carreata
As atividades de maior fluxo ocorreram no último domingo, 23, quando a primeira missa foi celebrada às 7h em honra à padroeira. Às 9h, outra celebração reuniu crianças da catequese e de pastorais infantojuvenis, destacando a transmissão da devoção às novas gerações.
No período vespertino, às 16h, a tradicional carreata partiu da Praça da República. O cortejo motorizado percorreu diversos bairros onde se encontram comunidades pertencentes à paróquia, retornando ao ponto de partida após dar visibilidade pública à homenagem. Na chegada, os participantes foram recepcionados pela Banda Municipal de Paranaíba, que executou hinos religiosos e canções de repertório popular.
Em seguida, fiéis formaram procissão em direção ao Salão Paroquial. Nesse espaço ocorreu a Santa Missa Solene em honra e louvor a Sant’Ana, presidida pelo bispo diocesano de Três Lagoas, Dom Luiz Knup, autoridade eclesiástica responsável pela diocese à qual Paranaíba está vinculada. A celebração contou com concelebração de sacerdotes da região e participação de representantes de movimentos laicais.
Origem da devoção no século XIX
A relação entre Paranaíba e Sant’Ana nasceu durante a formação do povoado, ainda em território de Goiás, na década de 1830. Registros históricos indicam que, em 1836, pioneiros da família Garcia Leal construíram a primeira capela dedicada à santa. Dois anos depois, em 19 de abril de 1838, foi criada a Freguesia de Sant’Anna do Paranahyba, marco que consolidou a organização religiosa e administrativa local.
A imagem original de Sant’Ana que passou a ser venerada na vila foi doada por Ana Angélica de Freitas, esposa do capitão José Garcia Leal, considerado um dos fundadores da comunidade. A construção da primeira igreja contou com o apoio do padre Francisco Sales de Souza Fleury, responsável pelos atos religiosos iniciais na região. Atualmente, essa mesma imagem permanece sob a guarda da paróquia.

Imagem: Divulgação
Restauro da imagem e reforma da matriz
Segundo o pároco, padre Tiago Felipe, a imagem histórica está em processo de recuperação para preservar suas características originais. A expectativa é de que o objeto sacro seja novamente exposto aos fiéis durante a reabertura da igreja matriz, edifício que passa por fase final de reformas estruturais e de revitalização interna.
Identidade cultural e religiosa
Ao longo de quase dois séculos, a celebração de 26 de julho tornou-se parte indissociável da identidade de Paranaíba. Além do caráter religioso, o evento movimenta a economia local por meio de barracas de alimentação, venda de artigos religiosos, apresentações musicais e atividades culturais paralelas, gerando oportunidade de renda para famílias e pequenas associações comunitárias.
Para muitos moradores, participar das festividades é também oportunidade de reencontro com parentes que moram em outras cidades ou estados. A data costuma atrair ex-paranaibenses que aproveitam o feriado municipal para retornar à terra natal, fortalecendo vínculos familiares e comunitários.
Programação segue até o encerramento oficial
A agenda preparada pela paróquia de Sant’Ana prossegue após o dia 26, com celebrações de agradecimento e ações sociais que incluem distribuição de alimentos, visitas a enfermos e momentos de oração em bairros afastados. A coordenação pastoral informa que todas as atividades são abertas ao público e convida a população a manter o engajamento até o encerramento oficial da festa litúrgica.
Com essa série de eventos religiosos e comunitários, Paranaíba reafirma, em 2023, a devoção a Sant’Ana que se mantém viva desde 1836, reforçando um elo histórico entre fé, cultura e identidade municipal.







