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Encontro das Mulheres Camponesas mobiliza mais de 240 participantes em Três Lagoas

O assentamento de reforma agrária Pontal do Faia, localizado em Três Lagoas, recebeu no sábado, 11 de julho, o 9º Encontro das Mulheres Camponesas do Bolsão. Após intervalo de quatro anos — a última edição havia ocorrido em 2019 — o evento voltou a reunir agricultoras familiares, lideranças comunitárias, apoiadores institucionais e moradores da região. Ao todo, mais de 240 pessoas participaram da programação, considerada a principal atividade da agricultura familiar camponesa no Bolsão sul-mato-grossense.

Organizado desde 2016 por um coletivo formado majoritariamente por mulheres do campo, o encontro é estruturado a partir de mobilização comunitária, economia solidária, mutirões e diversas parcerias. Essa forma de organização, centrada na base social dos assentamentos, viabiliza a realização do evento mesmo diante de obstáculos como infraestrutura limitada nos locais que o recebem. Ainda assim, os participantes relatam fartura de alimentos, decoração artesanal e soluções coletivas para transporte e hospedagem.

A retomada em 2023 teve como foco reforçar a visibilidade das famílias que vivem da produção agrícola diversificada em um território marcado pela expansão do monocultivo de eucalipto. Segundo os organizadores, o encontro funciona como uma vitrine temporária: ao concentrar feiras, oficinas, palestras e atividades culturais, evidencia que a agricultura familiar permanece ativa, gera renda e oferta alimentos para a região.

A programação combinou cursos de capacitação técnica, rodas de conversa sobre políticas públicas e espaços de comercialização de produtos agroecológicos. Entre os temas abordados, estiveram manejo de hortas, processamento de alimentos, comercialização direta e organização coletiva. Ao mesmo tempo, apresentações musicais e mostras de artesanato destacaram elementos da cultura camponesa local.

Instituições de ensino superior participam do evento desde a primeira edição. O Laboratório de Geografia Agrária da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), campus de Três Lagoas, mantém parceria permanente com o coletivo organizador. Neste ano, o apoio recebeu reforço do Núcleo de Estudos em Agroecologia do Bolsão (NEA-UFMS), criado recentemente como política pública voltada ao desenvolvimento territorial sustentável. Os núcleos colaboraram na oferta de oficinas, no registro das atividades e na mediação de diálogo entre produtores rurais e órgãos governamentais.

A iniciativa também deriva de uma ação do Núcleo de Extensão em Desenvolvimento Territorial (NEDET) do Território do Bolsão. O objetivo central é estimular comunidades rurais a manterem modos de vida tradicionais e fortalecer redes de cooperação entre assentamentos. Para isso, o encontro adota métodos como planejamento participativo, autogestão de recursos e distribuição coletiva de responsabilidades, estratégia que facilita a continuidade anual mesmo com recursos limitados.

Transporte de famílias de diferentes assentamentos, condição que frequentemente representa barreira à presença de agricultoras em atividades regionais, foi organizado de forma colaborativa. Em alguns casos, prefeituras cederam veículos; em outros, as próprias participantes articularam caronas ou utilizaram meios próprios. Essa dinâmica, avaliam as organizadoras, demonstra a capacidade de articulação das mulheres camponesas e reforça laços de solidariedade entre comunidades vizinhas.

Além de ampliar a troca de conhecimentos técnicos, o encontro representa espaço de articulação política. Representantes de movimentos sociais, técnicos extensionistas e pesquisadoras compartilharam informações sobre acesso a crédito rural, regularização fundiária e programas de apoio à agroecologia. As discussões buscaram orientar as participantes sobre estratégias para permanecer e prosperar no campo, em contraponto às pressões econômicas que favorecem a monocultura.

Com nove edições realizadas desde a criação, o Encontro das Mulheres Camponesas do Bolsão consolidou-se como referência para iniciativas de desenvolvimento rural na região Leste de Mato Grosso do Sul. A organização pretende manter a periodicidade anual a partir desta retomada, reforçando a rede de mulheres que lidera o processo e garantindo que as demandas da agricultura familiar continuem em evidência. A próxima edição, prevista para 2024, ainda não tem local definido, mas deve seguir o modelo de rotação entre assentamentos, prática que distribui benefícios e incentiva maior participação comunitária.