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Ação da PM impede tribunal do crime, liberta refém e prende cinco suspeitos em Três Lagoas

Uma operação conjunta da Força Tática e da Rádio Patrulha da Polícia Militar evitou a realização de um suposto tribunal do crime, libertou um homem de 34 anos mantido em cárcere privado e resultou na prisão de cinco suspeitos por sequestro, tortura e associação criminosa em Três Lagoas (MS). A intervenção ocorreu na noite de sexta-feira, 25, no Conjunto Habitacional Novo Oeste, depois que o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) recebeu denúncia sobre atividades de integrantes de facção criminosa em um apartamento do Condomínio Andorinha.

De acordo com informações repassadas pelos policiais, a comunicação telefônica anônima indicava que o grupo estaria reunido para julgar a vítima, prática conhecida como tribunal do crime. Diante da gravidade do relato, equipes da Rádio Patrulha solicitaram apoio da Força Tática e se deslocaram até o endereço indicado. Ao chegar ao condomínio, os militares adotaram procedimento de aproximação tática e verificaram que a porta do apartamento estava entreaberta.

Durante a entrada no imóvel, os agentes localizaram a vítima sentada no chão, com os punhos amarrados por cadarços. O homem apresentava lesões visíveis compatíveis com agressões recentes. Questionado, afirmou ter sido sequestrado por volta das 7h do mesmo dia e permanecido sob poder dos criminosos por aproximadamente 19 horas, período em que sofreu golpes, ameaças e constrangimento psicológico.

O relato detalha que, após ser capturado, ele foi inicialmente mantido no Condomínio Andorinha e, posteriormente, transferido para outro apartamento no Condomínio Tuiuiú, também no Novo Oeste. Nesse segundo endereço, as agressões teriam continuado, e o refém declarou que temia ser executado. Segundo ele, um dos agressores chegou a exibir um revólver para intimidá-lo, enquanto outro empunhava uma faca tática localizada depois pelos policiais.

Além da violência física, o homem contou que os suspeitos se comunicavam via telefone com pessoas recolhidas no sistema prisional. Essas ligações, segundo a vítima, serviam para informar e receber orientações sobre o andamento do tribunal criminoso, reforçando o caráter organizado da ação.

Com base nas informações colhidas, as equipes iniciaram buscas complementares no Condomínio Tuiuiú. No local, foram encontrados dois homens apontados como participantes diretos das agressões. Um deles utilizava tornozeleira eletrônica em razão de condenação anterior, e o outro foi reconhecido pela vítima como o indivíduo que portava a arma de fogo durante o período de cárcere.

No total, cinco suspeitos com idades entre 20 e 35 anos foram detidos. Segundo a Polícia Militar, um dos presos constava como foragido do sistema penitenciário. Todos os envolvidos foram conduzidos à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), onde foram autuados por sequestro, tortura e associação criminosa. O material apreendido, que inclui a faca tática utilizada para intimidação, foi entregue para perícia.

A vítima recebeu atendimento médico para avaliação das lesões e, posteriormente, prestou depoimento formal sobre o sequestro. Informações fornecidas por ele auxiliarão na investigação conduzida pela Polícia Civil, que busca identificar outros possíveis integrantes da facção envolvidos na tentativa de tribunal do crime ou no planejamento do sequestro.

Conforme os registros da ocorrência, a rápida mobilização policial foi decisiva para interromper a sessão de julgamento clandestino e preservar a vida do refém. A corporação informou que mantém ações de inteligência e patrulhamento reforçado em áreas onde há indícios de atuação de organizações criminosas, com o objetivo de coibir práticas como cárcere privado, tortura e homicídios determinados por líderes de facções.

Os cinco detidos permanecem à disposição da Justiça. Se condenados, podem responder cumulativamente pelos crimes de sequestro, tortura e pertencimento a organização criminosa, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 20 anos de reclusão. A investigação prossegue para apurar a participação de outros envolvidos e esclarecer a origem das ordens repassadas a partir do sistema prisional.

A Polícia Militar solicita que eventuais testemunhas ou pessoas com informações sobre atividades semelhantes entrem em contato com o Copom por meio do telefone 190, garantindo sigilo absoluto. O comando regional reforçou que denúncias anônimas são fundamentais para prevenir novas ocorrências e desarticular estruturas criminosas que fomentam a violência em bairros residenciais.</p