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Verruck defende agroindustrialização em Campo Grande e questiona aumento de pedágio na BR-163

Campo Grande (MS) — O ex-secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, afirmou que a capital sul-mato-grossense reúne condições para ampliar sua base agroindustrial e cobrou revisão no reajuste das tarifas de pedágio da BR-163. As declarações foram dadas na manhã de segunda-feira, 27, durante entrevista ao programa Microfone Aberto, transmitido pela Rádio Massa FM Campo Grande.

Potencial para novos investimentos industriais

Pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos, Verruck argumentou que Campo Grande dispõe de mão de obra qualificada e de significativa produção agropecuária em um raio de aproximadamente 100 quilômetros, fatores que, segundo ele, tornam o município atrativo para empreendimentos voltados ao processamento de grãos, carnes e biocombustíveis. O ex-secretário defendeu a criação de polos industriais adicionais, melhoria de infraestrutura logística e expansão da oferta de habitação popular como medidas essenciais para sustentar o crescimento econômico local.

De acordo com Verruck, a carência de moradias acessíveis já se reflete na dificuldade de muitas empresas para fixar funcionários na capital. Ele avaliou que políticas de parcelamento de lotes e financiamentos com juros reduzidos podem contribuir para resolver o gargalo habitacional e, ao mesmo tempo, incentivar a instalação de novas plantas industriais.

Críticas ao reajuste de pedágio

Ao comentar a concessão da BR-163, corredor rodoviário fundamental para o escoamento da produção agrícola do Estado, Verruck classificou como “preocupante” a autorização de reajuste de até 41% nas tarifas de pedágio antes da conclusão das obras previstas em contrato. A correção foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 22 de maio e passará a valer em 5 de agosto.

Para o ex-secretário, o volume de intervenções entregues até o momento não justifica o aumento. Ele defendeu uma revisão administrativa da concessão, com discussão sobre o tempo prolongado em regime de pare e siga, o fechamento de acessos e as condições de segurança oferecidas aos usuários. Verruck ressaltou que a BR-163 concentra parte expressiva do fluxo de grãos destinados aos portos e que o reajuste, sem contrapartidas estruturais, eleva os custos logísticos das cadeias produtivas.

Retomada da UFN3 em Três Lagoas

Outro ponto destacado na entrevista foi a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), localizada em Três Lagoas. Paralisado há anos, o empreendimento teve a conclusão anunciada pelo governo federal como prioridade. Verruck avaliou a planta como estratégica para a redução da dependência externa de adubos e afirmou que, quando operacional, a fábrica poderá suprir mais de 15% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados.

O ex-secretário acrescentou que empresas locais que prestaram serviços na fase anterior das obras ainda aguardam pagamentos pendentes. Ele cobrou a regularização desses débitos e a manutenção, pela próxima gestão federal, da política de estímulo à produção interna de fertilizantes, considerada fundamental para a segurança alimentar e para a competitividade do agronegócio.

Gás natural e atração de indústrias em Dourados

Na avaliação de Verruck, a implantação da rede de distribuição de gás natural em Dourados reforça a competitividade industrial da região sul do Estado. Segundo ele, a oferta do insumo amplia a viabilidade econômica de setores como cerâmica, alimentos processados e metalurgia leve, que demandam energia a custos estáveis.

O ex-secretário argumentou que o fornecimento contínuo de gás natural tende a complementar a matriz energética local, reduzir despesas operacionais e diminuir a emissão de poluentes, fatores que podem atrair empresas interessadas em processos produtivos mais eficientes.

Expectativas com a Rota Bioceânica

Verruck também fez referência à Rota Bioceânica, corredor multimodal que ligará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina. Para o pré-candidato, a conclusão do traçado deve impulsionar o desenvolvimento regional ao encurtar distâncias até mercados da Ásia e da costa oeste das Américas. Ele argumentou que a nova rota tende a reduzir custos logísticos, ampliar a margem de lucro dos exportadores e estimular a instalação de armazéns, terminais de cargas e plantas de beneficiamento ao longo do percurso.

Na avaliação do ex-titular da Semadesc, a integração entre agroindustrialização em Campo Grande, expansão do gás natural em Dourados e a conectividade proporcionada pela Rota Bioceânica forma um conjunto de iniciativas capazes de posicionar Mato Grosso do Sul em patamar mais competitivo no cenário nacional. Ele reforçou, contudo, que a eficiência dessas medidas depende de investimentos coordenados em infraestrutura e de marcos regulatórios estáveis.

Ao longo da entrevista, Verruck reiterou a necessidade de diálogo entre governo estadual, prefeituras, setor produtivo e instituições financeiras para assegurar a continuidade dos projetos. Segundo ele, a convergência de esforços é decisiva para dinamizar cadeias produtivas, gerar empregos e consolidar o Estado como um polo de transformação agroindustrial.