Na madrugada de quarta‑feira (23), duas jovens foram assassinadas na casa alugada por Vitória Gabriela de Souza Cordeiro, 18, em Rochedo, Mato Grosso do Sul. A vítima foi acompanhada por Ellen Vitória Moreira da Cruz, 20, que havia chegado de viagem para passar a noite. O crime, motivado por um desentendimento envolvendo a guarda de entorpecentes, chocou a comunidade local e mobilizou as forças de segurança durante todo o dia.
Segundo o delegado da Polícia Civil de Rochedo, Valmir Moura Fé, os suspeitos chegaram ao imóvel por volta das 3 h da madrugada, atraídos pela presença de Ellen. O primeiro, identificado como Luiz Carlos, conhecido pelo apelido “Bob”, iniciou uma discussão com as vítimas por causa de droga que, segundo depoimento de Lucas Batista Ferreira, seria guardada por Ellen contra a vontade de um comparsa que falava com eles ao telefone.
Conforme o relato de Moura Fé, os agressores encurralaram as duas no quarto e as submeteram a violência extrema: chutes, socos, cortes superficiais com faca e, posteriormente, asfixia. O delegado descreveu que Luiz Carlos e Lucas usaram coturnos e uma faca, além de tentarem enforcar as vítimas com as próprias mãos e com uma corda. A perícia ainda deve emitir o laudo definitivo, mas a primeira constatação aponta asfixia como causa da morte, com Ellen tendo recebido vários golpes na cabeça.
As investigações ainda analisam se o objetivo inicial era um roubo seguido de homicídio. O delegado afirmou que os celulares das vítimas foram levados e depois recuperados, o que sustenta a hipótese de roubo. O caso permanece registrado como duplo homicídio; o enquadramento como feminicídio foi descartado, pois não havia vínculo afetivo entre agressores e vítimas.
Investigação policial
As equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar refizeram os passos dos suspeitos, descartando informações falsas que surgiram no início da apuração. O comandante da Força Tática da Polícia Militar, segundo‑tenente Tiago Teixeira Falcão Alves, explicou que uma primeira pista apontou um homem detido no fórum de Rio Negro, mas a perícia descartou sua participação. Uma testemunha também alegou a presença de dois homens encapuzados, história que foi posteriormente retificada quando a mesma testemunha reconheceu a participação direta de Lucas.
Com o nome de Lucas Batista Ferreira em mãos, as guarnições localizaram a família que tentava ajudá‑lo a fugir da cidade. Ele foi interceptado em carro próximo a uma rotatória de acesso a Rochedo, acompanhado pelos tios. Durante a abordagem, Lucas confessou o crime, confirmou a parceria com Luiz Carlos e informou que as drogas encontradas na casa foram levadas para a residência de um adolescente. A polícia encontrou os entorpecentes com o menor, que foi ouvido e terá que responder por ato infracional análogo ao tráfico.
Em sequência, a PM e a Polícia Civil fecharam o cerco ao esconderijo de Luiz Carlos. A irmã do suspeito indicou onde ele havia enterrado os celulares das vítimas no fundo do quintal. Quando a equipe chegou ao local, Luiz Carlos se trancou em um quarto e reagiu armado contra os policiais. O confronto resultou em ferimento de um agente e na morte de Luiz Carlos, que não resistiu aos disparos.
Contexto local
O duplo homicídio reavivou o trauma da população de Rochedo, que ainda recorda outro episódio violento ocorrido em novembro do ano anterior, quando duas mulheres e uma criança foram encontradas mortas na mesma cidade. O delegado Moura Fé ressaltou que o caso atual não se trata de conflito doméstico, mas reflete a presença de movimentações do tráfico de entorpecentes em municípios pequenos, onde criminosos acreditam encontrar menor fiscalização.
Segundo o delegado, “pessoas ligadas ao tráfico acabam buscando cidades pequenas achando que encontrarão facilidade para se esconder ou para usar o município como ponto de passagem de drogas com menor fiscalização”. Ele destacou que a ação conjunta das polícias demonstra que a resposta a crimes desse tipo pode ser imediata e eficaz.
Lucas Batista Ferreira foi autuado em flagrante por duplo homicídio qualificado, tráfico de drogas e corrupção de menores, aguardando decisão judicial sobre a prisão preventiva. O adolescente que recebeu as drogas responderá por ato infracional análogo ao tráfico. A Polícia Civil tem 30 dias para concluir o inquérito e entregá‑lo à Justiça, que determinará a fase processual e eventual condenação.
O próximo passo da investigação inclui a análise pericial dos celulares apreendidos, que passarão por perícia digital para confirmar as orientações recebidas por Luiz Carlos. A autoridade policial também informou que continuará monitorando possíveis desdobramentos ligados ao tráfico na região, a fim de prevenir novos episódios violentos. Enquanto isso, a comunidade de Rochedo permanece em estado de alerta, aguardando as decisões judiciais que definirão o destino dos acusados e a resposta institucional ao crime que abalou a cidade.







