A autocoleta ginecológica ganhou destaque como alternativa para ampliar o rastreamento do câncer do colo do útero. A técnica permite que a própria mulher colete a amostra para a pesquisa de HPV em casa. A médica patologista Gisele Iguma, responsável técnica pelo laboratório Lapac, em Dourados, explicou o método em entrevista ao Microfone Aberto.
Segundo a especialista, o dispositivo foi desenvolvido para ser simples de utilizar. No entanto, ela ressaltou a importância de a paciente receber instruções claras antes da coleta. No Lapac, a orientação inclui o uso correto do coletor e a devolução da amostra ao laboratório.
Ampliação do acesso
Gisele afirmou que o foco principal da autocoleta não é substituir a consulta com o ginecologista. O objetivo é ampliar o acesso à saúde de mulheres que deixam de fazer o rastreamento por vergonha ou dificuldade de acesso. A possibilidade de realizar a coleta em casa pode aproximar essas pacientes do diagnóstico precoce.
A médica também alertou sobre a etapa seguinte ao exame. Um resultado positivo para HPV não significa que a mulher tenha câncer. O resultado precisa ser avaliado para definir o acompanhamento adequado. Alguns tipos do vírus exigem investigação mais detalhada, e a paciente recebe orientações conforme o risco identificado.
As diretrizes brasileiras para o rastreamento com teste de DNA-HPV estabelecem condutas específicas de acordo com o risco. No Sistema Único de Saúde (SUS), o rastreamento é indicado, em geral, para pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. A avaliação individual deve ser feita com um profissional de saúde.
Por fim, Gisele incentivou as mulheres a manterem os cuidados preventivos em dia, mesmo sem sintomas. A orientação é clara: não esperar sentir alguma coisa para procurar um médico. A prevenção continua sendo a melhor ferramenta contra o câncer do colo do útero.







