Uma força-tarefa do governo federal desativou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas online. A ação ocorreu após a edição da medida provisória (MP) que proibiu as bets no Brasil. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) liderou a operação em conjunto com o Ministério da Fazenda.
Além dos sites, as autoridades identificaram 43 canais e grupos no Telegram usados para divulgar apostas e cassinos. Esses canais somam 212,6 mil membros. O objetivo central da iniciativa é interromper o acesso a plataformas que operam sem autorização legal no país.
Monitoramento digital
O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) mapeou a presença de anúncios de apostas em grandes plataformas de tecnologia. Foram encontrados registros na Meta, no Google e no TikTok. As publicidades direcionavam usuários para novos cadastros e ofereciam bônus financeiros como incentivo.
No Google, o levantamento identificou 1,9 mil anúncios de bets. O ministério destacou, porém, a dificuldade de determinar quais desses anúncios eram novos e quais já existiam antes da publicação da medida provisória. A MP, editada na sexta-feira (25), estabelece um prazo de dez dias para a retirada de publicidade já em circulação e proíbe a veiculação de novos anúncios.
Na Meta, foram encontrados sete anúncios, sendo dois iniciados durante a vigência da nova regra. O relatório recomenda que a empresa seja notificada para remover as publicidades veiculadas após a edição da MP. O Ciberlab apontou que alguns anúncios usavam nomes de páginas diferentes das marcas divulgadas e links com domínios que não correspondiam às empresas anunciadas, o que pode indicar ocultação do anunciante.
Novos endereços surgem
Após a publicação da MP, surgiram 440 novos sites de apostas sem registro no Brasil, segundo levantamento do site Bet Legal, mantido pela Iron Security. A plataforma começou a contabilizar as bets irregulares em 1º de setembro, com os primeiros sites identificados a partir de 21 de setembro, quatro dias antes da proibição.
A relação dos canais do Telegram foi encaminhada neste domingo (27) aos órgãos competentes da Fazenda e da Justiça. O objetivo é a análise técnica e administrativa dos operadores e a adoção das medidas cabíveis. Entre os conteúdos identificados estavam promessas de 260% de lucro mensal, oferta de robôs para apostas e alegações de taxas de acerto de até 99,8%.
Segundo o MJSP, o monitoramento busca evitar que a oferta de apostas migre para redes sociais, aplicativos, grupos fechados ou plataformas hospedadas fora do país. O Ciberlab informou que continuará monitorando as plataformas para verificar o cumprimento das regras e solicitou medidas das empresas de tecnologia para identificar páginas com identidade dissimulada e links mascarados.







