No primeiro turno das eleições de 2024 em Mato Grosso do Sul, a taxa de abstenção cresceu de forma desigual. Nos seis municípios onde o ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu, o índice subiu 3,6 pontos percentuais, passando de 23,93 % para 27,53 %. Em contraste, nos 73 municípios conquistados por Flávio Bolsonaro (PL) o aumento foi de 1,7 ponto, de 22,03 % para 23,76 %. O levantamento, feito a partir dos arquivos oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e analisado pelo RCN67, indica que a ausência maior nos redutos petistas teve pouco efeito no resultado estadual.
A diferença de crescimento reflete‑se também no número absoluto de eleitores. As seis cidades onde Lula venceu – Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina – somam 57.682 eleitores, menos de 3 % do eleitorado total do estado. Mesmo com a elevação da abstenção nesses municípios, a vantagem de Flávio Bolsonaro no total de votos válidos manteve‑se praticamente a mesma.
Abstenção nos municípios
Entre os redutos petistas, as maiores elevações ocorreram em Paranhos e Tacuru. Em Paranhos, a taxa de eleitores que deixaram de comparecer às urnas saltou de 26,41 % para 33,67 %, a segunda maior alta do estado. Em Tacuru, o índice passou de 26,95 % para 33,41 %. Miranda, que concentra o maior colégio eleitoral entre as seis cidades, registrou aumento de 24,57 % para 27,72 %.
Nos municípios vencidos por Flávio Bolsonaro, a elevação da abstenção também foi significativa. Santa Rita do Pardo registrou a maior alta do estado, com 7,7 pontos percentuais, atingindo 33,75 % de eleitores ausentes. No conjunto, a abstenção cresceu em 60 dos 79 municípios analisados. O município com a maior taxa de não comparecimento foi Inocência, onde 35,44 % dos 7.251 eleitores aptos ficaram em casa, seguido por Água Clara, que ficou em quinto lugar com 33,49 %.
Impacto no resultado
Para avaliar o peso dos ausentes, o estudo simulou um cenário de comparecimento total, atribuindo aos eleitores que faltaram a mesma distribuição de votos dos que compareceram em cada município. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro teria 58,56 % dos votos válidos e Lula 34,78 %. Os números oficiais registraram 58,60 % para Flávio e 34,68 % para Lula, reduzindo a margem de vitória de 23,9 para 23,8 pontos.
Em termos absolutos, Flávio deixou mais eleitores em casa, pois sua base é maior no estado. Se a taxa de abstenção de 2022 fosse mantida, cerca de 35,6 mil eleitores a mais teriam votado. A simulação indica que aproximadamente 19,9 mil desses votos iriam para Flávio e 12,2 mil para Lula, representando perdas de 2,27 % e 2,35 % do total de votos, respectivamente. A diferença de votos, porém, não explica a queda de 71.468 votos de Lula em relação a 2022.
Ao todo, 483.210 dos 2.024.430 eleitores aptos em Mato Grosso do Sul não compareceram, resultando em uma taxa de 23,87 % – a maior entre as 27 unidades da federação e acima da média nacional de 21,08 %. Em Campo Grande, a abstenção chegou a 20,11 %, frente a 17,55 % em 2022, com temporais na manhã da votação concentrando 16,5 mil dos 42,4 mil eleitores ausentes no estado. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, desembargador Carlos Eduardo Contar, avaliou que o índice ficou próximo da média histórica do estado, que ele previa entre 23 % e 25 %.








