O aumento das chuvas e as temperaturas elevadas despertaram um novo alerta para a dengue, chikungunya e zika no município de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Embora os números de casos confirmados estejam dentro dos limites considerados satisfatórios pelas autoridades, o risco de surgimento de novos criadouros do mosquito Aedes aegypti tem motivado a intensificação das ações de controle.
De janeiro a outubro de 2024, Três Lagoas registrou 91 casos confirmados de dengue, 25 de chikungunya e um de zika. Esses dados foram divulgados em reunião do Comitê Municipal de Combate à Dengue, que reúne representantes de diferentes setores responsáveis pela prevenção e combate das arboviroses.
Segundo o coordenador de Endemias, Alcides Ferreira, o cenário epidemiológico atual ainda é considerado tranquilo, mas as condições climáticas exigem atenção redobrada. “A combinação de chuva e calor favorece o acúmulo de água e a reprodução do mosquito transmissor”, afirmou.
Alerta de saúde
Ferreira relatou que as equipes de vigilância têm encontrado focos do Aedes aegypti em residências, estabelecimentos comerciais e até em espaços públicos. Por isso, a orientação é intensificar as atividades de inspeção e eliminação de criadouros durante o período de maior volume de chuvas, a fim de evitar um aumento expressivo de casos no início do próximo ano.
As reuniões do comitê são realizadas mensalmente, com o objetivo de avaliar o cenário epidemiológico e definir estratégias de prevenção e combate. Entre as medidas adotadas pela equipe de Endemias estão visitas domiciliares a cada dois meses, tanto em casas quanto em estabelecimentos comerciais. Pontos estratégicos, como borracharias, ferros‑velhos e floriculturas, recebem visitas quinzenais.
Além das inspeções, são realizados bloqueios de casos notificados nas unidades de saúde e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com aplicação de inseticida por meio de bomba costal motorizada para combater o mosquito adulto. Outras ações incluem o recolhimento de pneus inservíveis, a aplicação de inseticida em bueiros e visitas a imóveis disponíveis para locação ou venda, em parceria com imobiliárias.
Ações de prevenção
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Adriana Spazzapan, avaliou que os números atuais de notificações e confirmações são satisfatórios, destacando que a maioria das amostras analisadas tem apresentado resultado negativo. Contudo, alertou que a mudança nas condições climáticas pode alterar esse cenário rapidamente.
Um ponto de atenção adicional é a circulação dos diferentes sorotipos do vírus da dengue. Até o momento, apenas o sorotipo 3 foi identificado no município neste ano. A eventual presença de outros sorotipos pode favorecer o aumento de casos, sobretudo se houver grande quantidade de mosquitos transmissores.
As autoridades de saúde também ressaltam a preocupação com a chikungunya, devido ao risco de sequelas prolongadas que podem comprometer a rotina e a capacidade de trabalho dos pacientes. A população, por sua vez, tem papel fundamental na prevenção. As recomendações incluem eliminar recipientes que acumulem água, manter quintais limpos e verificar regularmente calhas, ralos, vasos de plantas e outros locais propícios ao desenvolvimento do vetor.
As equipes de saúde recomendam que esses cuidados sejam mantidos ao longo de todo o período chuvoso. A eliminação de água parada e a identificação precoce de possíveis focos são medidas essenciais para reduzir o risco de transmissão da dengue, chikungunya e zika nos próximos meses.








