O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) fez sua estreia no ParaJIF Nacional em 2026 e marcou presença com a maior equipe da categoria paradesporto entre as instituições participantes. A delegação, formada por oito estudantes-atletas, competiu em Goiânia (GO) e retornou com diversas medalhas no atletismo, consolidando a participação da instituição na modalidade.
A competição, encerrada na sexta-feira, 23, integrou a etapa nacional dos Jogos das Instituições Federais (JIF). O IFMS disputou o paratletismo com uma equipe dedicada exclusivamente ao paradesporto. A formação da delegação partiu da manifestação de interesse dos próprios estudantes e da articulação com professores de Educação Física dos campi Corumbá, Dourados, Naviraí, Nova Andradina e Paranaíba.
Desempenho e medalhas
Os atletas competiram em provas de 50 e 100 metros rasos, arremesso de peso e lançamento de dardo. O resultado foi expressivo, com destaque para a conquista de medalhas de ouro, prata e bronze. A tabela oficial da competição registra os seguintes destaques individuais:
Arthur Nascimento conquistou o ouro no lançamento de dardo. Cleuton Andrade, do Campus Dourados, venceu os 100 metros rasos. Eduardo Freitas, do Campus Paranaíba, também levou o ouro no lançamento de dardo. Fernando Meira garantiu a prata no arremesso de peso. Maicon Pereira e Maria Martins, ambas do Campus Paranaíba, conquistaram o ouro nos 100 metros rasos. Victoria Carrelo, do Campus Corumbá, venceu o lançamento de dardo. Yasmin Barros, do Campus Paranaíba, completou o quadro de ouros nos 100 metros rasos.
Anderson Corrêa, pró-reitor de Extensão do IFMS, afirmou que a participação inédita representa um avanço para a instituição. Segundo ele, a iniciativa amplia a inclusão e a representatividade da delegação nos Jogos. O gestor destacou que o JIF proporciona integração, convivência, superação e troca de experiências entre estudantes de diferentes campi e instituições da Rede Federal.
Preparação e inclusão
Ianamary Marcondes, professora de Educação Física do Campus Paranaíba e responsável pela equipe de paradesporto, explicou que a delegação foi definida em diálogo com docentes da área nos campi. A modalidade ainda não está inserida nas etapas estadual (JIFMS) e regional (JIF Centro-Oeste) dos Jogos. Os estudantes treinaram nas próprias unidades entre o fim de setembro e o início da competição.
Apesar do curto período de preparação, a equipe obteve bom desempenho. Ianamary destacou que, com tempo e investimento, o paradesporto no IFMS tem grande potencial de desenvolvimento. A seleção ocorreu a partir do interesse dos estudantes, com apoio dos professores de cada campus na preparação para o evento. O material divulgado pelo IFMS informa a conquista de medalhas de ouro, prata e bronze, mas não apresenta o total consolidado de medalhas nem a relação completa de todos os premiados.
Eduardo Freitas, estudante do curso técnico integrado em Informática do Campus Paranaíba, foi um dos destaques. Ele conquistou medalha de ouro em duas provas e estabeleceu o recorde atual da competição no arremesso de peso, com a marca de 8,72 metros. Freitas relatou que já tinha praticado outras modalidades, como o handebol, mas só agora entrou para o atletismo. Ele avaliou que o resultado foi melhor do que esperava, considerando o pouco tempo de treino, e pretende continuar competindo, inclusive na disputa convencional.
Victória Carrelo, estudante do curso técnico integrado em Informática do Campus Corumbá, também teve desempenho de destaque. Ela venceu as provas de arremesso de peso e lançamento de dardo. Para a estudante, é um orgulho fazer parte do momento, que é marcante tanto para os alunos quanto para a instituição.
Cleuton Andrade, do Campus Dourados, conquistou ouro nos 100 metros rasos e também competiu nos 50 metros. O estudante, que já representou o IFMS nas Paralimpíadas Escolares de Mato Grosso do Sul (Paraesc), relaciona a prática esportiva ao acesso a oportunidades dentro da instituição. Ele relatou que sempre teve interesse na prática esportiva, mas só quando ingressou no IFMS passou a ter oportunidades. Cleuton mencionou que muitas vezes as pessoas com deficiência são vistas de modo capacitista, como se fossem incapazes de praticar esportes e competir. No entanto, ele enfatizou que a equipe demonstra uma capacidade intrínseca, que às vezes não é desenvolvida por falta de incentivo.
O incentivo dos professores e a participação em treinos e competições tiveram impacto direto na trajetória escolar de Cleuton. Ele mora em outro município e percorre 120 quilômetros por dia para estudar no Instituto Federal. Para o estudante, parte importante do apoio que recebe está ligada ao ambiente do IFMS. Ele ressaltou que o potencial identificado pelos professores é fundamental e que treinar e competir foi decisivo para sua permanência na instituição.
O capacitismo mencionado pelo estudante se caracteriza pelo preconceito e pela discriminação contra pessoas com deficiência, com base na ideia de que elas seriam menos capazes. No ambiente educacional e esportivo, essa prática pode aparecer na falta de acessibilidade, na ausência de recursos adequados e em atitudes que subestimam habilidades e potencialidades dos estudantes. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as desigualdades educacionais ainda atingem de forma mais intensa as pessoas com deficiência, tanto na conclusão da educação básica quanto na frequência escolar entre adolescentes.
A estreia nacional ampliou a visibilidade do paradesporto no IFMS, mas a instituição ainda tem o desafio de garantir acesso contínuo às práticas esportivas para estudantes com deficiência, e não apenas em eventos pontuais. Ianamary defende a inserção das modalidades paradesportivas nas etapas estadual e regional dos Jogos do Instituto Federal, como forma de ampliar a participação dos estudantes e fortalecer a prática em todos os campi.
A professora também aponta a necessidade de formação de profissionais, compra de materiais e equipamentos adaptados, acessibilidade nos espaços esportivos e projetos de ensino e extensão voltados ao paradesporto. O objetivo é consolidar o paradesporto como parte da política institucional de esporte e inclusão, reconhecendo o esporte como um direito de todos os estudantes e garantindo condições para que as pessoas com deficiência possam vivenciar, desenvolver suas potencialidades e participar das diferentes manifestações da cultura corporal.
O JIF Nacional 2026 foi sediado pelo Instituto Federal de Goiás (IFG) e contou com a maior delegação do IFMS na história dos Jogos. Ao todo, 58 estudantes-atletas representaram a instituição nas modalidades de atletismo, basquete, judô, tênis de mesa, vôlei, xadrez e paradesporto. Além da estreia no ParaJIF, o Instituto teve pela primeira vez duas equipes em modalidades coletivas e representantes no xadrez masculino. A delegação conquistou 19 prêmios individuais e por equipes.
Anderson Corrêa enfatizou que a participação se deu a partir da mobilização de diferentes setores para viabilizar recursos, transporte, alimentação, hospedagem, seguro e todos os demais aspectos envolvidos. Esse esforço demonstra a importância que o IFMS atribui ao esporte como parte da formação integral dos estudantes. O ParaJIF chegou à segunda edição dentro da programação nacional dos Jogos das Instituições Federais. A primeira participação do paradesporto ocorreu em 2025, em Natal (RN), e a edição de 2026 reuniu 13 delegações, com disputas de atletismo e natação, 18 atletas nas competições femininas e 26 nas masculinas.
A estreia do IFMS deixa o paradesporto mais presente na agenda esportiva da instituição. A partir dos resultados em Goiânia, reforça-se a pressão interna para que a modalidade avance também nas fases estadual e regional dos Jogos, garantindo maior estrutura e continuidade para os atletas.







