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Diretor‑geral do Grupo RCN defende leitura e senso crítico na era digital

Na noite de sexta‑feira (6), durante a 9ª Feira Literária do Colégio Anglo, em Três Lagoas, o diretor‑geral do Grupo RCN de Comunicação, Rosário Congo Neto, concedeu entrevista ao RCN Mob e reforçou que o contato com os livros permanece essencial para a formação de crianças e jovens, mesmo diante da crescente presença digital.

O evento, que colocou a literatura no centro da conversa, serviu de palco para que Rosário ressaltasse o papel das narrativas – de histórias fantasiosas a lendas e textos literários – na estimulação da sensibilidade, imaginação e raciocínio dos estudantes. “Eu acho muito relevante a iniciativa do Colégio Anglo em abordar esse tema”, afirmou, destacando a contribuição da literatura para a formação humanística dos alunos.

Ao abordar o avanço tecnológico, o diretor‑geral reconheceu a importância do acesso ao mundo digital, mas apontou o uso excessivo do celular como um dos grandes desafios enfrentados por famílias e escolas. Segundo ele, crianças e adolescentes precisam ter contato com a tecnologia, desde que isso não substitua a leitura nem comprometa o desenvolvimento do pensamento crítico. “O grande desafio é desconectar a juventude, a criançada mesmo, do celular e estabelecer um horário diário de leitura para as crianças”, declarou.

Rosário sugeriu que a leitura seja apresentada como um desafio possível, sem exigir livros extensos logo de início. “Tem livros de literatura que são fininhos, com histórias resumidas, rápidas, de modo que a criança exercite um raciocínio lógico, o entendimento do que leu e saiba discorrer sobre o que foi lido”, explicou, indicando que obras curtas podem ser portas de entrada para o hábito da leitura.

Leitura e tecnologia

O diretor‑geral também alertou para os riscos da navegação digital descontrolada, descrevendo as redes sociais como “muito poluídas” e defendendo um acompanhamento mais atento dos pais. Ele enfatizou que a permanência por muitas horas diante do telefone pode ser nociva, sobretudo quando o uso ocorre sem limites, prejudicando a capacidade de concentração e o desenvolvimento de habilidades críticas.

Um dos momentos simbólicos da participação de Rosário na feira foi a exposição de uma máquina de escrever, que serviu como ponto de partida para refletir sobre a evolução da escrita, da comunicação e das redações jornalísticas. O equipamento foi adquirido quando seu pai mantinha um escritório de advocacia em Três Lagoas e, posteriormente, foi levado para o Jornal do Povo, onde passou anos sendo usado na produção de artigos e matérias.

“Ela realmente passou a ter um valor sentimental muito grande, porque foi usada mais pelo meu pai que por qualquer outra pessoa”, relatou Rosário, lembrando que, no Jornal do Povo, a máquina esteve presente em uma fase da redação apoiada pelo professor Benedito Costa e pelo capitão Oscar Botelho. O próprio Rosário chegou a utilizá‑la algumas vezes, antes que os computadores dominassem as redações.

Mesmo reconhecendo os avanços tecnológicos, Rosário fez ressalvas sobre o uso da inteligência artificial no jornalismo. Para ele, as ferramentas podem auxiliar em correções, mas não devem substituir a capacidade do jornalista de narrar os fatos concretos do cotidiano. “Eu sempre falo que não se deve usar a redação da inteligência artificial para o jornalismo, porque o jornalismo é a narrativa dos fatos concretos que ocorrem no cotidiano da cidade e do mundo que nos cerca”, disse, defendendo que o profissional deve reunir informações, condensar conhecimento e transformar isso em notícia clara, objetiva e concisa, seja no impresso ou no digital.

Desafios familiares

Ao deixar uma mensagem para estudantes e familiares, Rosário reforçou que pais e mães têm papel central na formação das crianças. Ele afirmou que cabe à família encaminhar os filhos para a escola e incentivá‑los a buscar conhecimento, preparando‑os para a vida adulta e para o mercado de trabalho. “O desafio do pai e da mãe é encaminhar a criança, o seu filho, para os desafios do futuro”, resumiu.

Na visão do diretor‑geral, a educação forma a base para o futuro: a criança que desenvolve interesse pelos estudos acumula conhecimento ao longo da trajetória e chega mais preparada aos desafios futuros. Ele defendeu que uma boa formação no ensino médio cria base sólida para o ensino superior ou técnico, permitindo ao estudante compreender melhor os conteúdos apresentados em sala de aula. “À medida que você desenvolve a criança para o estudo e para a leitura, ela vai amealhando conhecimento e vai se preparando melhor para os desafios que a vida adiante oferece”, afirmou.

Encerrando a entrevista, Rosário destacou que inovação e livros não precisam caminhar em lados opostos quando o objetivo é formar estudantes mais preparados e críticos. Ele apontou que escolas, famílias e a própria mídia têm responsabilidade conjunta de equilibrar o acesso à tecnologia com a promoção da leitura, de modo a garantir que a próxima geração desenvolva senso crítico, imaginação e capacidade de análise diante das transformações digitais.