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Morte de menina de 4 anos por escorpião destaca aumento de acidentes em Três Lagoas

Uma menina de quatro anos morreu após ser picada por um escorpião no último domingo (1º) em Três Lagoas, MS. O caso reacendeu o debate sobre a presença desses aracnídeos nas áreas urbanas e a vulnerabilidade das crianças diante de um problema que tem apresentado crescimento nos registros municipais.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a criança foi socorrida e encaminhada ao Hospital Regional, referência pediátrica para o tratamento com soro antiescorpiônico. O antídoto, disponível apenas em ambiente hospitalar, foi administrado, mas a vítima não resistiu.

Os dados da Vigilância em Saúde apontam que, entre janeiro e outubro de 2026, foram contabilizados 957 acidentes envolvendo escorpiões no município. Desses, 108 ocorreram com crianças, representando 11,3% dos registros. O número acumulado até o momento já ultrapassa os 942 acidentes registrados ao longo de todo o ano de 2025.

Estatísticas 2026

A evolução dos números evidencia a dimensão do problema. Em 2024, foram 518 ocorrências; no ano seguinte, o total subiu para 942, um crescimento de aproximadamente 82%. Mesmo com dois meses ainda fora do levantamento, os registros de 2026 já superaram o total de 2025, indicando tendência de alta.

Os bairros com maior concentração de acidentes são São Carlos, Guanabara, Novo Oeste, Vila Haro e Vila Piloto. A dispersão geográfica demonstra que a presença de escorpiões não se restringe a uma única região da cidade, exigindo atenção em diferentes áreas residenciais.

O período chuvoso intensifica o risco. Georgia Medeiros, coordenadora do setor de Entomologia, explica que as chuvas provocam deslocamento dos escorpiões, que deixam seus esconderijos em busca de água, abrigo e alimento, facilitando a entrada nas casas. Além disso, a fêmea pode se reproduzir sem a necessidade de macho, gerando até 30 filhotes de uma só vez, o que favorece a multiplicação da espécie.

Medidas de prevenção

Diante do cenário, a Secretaria Municipal de Saúde mantém monitoramento constante das ocorrências. Os endereços onde os acidentes são registrados são enviados ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que entra em contato com os moradores, oferece orientações e avalia providências. Ao longo do ano, são realizadas atividades educativas sobre prevenção e cuidados domésticos.

A orientação oficial é que qualquer pessoa picada por escorpião procure atendimento médico imediato. Em Três Lagoas, o Hospital Auxiliadora e o Hospital Regional dispõem do soro antiescorpiônico. Caso a vítima chegue primeiro à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), recebe assistência inicial e, se necessário, é transferida para um dos hospitais de referência com apoio do SAMU.

O falecimento da criança reforça a necessidade de vigilância nos ambientes domésticos, sobretudo em locais onde crianças brincam, dormem ou permanecem durante boa parte do dia. As autoridades continuam o monitoramento dos casos, ampliando as ações educativas e reforçando a importância da busca rápida por atendimento médico para reduzir a mortalidade decorrente desses acidentes.