Uma operação articulada entre a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ilha Solteira, no interior paulista, e a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, impediu que uma mulher concretizasse tentativa de suicídio na tarde desta quarta-feira. A rápida circulação de informações entre as equipes policiais e a chegada ágil do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram determinantes para preservar a vida da vítima, localizada dentro de um carro nas proximidades da ponte que liga os dois estados, região do bairro Jupiá.
O caso começou quando um morador de Ilha Solteira procurou a DDM local depois de receber mensagens enviadas por uma amiga que vive em Três Lagoas. Nos áudios e fotos, a mulher relatava que sua vida “havia acabado” e demonstrava intenção de se matar. De acordo com o depoimento do comunicante, a amiga mencionou que estava nas imediações da travessia sobre o rio Paraná, ponto de ligação entre São Paulo e Mato Grosso do Sul. Considerada a urgência da situação, os policiais paulistas acionaram imediatamente a DAM sul-mato-grossense, repassando localização aproximada, conteúdos das conversas e contatos telefônicos da vítima.
Enquanto uma equipe da DAM seguia em viatura até a área indicada, investigadores que permaneceram na delegacia obtiveram êxito em estabelecer diálogo com a mulher por meio de um aplicativo de mensagens. Nas trocas virtuais, ela confirmou que pretendia tirar a própria vida, mas concordou em compartilhar referências do local exato e solicitou ajuda. Com essas coordenadas mais precisas, a patrulha intensificou as buscas, percorrendo trechos de acesso à ponte e estradas adjacentes.
Os agentes encontraram o veículo da vítima estacionado em ponto de difícil visualização, com vidros totalmente fechados e portas travadas. Dentro do automóvel, a mulher apresentava sinais evidentes de sofrimento psicológico e quase não respondia aos estímulos externos. Ao ser retirada do interior do carro, informou que havia ingerido um frasco inteiro de diazepam, medicamento de uso controlado com efeitos sedativos, com o objetivo de perder a consciência e morrer. Diante do quadro de risco iminente, os policiais acionaram o Samu, que chegou poucos minutos depois com equipe médica e equipamentos de suporte vital.
No atendimento pré-hospitalar, os profissionais realizaram procedimentos de estabilização, incluindo monitoramento de sinais vitais e administração de oxigênio. Em seguida, a vítima foi encaminhada ao hospital de referência em Três Lagoas para avaliação psiquiátrica e controle de eventual intoxicação pelo fármaco. Durante o deslocamento da ambulância, familiares previamente contatados pelas autoridades foram informados sobre o estado de saúde e orientados a comparecer à unidade de saúde. Eles também providenciaram a retirada do automóvel do local da ocorrência, sob supervisão policial.

Imagem: Divulgação
Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul destacou que a integração entre as delegacias especializadas, aliada à comunicação imediata de um amigo da vítima, foi fundamental para o resgate em tempo hábil. A corporação reiterou a importância de levar a sério qualquer manifestação de sofrimento emocional ou menção a suicídio, ressaltando que amigos, parentes e pessoas próximas exercem papel crucial ao buscar auxílio profissional e acionar os serviços públicos competentes diante de sinais de risco. O organismo policial acrescentou que, em emergências dessa natureza, o acionamento simultâneo das forças de segurança e das equipes de saúde aumenta significativamente as chances de evitar desfechos fatais.
Embora o episódio tenha terminado com a preservação da vida, as autoridades lembram que casos de tentativa de suicídio exigem acompanhamento contínuo da rede de saúde mental. O Samu mantém equipes capacitadas para primeiros socorros em crises emocionais, enquanto as delegacias de atendimento à mulher e demais unidades especializadas permanecem à disposição para intervenções em situações que envolvam vulnerabilidade psicológica. A orientação geral é de que, diante de qualquer sinal de autolesão iminente, o contato imediato com linhas de emergência e profissionais habilitados seja priorizado.
O atendimento concluído nesta quarta-feira reforça o valor da cooperação interinstitucional e do engajamento da comunidade na prevenção ao suicídio. Em contextos de crise, a rapidez no compartilhamento de informações precisas e a articulação entre órgãos de diferentes estados podem representar a diferença entre a vida e a morte.








