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Advogadas apontam crescimento da presença feminina e desafios de credibilidade

Da esquerda para a direita: Christiane Moreira e Caroline Ferrari Foto: Ana Lorena Franco/ Portal RCN67

A presença feminina na advocacia tem aumentado, mas as profissionais ainda relatam dificuldades de reconhecimento, credibilidade e conciliação entre carreira e vida pessoal, segundo entrevista concedida às advogadas Christiane Moreira e Caroline Ferrari.

Christiane Moreira, com mais de vinte anos de atuação nas áreas trabalhista, empresarial e de família, afirma observar uma evolução gradual no número de mulheres no setor e destaca a capacidade de ouvir e mediar conflitos como diferencial na prática jurídica.

“A mulher vem ganhando seu espaço. Acho que tem muito mais advogadas, juízas, no poder de direção hoje em dia”, disse Christiane.

Caroline Ferrari concentra sua atuação em Direito do Consumidor e Bancário e ressalta que ouvir o cliente é fundamental, pois muitas pessoas chegam ao escritório sem conhecer todas as alternativas de solução.

Para Caroline, a credibilidade ainda representa um obstáculo: ela relata ter sido questionada por clientes que preferiam ser atendidos por um homem e ter enfrentado dúvidas sobre sua capacidade profissional por ser mulher.

“A gente ainda tem que passar por essas coisas e ter sabedoria”, afirmou a advogada.

Outro ponto citado é a dificuldade de conciliar a carreira com família, relacionamentos e vida social, já que a advocacia costuma exigir disponibilidade fora do horário convencional.

“A mulher ainda tem essa dificuldade”, comentou Caroline ao falar sobre o equilíbrio entre as áreas da vida.

Christiane defende a mediação de conflitos como alternativa ao Judiciário, argumentando que a escuta dos envolvidos permite que cada parte compreenda a perspectiva do outro e facilite acordos, especialmente em disputas familiares e empresariais.

“Você escutar o outro e também colocar cada um no papel do outro para ver a dor de cada um” pode ajudar na busca por solução, explicou.

As duas advogadas apontam a escuta ativa como habilidade essencial; Christiane enfatiza persistência e resiliência, enquanto Caroline acrescenta sensibilidade e estudo contínuo.

Sobre tecnologia, ambas concordam que a inteligência artificial não substituirá o advogado, mas pode ser usada como ferramenta para aprimorar o serviço, mantendo o ser humano como responsável final.

Christiane citou como experiência marcante a defesa trabalhista de uma empresa de transporte interestadual com salários atrasados, onde foram firmados acordos que possibilitaram o pagamento aos funcionários; anos depois, recebeu agradecimento pessoal de um dos trabalhadores.

Ao orientar quem pretende ingressar no Direito, Christiane recomenda persistência e resiliência, e Caroline acrescenta coragem, escuta ativa e disposição para estudar continuamente.

Para as entrevistadas, ocupar espaço na advocacia implica enfrentar dúvidas e resistência sem abandonar a profissão, como ressalta Caroline: “Se a gente fosse parar cada vez que alguém desacreditasse da gente, a trajetória profissional não teria avançado.”

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