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Agronegócio brasileiro avalia expansão global e obstáculos climáticos no FIAP 2026

Representantes do setor agropecuário, autoridades e especialistas reuniram-se em Campo Grande para o Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP 2026). Durante o encontro, o gerente regional da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Pedro Henrique Netto, apresentou um panorama que combina oportunidades expressivas de crescimento externo com desafios relacionados a clima, custos de produção e transformações geopolíticas.

Crescimento sustentado por tecnologia e inovação

Na avaliação de Netto, o agronegócio nacional consolidou protagonismo no comércio mundial após décadas de investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Ele recordou que, na década de 1970, o Brasil era importador líquido de alimentos. A criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a adoção de tecnologias em larga escala, aliadas à atuação de cooperativas, mudaram esse cenário, posicionando o país como terceiro maior exportador global de alimentos e bebidas no ano passado.

Segundo o representante da ApexBrasil, a agência age como facilitadora para que produtos e serviços do setor cheguem a novos mercados, ampliando o impacto do “trabalho duro” realizado no campo brasileiro. O apoio envolve orientação sobre acesso a mercados, participação em feiras e atração de capital estrangeiro voltado à expansão da base produtiva.

Oportunidades comerciais

Entre as possibilidades de curto e médio prazo, Netto destacou o acordo Mercosul-União Europeia, ainda em negociação final. Na visão da ApexBrasil, a consolidação do tratado pode abrir caminhos para diversificar destinos e elevar o valor agregado das exportações agropecuárias.

Além do pacto birregional, foram mencionadas janelas de expansão em nichos de alta demanda, como proteínas animais, algodão, mel, fruticultura e produtos com apelo de sustentabilidade. A agência também enxerga potencial de crescimento em cadeias ligadas à agricultura familiar, consideradas estratégicas para a ocupação de mercados que exigem rastreabilidade, certificações ambientais e comprovação de boas práticas.

Desafios climáticos e geopolíticos

O cenário de oportunidades, porém, é acompanhado por questões que exigem preparação do setor. Eventos climáticos extremos vêm afetando colheitas em diferentes regiões do país, pressionando custos e ampliando riscos. Paralelamente, a elevação dos preços de fertilizantes e combustíveis, intensificada por tensões geopolíticas, impacta diretamente a rentabilidade das propriedades rurais.

No plano internacional, variações nas políticas de grandes compradores ganham relevância. A China, principal destino dos embarques brasileiros, indicou em seu plano quinquenal a intenção de reduzir a dependência externa de alimentos. Esse movimento leva exportadores a diversificar mercados e a buscar diferenciação, reforçando a necessidade de estratégias focadas em valor agregado e eficiência logística.

Atração de investimento estrangeiro

Para atenuar gargalos e elevar competitividade, a ApexBrasil atua na promoção de investimentos externos em infraestrutura. No ano anterior, o Brasil figurou como terceiro maior receptor de investimento estrangeiro direto global, e parcela significativa desses recursos foi direcionada à modernização de projetos ligados ao agronegócio.

Entre os exemplos citados por Netto estão expansões no Porto de Santos, iniciativas em hidrogênio verde e negociações envolvendo malhas ferroviárias. A meta é reduzir custos de transporte, aumentar a oferta de insumos e garantir maior eficiência no escoamento da produção, principalmente das regiões Centro-Oeste e Norte.

Sustentabilidade como diferencial competitivo

A preservação ambiental foi apontada como ferramenta para abrir novos mercados e assegurar a disponibilidade hídrica necessária à produção. Práticas sustentáveis, segundo a ApexBrasil, tendem a gerar vantagens comerciais, pois compradores internacionais valorizam cadeias que comprovem baixo impacto ambiental e responsabilidade social.

Nesse contexto, programas de produção compatível com florestas, integração lavoura-pecuária-floresta e rastreabilidade já figuram entre as iniciativas apoiadas pela agência. A previsão é de que exigências de sustentabilidade aumentem nos próximos anos, reforçando a importância de certificações e de comprovação de boas práticas por parte dos produtores brasileiros.

Preparação para o futuro

Ao final da apresentação, Netto enfatizou que o destaque alcançado pelo Brasil no cenário agrícola resulta de planejamento de longo prazo. Para manter e ampliar a fatia conquistada no mercado global, o país deve continuar investindo em tecnologia, logística e adaptação às mudanças climáticas, além de fortalecer a imagem de fornecedor confiável e sustentável.

O FIAP 2026 é promovido pelo Canal Rural e pela BR IN Eventos, com correalização da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). O fórum reúne lideranças do setor produtivo, representantes internacionais e autoridades para debater segurança alimentar, energia, sustentabilidade e perspectivas da agropecuária brasileira até 2026.

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