A futura unidade de celulose da Arauco, em Inocência (MS), concluiu nesta terça-feira (26) a colocação do principal componente de sua caldeira de recuperação. Um balão de vapor de mais de 300 toneladas foi içado a quase 100 metros de altura e acomodado no topo da estrutura que, segundo a fabricante Valmet, será a maior caldeira do gênero já construída para a indústria de celulose.
O cilindro metálico mede 32 metros de comprimento, 3,15 metros de largura e 3,81 metros de altura. Para erguer a peça, duas gruas de 750 toneladas de capacidade foram mobilizadas, além de equipes técnicas responsáveis por cálculos de peso, centro de gravidade, velocidade de içamento, condições climáticas e estabilidade do terreno.
Trajeto internacional até o canteiro de obras
Produzido na China, o equipamento deixou a Ásia em janeiro e permaneceu em trânsito marítimo por cerca de 45 dias até o Porto de Santos (SP). A etapa rodoviária, concluída em 48 dias, percorreu aproximadamente 1.000 quilômetros entre o litoral paulista e o município sul-mato-grossense de Inocência. Toda a logística foi planejada para manter a integridade do balão de vapor e cumprir o cronograma do Projeto Sucuriú, nome oficial do empreendimento.
Função estratégica na geração de energia
Dentro da planta industrial, o balão de vapor realiza a separação entre água e vapor produzidos na caldeira, processo fundamental para a autossuficiência energética da fábrica. Estimativas da Arauco indicam que a caldeira vai produzir mais de 2.400 toneladas de vapor por hora. Depois de separado, o vapor seco alimentará turbinas capazes de gerar mais de 400 megawatts de eletricidade, volume suficiente para suprir metade do consumo interno da instalação e disponibilizar a outra metade ao Sistema Interligado Nacional.
Planejamento e segurança
Segundo a direção de engenharia do projeto, a complexidade do içamento exigiu meses de preparação, envolvendo simulações, análises de risco e definição de protocolos de segurança. Centenas de profissionais participaram da operação, entre operadores de guindaste, engenheiros de montagem, técnicos de segurança e equipes de sinalização. A movimentação foi classificada pelos envolvidos como um dos maiores desafios de engenharia industrial já executados no país em 2026.
Investimento e capacidade produtiva
O Projeto Sucuriú representa a entrada da divisão de celulose da Arauco no mercado brasileiro. O investimento total soma US$ 4,6 bilhões para erguer uma planta com capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose. O complexo ocupará 3.500 hectares a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência e terá acesso ao Rio Sucuriú. As etapas de terraplenagem começaram em 2024 e a previsão de partida comercial é o final de 2027.
Impacto econômico e social
No pico das obras, a companhia projeta oferecer treinamento e criar mais de 14 mil vagas temporárias. Após o início das operações, aproximadamente 6 mil postos permanentes deverão ser mantidos nas frentes industrial, florestal e de logística. A expectativa da empresa é aumentar a geração de renda regional, expandir a base tributária municipal e atrair novos investimentos ao leste de Mato Grosso do Sul.
Compromissos ambientais
Em todas as fases de implantação, a Arauco afirma realizar monitoramento da flora e da fauna locais, identificando áreas prioritárias para conservação. A companhia também declara adotar práticas de gestão de água, conservação da biodiversidade e captura de carbono, alinhadas aos princípios do Forest Stewardship Council (FSC), certificação que detém em suas áreas florestais no Brasil.
Posição dos fornecedores
A Valmet, responsável pelo fornecimento da caldeira, classificou o projeto como referência mundial em tecnologia de recuperação térmica. A empresa destacou a integração entre engenharia, fabricação, logística e montagem para cumprir os padrões de eficiência e segurança solicitados. A Enesa Engenharia, encarregada da montagem estrutural, informou que o sucesso do içamento atesta a coordenação das equipes e a viabilidade do cronograma global da obra.
Presença da Arauco no Brasil
A companhia opera no país desde 2002 nos segmentos florestal e de madeira, empregando mais de 3 mil colaboradores. O portfólio local inclui três fábricas de painéis em Jaguariaíva (PR), Ponta Grossa (PR) e Montenegro (RS); uma unidade de painéis e molduras em Piên (PR); e uma planta de resinas e químicos em Araucária (PR). A unidade de Inocência será a primeira fábrica de celulose da empresa em território brasileiro.
Com a instalação do balão de vapor, o Projeto Sucuriú atinge um marco técnico considerado decisivo para o avanço da montagem eletromecânica. As próximas etapas incluem a interligação de tubulações, a conclusão da estrutura da caldeira e a integração dos sistemas de geração de energia que sustentarão a operação da futura megafábrica.








