Explosões registradas na madrugada desta quinta-feira em Caracas e em outras regiões da Venezuela intensificaram a crise política no país, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar em rede social que o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, teriam sido capturados e removidos para fora do território venezuelano.
Relato norte-americano
Segundo Trump, a operação teria sido “em larga escala” e conduzida por forças policiais dos Estados Unidos, com o objetivo de deter Maduro. A publicação não especifica o local para onde o casal teria sido levado nem apresenta registros que confirmem a custódia. Até o momento, autoridades norte-americanas não divulgaram detalhes adicionais sobre a suposta detenção.
Resposta de Caracas
O governo venezuelano contestou a versão apresentada pelo presidente norte-americano. Em nota oficial, classificou a ação como “grave agressão militar”, decretou estado de emergência em todo o país e exigiu prova de vida do chefe de Estado e de sua esposa. O comunicado afirma que as explosões afetaram áreas civis e instalações militares nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira e na capital, Caracas, mas não trouxe números de vítimas ou de danos materiais.
Estado de exceção
De acordo com a nota divulgada pelo Palácio de Miraflores, Maduro assinou um decreto de estado de exceção que mobiliza “forças sociais e políticas” e autoriza planos especiais de defesa. O texto sustenta que a operação norte-americana ameaça a paz regional, coloca milhões de vidas em risco e busca “quebrar pela força a independência política” do país, motivada pela disputa por petróleo e minerais estratégicos.
Relatos na capital
Jornalistas que atuam em Caracas relataram ao longo da madrugada detonações e ruídos de aeronaves. As primeiras explosões teriam ocorrido por volta das 2h, com novos registros às 2h38. Moradores relataram sobrevoo constante de aviões após os estrondos. Imagens compartilhadas em redes sociais mostram colunas de fumaça e pontos de incêndio em áreas descritas como zonas ao sul e a leste da capital; a localização, porém, não pôde ser verificada de forma independente.
Contexto recente
O episódio acontece poucos dias depois de entrevista transmitida no Ano-Novo em que Maduro afirmou ter conversado com Trump sobre cooperação no combate ao tráfico de drogas e ofereceu às empresas norte-americanas acesso imediato ao petróleo venezuelano. Durante a gravação, o presidente caminhava por uma área militarizada e, em seguida, dirigia um veículo acompanhado da esposa e do entrevistador, imagens que analistas interpretaram como tentativa de demonstrar controle interno.
Apesar da sinalização, a retórica entre os dois governos já vinha se acirrando. Trump acusa Maduro de comandar um “narcoestado” e havia declarado intenção de retirá-lo do poder. O líder venezuelano nega envolvimento com organizações criminosas e afirma que Washington pretende se apropriar das reservas de petróleo e dos depósitos de minerais de terras raras do país.
Consequências e preocupações
Até o momento, não há confirmação oficial sobre vítimas fatais ou feridos em decorrência das explosões. Analistas consultados por veículos internacionais alertam para risco de escalada militar e possíveis impactos no mercado de petróleo, já que a Venezuela possui uma das maiores reservas do mundo. Também são apontados reflexos diplomáticos para países vizinhos, entre eles o Brasil, que mantém relações comerciais significativas com Caracas e monitora a estabilidade na fronteira norte.
Em meio ao clima de incerteza, governos da América do Sul avaliam a situação e aguardam esclarecimentos sobre o paradeiro de Maduro. Organizações multilaterais ainda não se pronunciaram oficialmente, enquanto cresce a expectativa por declarações de autoridades norte-americanas e venezuelanas que confirmem ou refutem as informações divulgadas pelas duas partes.









