O setor audiovisual de Mato Grosso do Sul atravessa um período de expansão que combina aumento da produção, captação expressiva de recursos públicos e consolidação de mecanismos de apoio. O cenário foi destacado na última sexta-feira (19), Dia do Cinema Brasileiro, quando profissionais do Estado apontaram a convergência de políticas de fomento, qualificação técnica e amadurecimento da cadeia produtiva como fatores centrais desse avanço.
Nos últimos anos, mais de R$ 20 milhões foram direcionados a projetos locais por meio da Lei Paulo Gustavo. O montante se soma aos editais regulares do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) e à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), esta última responsável por estabelecer financiamento contínuo para atividades culturais. A combinação dessas frentes de financiamento ampliou o número de obras realizadas e reforçou a presença do Estado em mostras e festivais dentro e fora do país.
Novos editais e diversificação de linhas de apoio
Em 2026, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul abriu três editais voltados exclusivamente ao audiovisual, totalizando R$ 1 milhão. As chamadas contemplam, respectivamente, a produção de obras, a circulação de filmes e o custeio da participação de realizadores em festivais nacionais e internacionais. Esse movimento amplia o leque de oportunidades e atende a diferentes etapas do processo de criação, distribuição e promoção de conteúdo.
Profissionais do setor avaliam que o período atual representa a consolidação de um esforço iniciado décadas atrás. Editais estaduais, iniciativas privadas e políticas municipais compuseram uma base que facilitou o aproveitamento dos recursos federais mais recentes, permitindo que roteiristas, diretores, técnicos e artistas desenvolvessem projetos com melhor infraestrutura e alcançassem novos mercados.
Impacto visível em festivais e formações
O crescimento da produção reflete-se em eventos do calendário cultural. O Festival Curta Campo Grande, por exemplo, registrou 32 inscrições de curtas-metragens produzidos em 2024 e 2025, número significativamente superior ao período pré-pandemia, quando a média anual não ultrapassava cinco obras. A ampliação da oferta impulsiona a programação de mostras regionais e eleva a competitividade de filmes sul-mato-grossenses em circuitos nacionais.
Outro ponto decisivo é o investimento em formação continuada. A criação do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) incrementou a qualificação técnica, renovando o quadro de profissionais e estimulando parcerias entre academia e mercado. Oficinas, laboratórios de roteiros e programas de mentoria complementam a formação universitária, sugerindo um horizonte de mão de obra mais especializada.
Estratégias para sustentabilidade
Apesar dos avanços, o setor busca transformar o crescimento atual em desenvolvimento sustentável. Entre as metas consideradas prioritárias estão a manutenção de políticas permanentes de fomento, a ampliação dos mecanismos de circulação das obras e o fortalecimento da Film Commission de Mato Grosso do Sul, criada para atrair produções externas e facilitar trâmites de filmagem. Especialistas apontam que a comissão pode colaborar para aumentar a visibilidade do Estado, gerar empregos diretos e dinamizar serviços locais de hospedagem, transporte e alimentação.
Outro desafio frequente diz respeito à distribuição. Embora o financiamento público tenha impulsionado a produção, profissionais observam que parcela significativa dos filmes ainda encontra obstáculos para chegar ao público. Salas de cinema comerciais, plataformas de streaming, mostras itinerantes e parcerias com emissoras regionais são citadas como caminhos para ampliar o alcance das obras. A lógica, segundo produtores, é equilibrar recursos destinados à realização de projetos com investimentos em estratégias de exibição e comercialização.
Repercussão econômica e integração setorial
Além da dimensão cultural, o audiovisual exerce impacto direto em setores como turismo, comércio, tecnologia e serviços. A cadeia inclui locação de equipamentos, contratação de equipes, cenografia, figurino, transporte e alimentação, movimentando a economia criativa local. O fortalecimento dessa rede demanda a profissionalização contínua de empresas prestadoras de serviço e a qualificação de gestores culturais, responsáveis por planejar e executar projetos de forma compatível com as exigências de mercado.
Na avaliação de produtores e cineastas, o momento vivido pelo audiovisual sul-mato-grossense amplia a projeção da identidade regional e conecta o Estado a novos públicos. A expectativa é que o incremento de políticas públicas, a consolidação da Film Commission, a oferta de cursos especializados e a diversificação de canais de distribuição estabeleçam uma estrutura duradoura. Com isso, o setor espera converter o impulso atual em oportunidades de longo prazo, gerando emprego, renda e maior presença das obras locais em circuitos nacionais e internacionais.








