A nova etapa das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3), em Três Lagoas (MS), já gera os primeiros reflexos no mercado de trabalho local. A Engeko, primeira empreiteira contratada pela Petrobras para atuar em três lotes do complexo, abriu as primeiras vagas e instalou escritório administrativo na rua Orestes Prata Tibery, no centro da cidade, oficializando o início da mobilização do canteiro de obras.
O recrutamento da mão de obra está a cargo da Casa do Trabalhador, órgão municipal responsável por intermediar as admissões. Nesta semana ocorreu o segundo processo seletivo específico para a UFN-3, com entrevistas destinadas a funções da construção civil. A prioridade estabelecida pela administração municipal e pela empresa é preencher as vagas com profissionais residentes em Três Lagoas, medida que busca maximizar o impacto econômico direto na comunidade.
De acordo com o diretor da Casa do Trabalhador, Sidney Abreu, cerca de 160 candidatos participaram das entrevistas realizadas nos últimos dias. A Engeko prevê contratar mais de dois mil trabalhadores ao longo da execução de seus serviços, porém as admissões serão escalonadas, acompanhando o avanço físico da obra. No momento inicial, as oportunidades concentram-se em cargos como ajudante de obras, pedreiro, soldador, carpinteiro e montador de andaimes.
Abreu orienta os interessados a manterem o cadastro atualizado, sobretudo os telefones de contato, para agilizar convocações futuras. Segundo ele, muitos candidatos são acionados diretamente a partir das informações registradas no sistema, o que reforça a importância de dados corretos e atuais.
Além do impacto imediato no emprego, a retomada do projeto já pressiona o mercado imobiliário local. A procura por imóveis destinados a escritórios, alojamentos e moradia de profissionais cresce desde o anúncio da mobilização, levando proprietários e corretores a ajustarem a oferta de unidades disponíveis na região urbana e em bairros próximos ao complexo industrial.
Durante o desfile comemorativo aos 111 anos de Três Lagoas, o prefeito Cassiano Maia classificou a volta das obras como fator estratégico para a economia municipal. O chefe do Executivo afirmou que a administração trabalha em ações de infraestrutura, qualificação profissional e serviços públicos para absorver o incremento de demandas previsto para os próximos anos.
Conforme o cronograma preliminar, 2026 será dedicado à instalação dos canteiros, pavimentação interna, fundações e demais estruturas de suporte, com pico de admissões de profissionais da construção civil. A estimativa é que a maior concentração de trabalhadores seja registrada a partir de janeiro de 2027, quando múltiplas empreiteiras, contratadas em diferentes lotes, atuarão simultaneamente no complexo.
Algumas dessas empresas ainda finalizam a assinatura de contratos com a Petrobras. A estatal dividiu a conclusão da UFN-3 em diversas frentes para acelerar o ritmo dos serviços e ampliar a participação de fornecedores especializados. Ao longo de todo o processo, a projeção é gerar aproximadamente oito mil postos de trabalho diretos e indiretos, impulsionando setores como comércio, transporte, hotelaria, alimentação e prestação de serviços.
A retomada da unidade também pode integrar a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o deputado federal Vander Loubet, há expectativa de que o chefe do Executivo federal visite Mato Grosso do Sul em 25 de junho, com possível passagem por Três Lagoas para acompanhar o reinício oficial do empreendimento.
Interrompida em 2014, a obra apresenta cerca de 81 % de conclusão física. Para finalizar o projeto, o investimento previsto é de aproximadamente R$ 5 bilhões. Quando entrar em operação, a UFN-3 deverá produzir em torno de 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano, além de amônia, contribuindo para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e fortalecendo a cadeia do agronegócio nacional.
O reinício das atividades também implica desafios logísticos e de infraestrutura urbana. A prefeitura analisa medidas para adequar o trânsito, ampliar a oferta de moradias e reforçar serviços essenciais, como saúde e educação, de modo a atender o crescimento populacional decorrente da atração de mão de obra de outras regiões.
Empresários locais acompanham o avanço do cronograma para planejar investimentos adicionais em equipamentos, contratação de pessoal e ampliação de estoques. Representantes do comércio e da indústria de Três Lagoas estimam que a circulação de renda aumente gradativamente à medida que os trabalhadores iniciem suas atividades e as empreiteiras intensifiquem a compra de insumos e serviços no município.
Com a instalação do escritório da Engeko e o início dos processos seletivos, a retomada da UFN-3 deixa a fase de planejamento e ganha contornos práticos, estabelecendo um novo ciclo econômico para a cidade. O acompanhamento das próximas etapas, tanto por parte das autoridades quanto do setor privado, será decisivo para que os benefícios previstos se concretizem no prazo estimado.








