Na terça-feira (22), a Escola Municipal Profª Leire Pimentel de Carvalho Corrêa, no Jardim Colibri, iniciou a Semana do Brincar, parte do projeto ABC do Brincar – Juntos pela Alfabetização. A iniciativa, que vai até sábado (26), traz jogos, cultura e memórias de infância para crianças, famílias e educadores, buscando estimular a alfabetização e o desenvolvimento integral por meio de brincadeiras tradicionais. O evento, organizado pela Associação Cultural Nonada Jornalismo, tem como objetivo aproximar a comunidade escolar e a população local, criando um espaço permanente de brinquedos pedagógicos para uso futuro. A programação inclui oficinas, atividades lúdicas, formações e apresentações culturais, com foco na interação física e no resgate de práticas lúdicas que envolvem o corpo e o movimento.
A programação se estende das 18h às 21h de terça a sexta-feira, e das 9h às 11h no sábado, com entrada aberta à comunidade. Durante os cinco dias, 100 famílias receberão kits educativos contendo materiais pedagógicos e o livro infantil O Baú de Brincadeiras da Vó Elza, que reúne brincadeiras tradicionais de Mato Grosso do Sul, desde amarelinha e pega‑pega até o Bozó, bonecas de sabugo de milho e o jogo de taco, também chamado de bets. O livro foi construído a partir de uma pesquisa realizada com a própria comunidade escolar, refletindo as memórias de Nina, uma menina que encontra um pião no baú da avó Elza e descobre como outras gerações se divertiam antes das telas.
Brincadeiras e Aprendizagem
Durante a semana, os familiares participam de uma oficina sobre desenvolvimento infantil, aprendizagem e fortalecimento de vínculos socioafetivos, enquanto as crianças são conduzidas por arte‑educadores em jogos que aproximam o brincar do processo de alfabetização. A psicóloga e especialista em psicopedagogia Pietra Garcia, responsável pela formação dos familiares, destaca que brincadeiras de faz‑de‑conta treinam memória, tomada de decisão e flexibilidade cognitiva, essenciais para a interpretação de textos. Ela também cita jogos tradicionais como a amarelinha, dominó e o jogo da memória, que trabalham de forma lúdica sequências numéricas, raciocínio lógico e atenção.
No sábado (26), a manhã começa às 9h com o lançamento e entrega do livro O Baú de Brincadeiras da Vó Elza, seguido de apresentações do Batucando Histórias e do Batuque Banda. As cantigas de roda, folclore e brincadeiras tradicionais são intercaladas com momentos de interação com o público, reforçando a conexão entre a escola e a comunidade. A proposta do projeto, que estima alcançar cerca de 300 pessoas, busca unir educação, cultura e memória, criando um ambiente onde crianças, famílias e professores se envolvem em atividades que estimulam a aprendizagem e a convivência.
Além das atividades lúdicas, a escola receberá um espaço permanente com brinquedos pedagógicos, permitindo que as brincadeiras continuem após o encerramento da semana. O projeto, coordenado por Rafael Gloria, diretor executivo da Associação Cultural Nonada Jornalismo, enfatiza que, em um mundo digital, a retomada de brincadeiras que envolvem movimento físico é uma estratégia potente para a alfabetização e o desenvolvimento integral. A iniciativa também visa fortalecer os laços entre gerações, pois as brincadeiras tradicionais são transmitidas de pais para filhos, mantendo viva a cultura local.
Com cerca de 300 pessoas estimadas a participar, a Semana do Brincar demonstra como a integração de educação, cultura e memória pode criar oportunidades de aprendizagem significativa para a comunidade de Campo Grande. O próximo passo será avaliar o impacto das atividades na alfabetização das crianças e no fortalecimento dos vínculos familiares, com a intenção de replicar o modelo em outras escolas públicas do estado. A iniciativa reforça a importância de espaços lúdicos no processo educacional, mostrando que o brincar pode ser uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento integral.







