Em 4 de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi tomada em reunião unânime entre os sete integrantes da cúpula, presidida por Gabriel Muricca Galípolo. O objetivo foi preservar um cenário de crédito restritivo, mesmo diante de sinais claros de desaquecimento no comércio, na indústria e no mercado de trabalho brasileiro. O BC ressaltou que a taxa Selic permanece contracionista, refletindo a necessidade de conter a inflação que continua acima do teto de tolerância da meta oficial.
O comunicado oficial do Copom destacou que o contexto atual apresenta incertezas significativas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração da atividade econômica doméstica. O comitê enfatizou a importância de conduzir a política monetária com serenidade e cautela. A decisão foi respaldada por dados recentes que mostram que a inflação cheia e a média dos itens subjacentes ultrapassaram o limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. Assim, o BC optou por não reduzir a taxa, mantendo o controle sobre os preços.
Entre os participantes da reunião, além de Gabriel Muricca Galípolo, estavam os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira. Todos votaram a favor da manutenção da Selic em 13,75%. A unanimidade reflete a preocupação coletiva com a estabilidade monetária e a necessidade de evitar qualquer alívio que possa acelerar a inflação. O BC também monitorou de perto a política fiscal do governo federal, reconhecendo que mudanças nesse cenário podem impactar a dinâmica inflacionária.
Pressão externa
No cenário internacional, o Banco Central apontou que a tensão geopolítica aumentou com a prolongação dos conflitos armados no Oriente Médio. Essa instabilidade elevou as cotações internacionais do barril de petróleo e derivados, encarecendo os combustíveis e pressionando os custos logísticos globais. Além disso, a manutenção de juros elevados nas economias avançadas drena capitais de mercados emergentes, gerando turbulência no câmbio e nos ativos financeiros nacionais. Esses fatores contribuem para a pressão sobre a inflação interna e reforçam a necessidade de manter a taxa Selic em patamar restritivo.
Os dados do Boletim Focus, citados pelo BC, mostram que a expectativa de IPCA para 2026 avançou para 5,2% e para 2027 subiu para 4,8%. A projeção oficial do Copom para o segundo trimestre de 2028 é de 3,5% no cenário de referência, que calcula o dólar partindo de R$ 5,20 e bandeira tarifária verde de energia elétrica até o fim de 2027. Para 2026, a projeção interna do Banco Central aponta um IPCA de 5,6%, com itens administrados em 6,0% e preços livres em 5,5%.
Inflação doméstica
A radiografia apresentada pelo colegiado aponta um paradoxo: a atividade econômica perdeu ritmo e o mercado de trabalho esfriou, mas o custo de vida continuou subindo. A inflação cheia e a média dos itens subjacentes romperam o teto do intervalo de tolerância da meta oficial. O Copom ressaltou que a assimetria do risco continua inclinada para novas altas de preços, destacando a inflação resiliente no setor de serviços, os impactos climáticos sobre a agricultura e eventuais incentivos artificiais ao consumo.
O comitê também alertou sobre a política fiscal do governo federal, enfatizando que desenvolvimentos nessa área podem impactar a política monetária e os ativos financeiros. O BC reforçou a postura de cautela em cenário de maior incerteza, monitorando a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, que contribuem para a determinação dos preços e aumentam o custo de desinflação. Ao mesmo tempo, o colegiado ponderou que uma recessão global provocada pela guerra do petróleo ou uma perda de fôlego mais severa na produção nacional poderiam atuar como forças desinflacionárias adiante.
Apesar de sinais de desaquecimento no comércio, na indústria e no mercado de trabalho, o Banco Central manteve a Selic em 13,75% para conter a inflação que continua acima do teto de tolerância. A decisão reflete a necessidade de equilibrar a política monetária em meio a pressões externas e internas. O Copom continuará monitorando o cenário econômico, fiscal e geopolítico, ajustando a taxa conforme necessário para preservar a estabilidade dos preços e a confiança no mercado.







