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Bolsonaro revê estratégia para o Senado em Mato Grosso do Sul e tende a retirar apoio a Marcos Pollon

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília, deve promover alterações na articulação eleitoral do Partido Liberal para o Senado em Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026. Segundo informação divulgada pela coluna do jornalista Paulo Cappelli, no jornal Correio da Manhã, Bolsonaro sinalizou que não manterá o apoio ao deputado federal Marcos Pollon (PL) como um dos nomes da sigla na disputa pelas duas vagas que estarão em jogo no Estado.

A possível retirada de Pollon do plano original representa inversão de posição em relação a fevereiro deste ano, quando um bilhete atribuído ao ex-presidente circulou entre aliados indicando o deputado como “primeiro nome” para a corrida senatorial. À época, o documento foi amplamente repercutido nas agendas de Pollon pelo interior sul-mato-grossense, reforçando a leitura de que o ex-chefe do Executivo havia consolidado a escolha.

De acordo com a coluna, levantamentos qualitativos e quantitativos encomendados internamente pelo PL mostram desempenho abaixo do desejado para o parlamentar, o que motivou a reavaliação da estratégia. Os números teriam indicado vantagem de outros pretendentes ligados ao partido, considerados mais competitivos nas urnas.

Desempenho em pesquisas de intenção de voto

Estudo divulgado no fim de maio pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) em parceria com o Instituto Opinião oferece um recorte público do cenário eleitoral. No levantamento que relaciona todos os nomes sinalizados até o momento, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) lidera com 38,7% das citações, seguido pelo ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), que aparece com 33,7%. O senador Nelsinho Trad (PSD) soma 26,1%, a senadora Soraya Thronicke (PSB) registra 16,6% e o deputado federal Vander Loubet (PT) obtém 14,3%. Marcos Pollon surge na sexta colocação, com 7,7%.

Em um segundo cenário testado pela mesma pesquisa, no qual o nome de Pollon é retirado, Azambuja avança a 43,4% e Contar alcança 36,9%, o que reforça a percepção de maior potencial eleitoral dos dois correligionários. Esses resultados têm servido como parâmetro para dirigentes do PL avaliarem a montagem da chapa majoritária estadual.

Com base nesses números e nas sondagens restritas ao partido, Bolsonaro teria autorizado a construção de uma nova configuração, na qual Azambuja e Contar despontam como alternativas prioritárias. A medida busca maximizar as chances do PL conquistar ao menos uma das cadeiras sul-mato-grossenses no Senado, diante da projeção de disputa fragmentada e da oferta simultânea de duas vagas em 2026.

Repercussão interna e movimentação de pré-candidatos

A reorientação estratégica ainda não foi formalizada publicamente pelo ex-presidente ou pela direção nacional do partido, mas já provoca movimentação nos bastidores. Fontes ligadas ao PL em Mato Grosso do Sul relatam que interlocutores de Azambuja e de Contar intensificaram conversas com lideranças municipais, objetivando consolidar palanques regionais antes da janela de filiações do próximo ano.

Ao mesmo tempo, aliados de Marcos Pollon aguardam definição oficial para decidir se o deputado insistirá na tentativa de se manter no páreo, migrará para outra legenda ou disputará a reeleição à Câmara Federal. Até o momento, o parlamentar não se pronunciou sobre a eventual perda de apoio presidencial nem sobre possíveis mudanças de rota.

Além dos quadros do PL, a futura disputa sul-mato-grossense ao Senado envolve nomes que já exercem mandato e pré-candidaturas de outras siglas. Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (PSB) devem buscar a renovação de seus assentos. O PT aposta no deputado Vander Loubet, enquanto legendas menores ventilam o empresário Roberto Oshiro (Novo), Beto do Movimento (PSOL) e Daniel Júnior (Agir). A composição final das alianças dependerá das negociações partidárias e dos resultados de pesquisas que serão realizadas mais perto do período de convenções.

O calendário oficial estabelece que as eleições ocorrerão em outubro de 2026, mas o processo de articulação ganhou tração antecipada, impulsionado pelo interesse de Bolsonaro em fortalecer bancadas aliadas no Congresso. A revisão do apoio em Mato Grosso do Sul se soma a ajustes que o ex-presidente vem fazendo em outras unidades da federação, numa ofensiva para consolidar candidaturas viáveis sob a bandeira do PL.

Enquanto as siglas testam diferentes composições, o cenário permanece volátil. A decisão definitiva do ex-presidente quanto aos nomes em Mato Grosso do Sul deverá ser anunciada apenas na proximidade das convenções partidárias de 2026, quando o quadro de alianças, índices de intenção de voto e capacidade de financiamento de campanha estarão mais definidos.

Até lá, pesquisas internas e públicas continuarão servindo de termômetro para medir o alcance de cada pré-candidato. A exclusão de Marcos Pollon do primeiro escalão de apostas do PL sinaliza que desempenho em sondagens segue critério determinante para a escolha de quem receberá o selo de apoio de Jair Bolsonaro no Estado.

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